Comidinhas do Vietnã

Tailândia que me desculpe, mas… finalmente você encontrou um adversário à altura. Para um país ser o meu preferido, tem que ter uma boa mesa, e o Vietnã preenche esse quesito com excelência. Escrever esse post já está me deixando mal, não dá para esquecer que não vou voltar a comer tão cedo essas iguarias. A média dos preços dos pratos apresentados aqui varia de 2 a 3 dólares.

Rolinhos primavera

Rolinhos do Family Restaurant em Hue

Cada lugar é uma surpesa… Você nunca achou que rolinhos primaveras poderiam ter tantas vertentes. Os fresh spring rolls são bem populares e podem ser encontrados em qualquer esquina decente.
O meu preferido sem dúvida é esse que comemos no Vi Café Restaurant em Hoi An, um restaurante super simples. Olha essa casquinha que única!!!
Isso é amor! Bem, Hoi An para mim é a campeã de melhor comida do país. Ainda nesse mesmo restaurante é possível comer duas outras especialidades da cidade:

Lao Cao
Fried Wonton
Ai. Que fome. Juro. O Wonton também pode ser encontrado na sua versão de sopa.

Sanduíche da esquina
Não se deixe enganar pelo jornal sujo que envolve este que é um dos clássicos do Vietnã. Custando por volta de $0,50 é o seu companheiro de aventuras ideal: Barato e cheio de energia. Molhos misteriosos e recheios aleatórios mudam a cada esquina. Em Hanoi você também encontra os mais maravilhosos e saborosos kebabs do mundo, de deixar turco com inveja.

Hot Pot
No melhor estilo Faça Você Mesmo, os hot pots são as mais interativas refeições que você vai ter no Vietnã. Bem, nunca sabíamos o que colocar para ferver e em que ordem, éramos a alegria dos garçons – ou mais precisamente: motivos de chacota.

Antes…

Ajuda da mocinha para o Durante…

E o minimalismo do Depois.

Um hotpot custa em média entre 100.000 e 200.000 dongs ($5 e $10) e era na medida certa para mim e para o Rô.

Mais comidas interativas? Vamos lá. Acho que o meu muso inspirador é o Quan An Ngon restaurante em Hanói. Cada refeição lá era um deleite, um desejo de ter dois estômagos para poder comer todo o cardápio (que horror!). Não se deixe enganar, a figura abaixo esconde um fresh spring roll.
Bem, eu não sabia por onde começar quando o prato chegou a mesa, mas sempre tem um anjo (ou uma babá!).
Ahhhh… então tá bom! Não deixe também de experimentar o White Rose, bolinhos com massa de tapioca (?) gelatinosa envolvendo delicados pedaços de camarão e porco num molho que é inexplicável. A musicalidade do sabor é inversamente proporcional à qualidade depressiva da foto.
Sabe o que é pior? Estou escrevendo esse post em Hong Kong às 00:37 da madrugada, temos que acordar cedo para começar a viajar pela China amanhã e todo esse post já está muito distante da minha realidade. Vou dormir, quem sabe não sonho que estou de novo comendo no Vietnã… boa noite!

E um cafezinho vietnamita para fechar 😉

Lembrete: Não deixe também de provar as maravilhosas panquecas oleosas vietnamitas!

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Hanoi e adeus Sudeste Asiático

Muita gente reclama que Hanoi não tem nada para fazer, que os vietnamitas de lá são rudes, que a cidade é estressante, que é uma cidade feia… mas uma coisa é certa: Hanói é uma das cidades mais autênticas e pulsantes do Vietnã. Hanói sabe ter seus bons momentos.
Basta dar uma andada pela manhã para sentir que a cidade está se movendo… e muito!
Vietnamitas comendo suas sopas antes de ir para o trabalho, as motos buzinando, aquele trânsito de sempre, vendedoras com seus chapéus cônicos vendendo frutas… Tenho a impressão de que os vietnamitas comem o dia inteiro e isso faz da rua um enorme restaurante a céu aberto. São tantos cheiros bons e tantas opções que você fica realmente atordoado. Se você não encontrar uma moto barrando seu caminho na calçada, provavelmente vai encontrar uma mesinha, uns banquinhos minúsculos, e os vietnamitas sentados em grupo comendo sementes de girassol e tomando chazinho.

