Beijing código 798

Bem, enquanto percorríamos a China, antes de chegar em Beijing, cruzamos com vários viajantes que possuíam um conselho que fazia os olhos de quem contava brilhar: “Vocês TEM que ir para o 798!”. O que a princípio parecia ser um código secreto aos poucos foi ficando mais claro: o 798 é uma espécie de bairro incrível das artes de Beijing… Vamos pensar em uma Vila Madalena de São Paulo só que em ruas que abrigavam um antigo complexo de fábricas… chaminés, maquinarias desativadas e paredes com os tijolos expostos que guardam dentro de si mundos coloridos.
Nas ruas do complexo, arte inusitada para tudo quanto é canto, as esculturas mais cool que eu já vi junto à paredes desenhadas que pareciam querer gritar alguma coisa.

Construído nos anos 50, o 798 era uma das fábricas militares responsáveis pela fabricação de eletrônicos. Depois de abandonado, artistas começaram a usar esses espaços como ateliês e hoje galerias, cafés charmosos e lojinhas com bugigangas descoladas autenticamente Made in China compõem um universo bastante inusitado. Bem vindos ao 798, o Distrito das Artes!

Para chegar até lá, há várias opções de ônibus, o Lonely Planet indica pegar o metrô até a Sanyuanqiao Station e depois pegar o ônibus 401 até Dàshanzi Lukonuan. Nota: Os ônibus tem um marcador de cada ponto em que para, as luzinhas vão se acendendo… Então você pode ficar de olho para poder descer, mas é sempre bom levar o nome do lugar anotado em um papelzinho.

Fiquei só um pouco decepcionada com as lojinhas… estávamos no fim da viagem e na pegada de levar algumas lembrancinhas bacanas, mas não encontramos nada muito surpreendente que já não tivéssemos visto antes… Cavando muito é possível tirar alguma coisa de lá, mas ainda sim, muita coisa que eu acabei vendo no bairro da Liberdade (em São Paulo) depois.

A maioria dos restaurantes são caros, muito caros mesmo… No primeiro dia em que visitamos o 798, acabamos comendo num lugar caro, mas no segundo dia – sim, nós fomos lá duas vezes! – conseguimos encontrar alguns restaurantes mais em conta em ruelas estreitas. O bairro é bem grande, e vale muito tirar um dia para explorar todas as suas galerias.

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Xinglingling: em Beijing!

Olha só gente… vou pedir desculpas desde já, mas os posts de Beijing estão meio desfalcados em relação à informações de como se chegar aos lugares ou valores de comida, ingressos, etc., porque só estou escrevendo ele hoje – dia 4 de outubro – ou seja: 3 meses depois de ter voltado da Ásia! Posso recompensar colocando mais fotos do que o normal?

Começamos com os clássicos da cidade, aquelas atrações que se você contar que foi para Beijing e não visitou, vão te olhar torto e dizer: “Então você não foi para Beijing!”

Water Cube e o Bird’s Nest
Tanta coisa para fazer em Beijing… e na primeira noite resolvemos visitar o famoso Cubo D’Água e o Ninho de Passarinho, ambos construídos para abrigar as competições olímpicas em 2008. À noite é bonito de lascar… não chegamos a entrar, mas a grandiosidade do Parque Olímpico com os ginásios iluminados, faz o céu escuro mais bonito. Mesmo com chuva.
Oh yeah! Fácil de chegar, tem uma estação de metrô que te deixa na cara!

Summer Palace
A corte imperial também tem que descansar, e em vez de uma casa de praia com vista para o mar, porquê não um complexo de jardins, pontes, pavilhões e corredores em volta de um gigante lago artificial? Soa muito megalomaníaco? Na China é assim!

Apesar do nome – Palácio de Verão – no dia em que fomos visitar o complexo, não achamos tão Verão assim… explica-se: estávamos debaixo dos famosos céus poluídos brancos de Beijing.

Tá vendo alguma coisa? Bemmm lá no fundo?