O momento mais intenso do dia é no fim da noite, quando todos os vietnamitas invadem a calçada novamente para praticar uma das minhas artes preferidas que é – adivinhem? – comer de novo. Por volta das 22h, como num toque de mágica, tudo desaparece, a cidade adormece e tem seus poucos momentos de paz antes de acordar novamente com as buzinas.

Bem, quando não estávamos lutando contra o cansaço pelo calor, estávamos explorando a cidade. Seguem algumas das nossas pequenas aventuras na nossa última parada no Sudeste Asiático.

Water Puppetry Show
Algum dia alguém achou que era legal misturar marionetes e água e aí nasceu uma das mais bizarras tradições do Vietnã. Pagando a partir de 60.000 dongs, você consegue pegar um ótimo lugar para assistir a famosa apresentação de Marionetes na Água com uma grupo musical ao vivo mais do que excelente! O show é bizarro, porém muito divertido, faz Chuck, o Boneco Assassino parecer um ursinho de pelúcia depois disso.

Ho Chi Minh Mausoleum
Seguindo ainda a temática “bizarrices” e adicionando um pouco de morbidez, vá visitar o corpo embalsamado de Tio Ho no Ho Chi Minh Mausoleum. Sabe parque de diversões, quando você fica duas horas na fila para curtir 2min de montanha russa? Ficamos 20 min na fila para ver o corpo embalsamado por 1 minuto, os guardas mantém a fila andando constantemente e você não pode parar para confirmar se ele é feito de cêra ou não. De qualquer forma, ainda é bizarro e de arrepiar. Proibido tirar fotos.

Arts Fine Museum
Ah, esses Museus de Belas Artes do Vietnã são fantásticos! Daqueles em que se passa tranquilamente uma tarde observando cada obra detalhadamente. Muitos dos artistas que estão no Museu de Belas Artes de Saigon também estão nesse.

Ngoc Son Temple
Um pedacinho raro de paz em Hanói, esse pequenino templo no meio do Hoan Kiem Lake não cobra menos de 20.000 dongs para abrigar os forasteiros ávidos por um momento de descanso. Mais interessante do que o templo em si são os velhinhos aposentados que se reúnem lá para longas partidas de xadrez chinês.
Vietnam Museum of Ethnology
Apresentando um panorama dos mais diversos grupos espalhados por todo o Vietnã, o museu explica com ricos detalhes um pouco mais dos costumes e culturas de todas essas etnias. Uma coisa bem interessante são umas casas reais que eles construíram nos fundos do museu, com diversas formas de moradia usadas pelos vietnamitas. Não vou mentir, nesse dia o calor me venceu mais uma vez e passei boa parte do tempo na frente de um ar condicionado me segurando para não desmaiar. Ainda bem que eu tenho um namorado dedicado e saudável que explorou o museu todo sozinho e que me contou que os 80.000 dongs que se paga de entrada valeram muito à pena. Se você ficar hospedado no Old Quarter, que é onde 98% dos turistas se hospedam, o Museu ficará muito longe. Nesse caso, pegue o ônibus de número 12 no sul do Hoan Kiem Lake por apenas 3000 dongs e voilá! Faça como nós: peça para um amigo vietnamita escrever num papel aonde você quer ir e descer e mostre para o motorista. Simples, rápido e sem extorsões.