Comprando o ticket simples você tem acesso ao complexo… mas não tem acesso à outros lugares fechados lá dentro. Você pode optar por comprar o ticket simples e pagar individualmente por esses lugares fechados ou pode comprar o ticket completo, que é mais caro e te dá acesso a todos esses outros lugares fechados. Nós optamos pelo ticket simples e pagamos apenas para visitar o Temple of Buddhist Incense que oferece aquela vista arranca-toco do topo. Um céu azul e um sol amarelo não fariam mal, juro!
O complexo é enorme… se você tiver pernas fortes e disposição… dá para passar sim o dia inteiro lá passeando! Você pode percorrer o perímetro do lago a pé, ou pode alugar um barquinho para cruzar o rio.

O marble boat (barco de mármore)

Eu já contei mais de mil vezes que nós já tivemos uma overdose de templos chineses antes de chegar em Beijing, mas ainda sim o Summer Palace tem alguns detalhes que tocam até a vista mais enjoada.

Não toca?

O Imperador mal sabia que um dia poderia chegar de metrô no Summer Palace. Só descer na estação Beigongmén e dar uma andada rápida.

Forbidden City
A Cidade Proibida, já não mais tão proibida assim… Ai se o Imperador dá um flagrante numa cena dessas:
Cabeças vão rolar. A Cidade Proibida é uma loucura de multidões. Ponha a meia de algodão, o óculos de sol e encha seu espírito de paciência. Sério, isso bodeou muito. Confesso que ir na Cidade Proibida foi muito mais uma obrigação do que um prazer. Cruzamos meio sem paciência por ela e foi um alívio se livrar das multidões. Não quero que vocês achem que estou brincando, mas deem uma olhada:
Aha! Achou que ia tirar uma foto sozinho com a Cidade Proibida no fundo né? Calma, você ainda tem chance. As pessoas se amontoam em lugares específicos, por vezes é possível ter alguns momentos de escape – e poesia – em plena Cidade Proibida.
E aqui vai uma dica-amiga: ao sair da Cidade Proibida, cruze a rua e dê uma passada no Jingshan Park, subindo até o topo do morro que tem lá. Nosso melhor contato com a Cidade Proibida, foi a vista livre que tivemos lá de cima.

O amiguinho aí já entendeu como ver a Cidade Proibida sem ser importunado.

Temple of Heaven

Ops! Agora podem me olhar torto e dizer que eu não estive em Beijing, não visitamos o temple of Heaven. Fica para a próxima! 😉

>>>> DICAS
É verdade que chegar cedo nos lugares evita as multidões? Pode ser que evite sim, mas não por muito tempo. Chegar cedo vai te dar apenas alguns minutos a mais de ar puro e vai te deixar de mau humor pelo resto do dia por ter acordado cedo. Vale a pena? Eu e o Rô desistimos de lutar contra as multidões, tem que ir para o lugar sabendo que você vai encontrar milhares de turistas e… paciência! A China é dos chineses.

Cotinuamos nos arredores de Beijing nos próximos posts!

O que tem de errado nesta imagem? Resposta: Uma chinesa andando sozinha.

Pondo a China na balança

Eu confesso: eu não estava preparada para Beijing. Também vou confessar outra coisa: Quando chegamos em Beijing nós não aguentávamos mais a China! Nunca sentimos tanta vontade de ir para casa. A curiosidade dos chineses em relação a nós já não era mais tão engraçada. Era chato saber que o tempo todo éramos foco de atenção, embora em Beijing tenha sido mais tranquilo. Não aguentávamos mais a comida, pela primeira vez durante todos esses meses fizemos refeições no Mc Donalds, ou seja: olha o nível da situação. Já estávamos bem cansados de tentar nos comunicar. Sabe a comparação que eu faço? A de um relacionamento que vai às mil maravilhas no início e depois de alguns meses você começa a perceber os defeitos, a achar tudo um sebo. =(

Esse foi o nosso problema: conhecemos a China demais. Não me arrependo. Na verdade ainda quero muito voltar para China, quero conhecer outras regiões mais distantes, quero ver outras coisas que não tivemos tempo de ver… A China, é incrível! Mas cansa um pouquinho, rs… O nosso outro problema foi ter deixado Beijing para o fim, depois de ter rodado por tantos templos, nem o Summer Palace nem a Cidade Imperial tiveram um sabor especial, foi um sabor de “mais um”. Nem o Temple of Heaven escapou dessa, estávamos tão bodeados de templos que resolvemos pular o coitado. Mas…

Mas. Tivemos grandes momentos inesperados em Beijing. Visitar o 798, o famoso distrito de arte, foi uma surpresa muito agradável. Fazer um hiking na Muralha, numa parte mais afastada foi para mim um dos ápices da China. Há quem diga que a Muralha é só um muro, mas… que muro!

Em Beijing nos hospedamos primeiro no Leo Hostel. Odiei. Muito barulhento, clima de balada desde cedo, banheiros fedidos mas localização ótima, fomos a pé desde lá até a Cidade Proibida, sem contar que os hutongs ao redor são ótimos e o transporte público também é bem servido. Depois acabamos nos mudando para o (esqueci o nome haha =/) hostel em que a Mari e o Fe – um casal muy querido de brasileiros que conhecemos em Chengdu – estavam. A companhia deles foi ótima, agora para quem está viajando sozinho… não recomendo ficar lá, a área social é muito pobre, meia-noite você é expulso do barzinho, ou seja: totalmente o oposto do Leo Hostel!

Os dias em Beijing foram agitados, sabe tanta coisa para fazer que no fim você não consegue fazer nada? Vocês podem ter me achado reclamona hoje, mas vão ver nos próximos posts que no fim conseguimos tirar o máximo proveito de Beijing, o ponto final de uma viagem de 45 dias pela China!

Pingyao: de volta ao passado

Já repararam que nas últimas cidades que visitamos na China eu digo que chegamos sem expectativas? Em Pingyao o sentimento pré-viagem foi mais forte ainda. Eu relutei até o último momento para ir. Achei que Pingyao ia ser exatamente como Lijiang, cidade lotada de turistas e sem personalidade, achei que ia me irritar. Eu queria ir para Shanghai, achei que ia ser mais interessante, e como sempre… A China surpreende!

Pingyao foi muito delícia, Pingyao era de verdade: não eram casas reconstruídas, eram realmente restos de uma época que podia deixar o mais loiro dos turistas com nostalgia de um passado totalmente distante de sua cultura.

Vimos umas caminhonetes bem loucas nas ruas com 3 rodas… eu e o Rô achamos que a cidade tem um estilo cyber-punk, uma cidade de futuro decadente.

Entre uma Ferrari e um desses eu acho que fico com o de 3 rodas hein!

A cidade tem uma paleta toda acinzentada e empoeirada, ruelas estreitas e tijolos aparentes.

Ficamos 3 dias em Pingyao, fazendo… nada! Andando, escrevendo, bebendo breja e comendo. Um clima amistoso paira na cidade, bandinha tocando, lanternas vermelhas penduradas…

Morri! Essa é a menina mais linda da China!

Bem, tudo isso estou falando da parte da cidade que fica dentro das muralhas, onde carros não entram e as ruas se enchem de turistas… mas não tantos turistas quanto em Lijiang, então está aprovado!

Pagando 120yuans, você recebe um ticket com validade de 2 dias e que dá acesso à cerca de 18 construções históricas – além do rolê por cima da muralha que cerca a cidade. Já disse que estávamos cansados de visitar essas coisas, né? Dispensamos, e ficamos com as ruas cor de barro para nós.

Onde nos hospedamos

Harmony Guesthouse
Esta guesthouse fica numa bem preservada casa antiga, e essa é a graça do negócio… Nossa cama era de pedra com um colchão em cima, exótico, não? Apesar do quarto ser bem pequeno pelo preço (preços: a partir de 75 yuans por pessoa em quarto privado), foi uma experiência interessante, mas não imperdível. Antes que vocês me achem louca por ter dormido numa cama de pedra, aqui vai uma foto do nosso quarto para vocês entenderem melhor do que estou falando… rs…
Pingyao foram os doces momentos de respiro antes de entrarmos de cabeça em Beijing: o último destino de nossa viagem pela China.
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Desenhos diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo!