E para fechar… não, não vou dizer que uma das coisas mais legais é dar a volta no lago (como eu sempre recomendo haha), mas sim comer!!! Hanói foi feita para se comer, para sentir música com o paladar, e você tem que se matar de comer ali ou não fará jus à cidade. Meus dois lugares favoritos para comer: em 1° lugar Quan An Ngon que eu já citei no post anterior, e em 2° o New Day restaurante. Claro que terei que fazer um post exclusivo sobre todos os pecados que cometemos à mesa nesse país mais do que incrível.

Nós já saímos do Vietnã, mas o Vietnã ainda não saiu de nós, ainda temos alguns posts para terminar de dizer tudo que preciso sobre o mais querido país no Sudeste Asiático – minha humilde opinião…rs… Voltamos com muita comida e mais choques culturais nos próximos posts!

Halong Bay

Há duas perguntas: Como foi Halong Bay e como foi o tour por Halong Bay?

Halong Bay foi assim:

Atração boa que se preze tem que aparecer em nota de dinheiro!

Muito agradável para os olhos, não é mesmo? Sinta-se dentro de um filme.

De caiaque por Halong


Já o tour… Ai meu Buda. Vou entrar em depressão se eu começar a falar sobre o tour. Foi o pior que já fizemos na vida!!! Pegamos o tour de 2 dias e 1 noite, justamente com uma das piores agências que existem: a APT Travel. No ônibus estava escrito Joy Tour e o Viagem Afora já havia avisado que essa era a pior empresa do mundo, inclusive já rolou naufrágio lá…rs… mas sobrevivemos! Pagamos $40 que foram praticamente jogados no lixo. A culpa não foi inteiramente nossa, quem indicou foi um amigo israelense, ele disse que tinha sido incrível, mas… almoço ruim, tour ruim, várias paradas do ônibus no caminho em loja de souvenir, barco superlotado e caindo aos pedaços, guias que não estavam nem aí para você, não nadamos, não mergulhamos. Sério, jogaram a gente num hotel cheio de puteiro do lado. Sorte mesmo que conhecemos pessoas muito queridas no tour, o Tommaso – um italiano super gente boa – o Jack – um russo muito engraçado – e a Cristiana – uma vózinha suíça muito, mas muito fofa!!! Ela disse que agora que se aposentou vai começar a viajar! Uma coisa muito engraçada é que estávamos no ônibus e ela comentou comigo:
– Nossa, a coisa que mais fiquei chocada aqui em Hanoi são os cabos elétricos. Você viu que zona? Tudo passando pelo ar! Que perigo!
Ao que respondi meio envergonhada:
– Poxa… nem tinha reparado! Em São Paulo é igual!

Cristiana e seu super binóculos

Lendo agora tudo o que aconteceu é até engraçado, mas eu fiquei de muito mau humor no dia. Daí quando voltamos para Hanoi o Rô sugeriu para jantarmos no Quan An Ngon que ele já sabia que era o lugar que eu mais tinha gostado de jantar na cidade. Saí de lá com o humor tão bom, que parecia até que o tour não tinha sido tão mal…rs… sério esse lugar é incrível, uma das comidas mais deliciosa do Vietnã!!! Qualquer coisa que você pedir vai ser boa. Gastamos $5 cada um no jantar (que para os padrões do Vietnã foi um super luxo) mas saímos de lá felizes como nunca. Para completar achamos o guia original da China do Lonely Planet numa lojinha de esquina quando voltávamos para “casa”. Vocês não tem idéia de como rodamos a cidade atrás de um livro original, fomos em quase todas as livrarias grandes de Hanoi e eles só tinham os fakes. E essa tiazinha da livraria ainda não queria que a gente levasse o original. Ela disse:
– Não, o original é muito caro! Comprem a cópia que é mais barata…
– Mas nós queremos o original!
– Tá bom… eu comprei o original para fazer as cópias – respondeu ela com um sorrisinho inocente no rosto.

Dicas:
Acho que já ficou bem claro, né? Não vão com a APT Travel ou com a Joy Tour, se você comprar no hotel pergunte antes qual é a agência. As vezes o barato sai caro, vale a pena pagar um pouco mais caro e ter um dia excelente por Halong Bay. Ouvi falar que o tour comprado no Hanoi Backpackers é carinho mas muito bom. O Lonely Planet recomenda a Handspan e a Ocean Tours.