Luoyang e um tiquinho de kung fu


Chegamos em Luoyang depois das 5h do trem que vinha de Xian, e depois de tanto tempo sem andar de taxi, resolvemos nos dar ao luxo de tomar um e escapar daquele stress-básico-nem-sempre-gostoso de achar o transporte público.

Ficamos no Luoyang Yi Jia International Youth Hostel, nada demais, nada de menos. Apenas OK. Luoyang foi uma cidade que definitivamente me irritou. Eu não sei, estava muito calor mesmo, muita poluição… não me senti bem lá. Mas afinal, estávamos lá para ver o Monastério Shaolin e as Longmen Caves… e isso para mim já valeu a viagem!

Shaolin Temple
Essa história do Monastério Shaolin é um mistério! Alguns dizem que o templo original não era ali… outros dizem que era. Verdade ou não o templo já foi destruído e reconstruído a perder as contas e as paredes do berço do Kung Fu Shaolin ainda cheiram a tinta fresca.
Resolvemos ir até lá de forma independente, sem tour. Viajar independente é bom, mas tem o lado ruim, e o lado ruim se mostra realmente ruim quando você está na China e não consegue se comunicar com ninguém. Fomos até a rodoviária da cidade e lá na bilheteria dissemos que queríamos comprar um bilhete de ônibus até o Shaolin Temple. Tranquilo. O fato é que os ônibus as vezes tem que encher para poder sair, e tivemos que esperar quase 1h até que isso acontecesse. Daí tudo bem. O ônibus começou a andar super devagar, quebrou no meio do caminho. Esperamos um pouco e já trocamos para um outro ônibus caindo aos pedaços, mas ok, o importante era chegar…rs…

E chegamos!Lá estávamos nós diante do lendário – e obviamente turístico – templo Shaolin. Eu esperava tanto desse lugar que acabei achando super sem graça. Tudo feito sob medida para os turistas.

Fomos ver uma apresentação gratuita que está inclusa no ticket, os “monges” mostrando suas habilidades. Decepcionante. Parecia um show bizarro de circo decadente. Impressiona, mas parecem cachorrinhos desafiados a exibir suas habilidades. Fiquei com pena deles.

O templo Shaolin em si é como mais outros templos da China que estávamos cansados de ver. Cadê os monges treinando? Não vimos nada disso. Reza a lenda que os verdadeiros monges Shaolin treinam isolados nas montanhas que cercam o belo complexo. Até dá para entender, ia ser meio difícil treinar com esse monte de gente circulando por ali.

Já meio desanimados preparávamos para dar meia volta e no fim da tarde vem a reviravolta. Finalmente o que queríamos ver: os alunos treinando. Gente, quero muito ter filhos assim!!!
A multidão de alunos praticando nas quadras é de arrepiar. Coisa de filme.

Acabamos encontrando o Andrei, um brasileiro que conhecemos no hostel. Ele tinha ido com um tour até lá e resolveu abandonar o grupo porque disse que foi uma merda, com o guia falando em chinês e passando super rápido pelos lugares. Fica a dica: Indo independente você pode passar pequenos perrengues, mas indo de tour pode ser uma furada maior ainda. E sabe a coisa mais engraçada: a maioria dos turistas já tinha ido embora quando os alunos começaram a treinar, isso foi por volta das 16h.

No fim das contas valeu pelo fim da tarde. Para ir embora é só voltar à estrada onde o ônibus te largou na ida e ir até uma das vans que ficam ali paradas dizendo: “Luoyang?” Só cuidado para não perder a última van que deve sair por volta das 17h, confirme isso!