A forma mais prática de ir até Halong Bay é comprar um tour de Hanoi. Halong Bay fica a cerca de 3h de distância de ônibus. Não compre o seu tour antecipado, deixe para comprar em Hanoi onde há mil opções e é mais barato. Uma forma mais independente de viajar sem tour é ir até Halong City ou Cat Ba Island e arranjar seu esquema lá.

Dicas dadas e agora, por favor, façam um tour bem bonito por nós! 😉

Hue: na Cidade Imperial

Ngo Mon Gate

Há muito tempo atrás, quando o Vietnã nem sonhava com a Guerra entre o Sul e o Norte, Hue cumpria o seu papel de capital do Império. Sob o comando de 13 imperadores da dinastia Nguyen, muitos anos se passaram – de 1802 a 1905 – até que o Imperador Bao Dai abdicasse do trono em favor dos interesses revolucionários de Ho Chi Minh.

A Cidade Imperial, rodeada por um muro à beira do Perfume River teve seus dias de ouro quando Hue ainda era a capital política. Após sofrer bombardeios em diversos momentos da História, a Cidade segue por um belo caminho de restauração.

Enquanto pode-se caminhar livremente dentro dos muros da Cidade Imperial, paga-se 80.000 dongs para cruzar os muros da Imperial Enclosure, e é bom chegar cedo, não pelos turistas… mas pelo calor, que pelo menos em abril chega a bater 40graus em Hue. Com certeza lembrarei da temperatura “agradável” junto aos lindos templos e palácios que vimos quando me recordar da cidade, rs…

Quando você entra no Thai Hoa Palace, pode assistir alguns vídeos explicativos sobre o complexo. Fora isso, as construções possuem pequenas placas suncitas em inglês indicando suas antigas funções. Também é possível comprar água e snacks lá dentro pelos costumeiros preços extorsivos.

Cenas de um dia de sol conhecendo o que restou da dinastia Nguyen.

Thai Hoa Palace

Num calor de 40° leque não é charme: é necessidade! 😉

Depois demos a sorte de estar na cidade justamente no dia 30 de abril, feriado no país comemorando a rendição de Saigon durante a Guerra do Vietnã. Todas as atrações da cidade eram de graça, e como já havíamos visitado a Cidade Imperial, resolvemos visitar as Tumbas dos Imperadores. São 6 tumbas espalhadas às margens do Perfume River, você pode ir de bike (se estiver bem disposto), de barco, de taxi e de moto. Nós fomos de moto. Pegamos dois tiozinhos sem dentes com um inglês zero e fomos dar um role com eles pelas atrações gratuitas da cidade, pagamos $9 cada um. Bem no final eles nos levaram em duas tumbas, num bunker americano da época da Guerra e no Thien Mu Pagoda. Em dias normais paga-se 80.000 dongs ($4) para entrar em cada Tumba, é bem carinho, mas você pode visitar as três principais: Tu Duc, Minh Mang e Khai Dinh. Putz… sei que fomos na Tu Duc, mas esqueci o nome da outra!!! =(

Tomb of Tu Duc
E Thien Mu Pagoda. Super símbolo da cidade. Dá para ir de bike bem tranquilo.
Atrás do Thien Mu Pagoda tem um Templo e uns jardins bem bonitos.
Sei que umas 4h depois fazendo esse role, com um calor de 40° nós só queríamos voltar para o ar-condicionado do hotel. Agora sobre a cidade… Hue é uma cidade bem normal do meu ponto de vista, vale só pela Cidade Imperial. As tumbas, sinceramente, são bem bonitas, mas você não precisa passar horas em cada uma delas. Pelo preço e pelo que as tumbas oferecem, fico até meio na dúvida se elas valem muito a pena. Mas sacanagem falar isso, tenho que levar em consideração que estava muito quente e que o calor pode ter deturpado as minhas impressões…rs…

Sobre Hue
A cidade é basicamente dividida ao meio pelo belo Perfume River.
De um lado a cidade Imperial, do outro a Cidade Normal…rs… Com 335.000 habitantes não espere uma cidade com climinha de interior como Hoi An, Hue tem trânsito, prédios, buzinas o tempo todo e poucos lugares na cidade para se descansar em paz. É… não foi dessa vez Hue.