Longmen Caves
Outro ponto famoso em Luoyang, sua menina dos olhos, são as Longmen Caves.
Um exemplo de bela arte budista, o complexo conta com cerca de 100.000 estátuas distribuídas dentro de cavernas esculpidas nas montanhas de calcário, na beira do Yi River. O tamanho das esculturas varia entre 25mm e 17 metros. Muitas das estátuas não tinham cabeça, saqueadas por japoneses, roubadas em outras épocas… os depredamentos ocorreram por diversas razões e em diversas épocas. E o que sobra não é pouca coisa…
Essa é uma das atrações que podem decepcionar quem está esperando muito, mas sinceramente…. eu não sabia o que esperar e por isso me impressionei. Esculturas fabulosas que te fazem sentir pequeno.
Na margem oposta do rio é possível ter uma visão mais geral das cavernas, como um belo formigueiro.
Há muito mais coisa para se ver nesse complexo, pequenas trilhas que te levam a outras cavernas, templos… Bem fácil de se chegar aí, tem um ônibus que sai de Luoyang e para ali na entrada, basta perguntar no seu hostel aonde pegar. As comidas dentro do complexo tem um preço absurdo, pagamos muito caro na água porque estava um calor insuportável. Já na saída há mais outras opções de restaurantes, com preços ainda salgados, claro. O jeito foi se virar com bolachinhas, rs…
Por fim, vou afirmar pela primeira vez que a graça não estava na cidade em si, mas nos seus arredores, Luoyang foi uma cidade de atrações muito pontuais. A China tem coisa pra ver que não acaba mais, ficamos 40 dias no país mas há atrações ali para uma vida toda. Próxima parada: fomos conferir Pingyao, uma autêntica cidade antiga chinesa.
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Desenhos do Incrível caderno de Viagens do Rômolo!

Xian e seus Guerreiros

É engraçado como as vezes chegamos em uma cidade com uma imagem na cabeça e no fim somos surpreendidos por outras coisas menores. Em Chengdu, por exemplo, só esperávamos ver os pandas e no fim a cidade se mostrou muito mais do que apenas isso. Sem expectativas maiores, partimos para Xian em busca dos Guerreiros de Terracota e descobrimos uma cidade repleta de cheiros, de misturas e sabores.

Xian possui uma grande comunidade mulçumana, o Muslim Quarter é ideal para dar uma checada nessa exótica mistura de chineses mulçumanos. Um calor, aquela fumaça das comidas subindo no fim da tarde, as pessoas enchendo as ruas, eu amei!
Absolutamente viciados no roujiamo, uma sopa que você acha em tudo quanto é restaurante. É feita com massa de pão cozida, carne de carneiro e noodles: o sabor supremo do bem estar!
Pegando o ônibus 306 (7yuans) a partir do estacionamento de ônibus próximo à estação de trem em Xian chega-se fácil até os Guerreiros de Terracota. Os Guerreiros de Terracota foram descobertos há pouco tempo, em 1974, e são apenas uma parte de um projeto megalomaníaco que envolve o imperador Qin. Diz a lenda que a idéia do Imperador – responsável pela unificação da China – era continuar seu reinado pós-vida, e para isso mandou construir um exército completo – incluindo cavalos – para comandar quando passasse dessa pra melhor. Uau, melhor mesmo! Até hoje as escavações continuam e estima-se que haja cerca de 7.000 guerreiros no total, detalhe: em tamanho real e com a sutileza de cada rosto ser totalmente diferente um do outro.
Agora preciso me desculpar por ter usado o efeito miniatura em algumas fotos, hehe…
Se você acha que vai tirar foto se apoiando no guerreiro-amigo, esquece. Você só pode obeservá-los da parte de cima do galpão. Para ver de pertinho, só com as peças expostas no museu do complexo ou no Shaanxi History Museum.
Uma dica válida para visitar os Guerreiros de uma forma interessante é visitar os poços (ou pits) de forma inversa: Primeiro o Pit nº 3, depois o 2 e deixe a cereja do bolo por último: o Pit nº 1! Assim você vai se surpreendendo gradualmente.
Vamos esclarecer algumas coisas: Depois de viajar 4 meses, infelizmente nem tudo parecia mais novidade para nós. Muitas vezes chegávamos em uma cidade e não visitávamos todas as atrações turísticas, andar pela cidade já estava bom. Já estávamos um pouco saturados de templos chineses, pagodas ou feirinhas noturnas do Sudeste Asiático, portanto não visitamos (por dentro) a Bell Tower, a Drum Tower, o Big Goose Pagoda, nem demos a volta por cima da muralha de Xiaan de bicicleta – coisa que eu até teria feito se não fosse o calor de mais de 30°. Mas claro que não podíamos deixar de visitar o Shaanxi History Museum, dito um dos melhores museus da China.

O Museu é gratuito caso você apresente algum documento de identificação (passaporte) – isso é ótimo, mas por outro lado, causa uma fila absurda na bilheteria. A recomendação é a de sempre: Chegue cedo para evitar as multidões. Acordar cedo? Sempre tentamos, nunca conseguimos. Por isso acompanhamos os milhões de turista que lotam o museu, de fato. O Museu é bom embora seja meio carente de mais explicações em inglês. O problema mesmo é ter que ficar disputando à tapa um lugarzinho para apreciar as peças. Cansa mesmo. E depois da cagada que fizemos de ir andando do hostel até o Museu – que é bem longe – ficou mais cansativo ainda. Pegue um ônibus ou um metrô, meu amigo, economize sua energia! O Museu foi bom para complementar com o que já tínhamos visto dos Guerreiros de Terracota.

Ficamos num quarto compartilhado por 45yuans (cada) no ótimo Xiangzamen Hostel. Embora a cerveja tenha o preço extorsivo de 15 yuans por uma long neck (!) a localização era muito boa dentro da Old Town. Pegamos um compartilhado porque os preços dos quartos de casal nos hostels da Old Town eram muito caros, por volta dos 150 yuans. O hostel era bem bonito mesmo, todo antigo, lindo, cheio de sofás e mesas, bem gostoso. Percebemos que quanto mais nos aproximávamos de Beijing, mais caras as coisas iam se tornando.

De lá tínhamos 2 opções para sair da cidade até Luoyang: o speed train que demorava 2h e custava cerca de 125yuans ou o trem normal, no hard seat que custava 55yuans. Algo deve ter batido na minha cabeça porque eu disse: “Aventura! Vamos testar o hard seat!”. 5 horas de viagem e lá estávamos nós amaldiçoando a aventura…rs… Tá, não foi tão mal, os bancos não eram de madeira mas também não reclinavam. O Rô quase não podia esticar a perna (aliás, raros momentos em que ele pode esticar as pernas). Pelo menos conhecemos um chinês bem legal que falava inglês super bem e tornou nossa viagem mais curta. Mas hoje em dia eu teria ido de speed train, só para ver qual que é…rs…

Já começamos a nos agarrar nas rebarbas do fim da viagem: Templo Shaolin e as Longmen Caves a seguir!
* Uma curiosidade sobre o desenho acima: as vezes o Ro pegava algumas coisas aleatórias na rua para colar no caderno, como esses dois adesivos acima (o em vermelho e o outro em preto) com os caracteres chineses e o número de telefone que foram encontrados colados em algum semáforo, não lembro. Quando os chineses pegavam o caderno dele para ver as ilustrações e viam esses adesivos ficavam muito chocados, colocando a mão na boca. Alguns inclusive até tentaram arrancar o adesivo do caderno, dizendo: “Not good, not good!”. Bem, por fim descobrimos que se trata de um adesivo oferecendo vários serviços considerados ilegais, um deles é “entramos em sites proibidos”, rs…

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Desenhos do post diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo.

Leshan e O Grande Chefão

De Chengdu fomos para Leshan unir o útil ao agradável: Renovar o visto chinês e visitar o incrível Buda Gigante Sentado!
Pegamos um bus em Chengdu (por sorte a estação de bus ficava na esquina do nosso hostel!) e pagamos 48 yuans para cerca de 2h de viagem. Foi difícil pesquisar antes um hostel na cidade – não encontramos nenhum. O Rô ficou me esperando na porta de um hotel que parecia caro enquanto fui caçar o Post & Telecommunication Hotel indicado pelo Lonely Planet, descobri que estava fechado! Quando voltei, o Rô já tinha engatado um papo com o segurança do hotel em que ele estava me esperando. O Tao foi nosso anjo. Ele falava um inglês excelente, sugeriu para que ficássemos  naquele mesmo hotel onde ele trabalhava e no fim passamos a noite lá mesmo, 150 yuans o quarto de casal. A recepcionista não falava inglês, mas o Tao que era segurança falava. Bizarro. Foi ele quem nos deu todas as direções da cidade, onde tirar o visto e talz… Ele foi maravilhoso, salvou nossas vidas mesmo, sem ele teríamos passado uns 3 dias em Leshan tentando descobrir e resolver tudo.

Espero que se vocês ficarem no Nanfang Hotel vocês tenham a chance de conhecer o Tao, ele é tão legal que vou parar de elogiá-lo. Seguimos. Fomos até o Public Security Bureau tirar o visto, foi tranquilo, levamos o papel que pedimos no hotel -com a ajuda do Tao – comprovando que estávamos hospedados lá, preenchemos uns papéis e pronto. No dia seguinte o visto estava pronto por 160 yuans. Putz, não lembro se foi isso mesmo que pagamos.

Enquanto a renovação do nosso visto corria pelos corredores burocráticos da China, fomos ver o Big Boss, ou melhor: O maior Buda sentado do mundo!
Mesmo no meio daquela fila interminável de chineses – não vimos nenhum outro ocidental – me emocionei por estar ali. Lembrei-me de quando eu vi a foto daquele Buda pela primeira vez e agora eu estava lá. Lindo demais, esculpido naquela montanha e uns matinhos crescendo pelo corpo, e quando penso na idade daquele Buda – cerca de 1200 anos – eu realmente me sinto privilegiada por estar ali vendo tudo com os próprios olhos. Uma escultura do mundo.

Aquelas filinhas básicas da China

A entrada para o complexo onde está o Buda é 90 yuans. É possível também alugar um daqueles barcos atolados de turistas só para passar na frente do Buda. Dispensável. Aliás, o que era mais sensacional: da janela do nosso quarto no hotel dava para ver o Buda bem de longe. Andando pelas margens do rio na cidade, mais precisamente na rua Binhe Lu, você também será presenteado com uma cena dessas: o Buda camufladinho.
O complexo onde fica o Buda é cheio de outras coisas, Museu, Pagoda, Templo. Faça suas orações e peça para a fila diminuir!
Estávamos eu e o Rô andando meio perdidos por ali quando chegaram uns 3 chineses: “Ah, acho que eles querem treinar inglês! – disse o Rô. Três segundos depois apareciam mais 20 e todos queriam tirar fotos com a gente. O que eu mais gosto de viajar é essa comunicação louca, você pode passar horas “conversando” sem uma língua em comum. Esse grupo de estudantes nos adotou e ficou acompanhando a gente até a saída. Gosto muito dos chineses. Acho eles engraçados.

O Rô sendo assediado…

Já chega, né?

Somos quase o Brad Pitt e a Angelina Jolie da China. NOT. hahaha

Sobre a cidade de Leshan em si, não tenho muito o que falar já que só passamos 1 noite lá. Mas vou dizer: Não acho que toda a cidade precisa ter grandes atrações para se tornar atraente. Parar na rua, ficar na praça comendo semente de girassol, tentar comprar um espetinho de carne, tentar se comunicar com as pessoas já é uma atração. Ou um pesadelo se você estiver muito cansado, rs…

Ficar na beira do rio vendo os chineses nadarem foi uma atração em Leshan.

Conseguem encontrar o Buda aqui?

Depois disso voltamos para Chengdu e pegamos um trem para Xian, uma visitinha aos Guerreiros de Terracota. E pensar que eu fiquei puta quando não consegui vê-los anos atrás na exposição que rolou na Oca em São Paulo…

Alguém se arrisca a descobrir qual é a dessa placa?