Dicas:
Foi bem difícil achar um lugar barato e bom para comer, mas por fim descobrimos o Phuong Nam Café e fomos lá nos últimos dias. É um restaurante bem pé sujo, mas a comida é excelente e muito barata!

Nos hospedamos no Binh Duong Hotel 1, num beco bem interessante cheio de outros hotéis e restaurantes. O hotel era bom pelo preço ($10 o quarto para casal) e os funcionários amigáveis, apesar de insistentes desde o primeiro dia para alugarmos motos e comprarmos passagens com eles. Dá para ir a pé até a Cidade Imperial, mas eu recomendo ir de bike por ser menos cansativo. Se eu voltasse para Hue me hospedaria na rua Pham Ngu Lao que apesar de ser mais agitadinha tinha ótimas opções de cafés e restaurantes.

Foram 3h de viagem de Hoi An até Hue e a passagem de ônibus custou $5.

Um passeio muito popular desde Hue é até a DMZ (Zona Desmilitarizada). A DMZ fica exatamente no centro do Vietnã e dividiu o país entre Norte e Sul na época da Guerra. Você visita vários pontos que tiveram papéis importantes durante a Guerra como os túneis dos vietcongs, por exemplo. Pulamos essa.

Hoi An: Paixão à primeira vista


Algumas cidades despertam alguma coisa em mim que eu realmente não sei explicar. Vai muito além das palavras, posso tentar dizer que cada passo na cidade é um prazer. Até então eu só sentia isso pelo Rio de Janeiro e por Olinda, mas uma pequena cidade na costa do Vietnã acaba de entrar para a seleta lista.
Eu estou apaixonada por Hoi An. A cada esquina virada, a cada café iluminado, cada lanterna acesa, eu sentia uma pontada no meu coração. Hoi An também me deixou triste assim que cheguei, porque eu já sabia que um dia teria que partir. E diferente do Rio e Olinda, Hoi An está a muitas milhas de casa.
Hoi An é o simples prazer de se estar numa cidade, sem esperar absolutamente nada, sem ter nada programado em vista. As casinhas amarelas com suas lanternas acesas à noite, o rio com seus barcos graciosos, os mais charmosos cafés e restaurantes que eu já vi, sua ruelas estreitas, suas bicicletas. Se eu escrevo como se estivesse apaixonada é porque realmente estou.
Hoi An também é famosa por suas costureiras e estilistas. Eles fazem qualquer peça que você quiser sob medida, sério, qualquer coisa que você imaginar, e isso em 24h. Acabei fazendo um shortinhos por $10 e o Rô uma jaqueta super estilosa por $36, mas vale barganhar! Não tenho um lugar para recomendar, quando chegar lá você vai ver literalmente uma loja do lado da outra com as costureiras te puxando. Eu pensei: “Meu Deus, vou gastar todo dinheiro aqui em roupas e comida!”.
Falando em comida… se eu tivesse que fazer a versão do Comer, Amar e Rezar, escolheria Hoi An para por meus pratos na mesa. A cidade tem sabores únicos e inesquecíveis, como o fried wonton e o lao cao! Mas esses vão ficar para a seção Comidinhas do Vietnã. Um dos nossos lugares preferidos para tomar café e desenhar era o Cargo Club. Depois dos bolos da minha tia Tomi, são os melhores bolos que já comi na vida!

Assim como as roupas, parece que tudo na cidade está feito sob medida para os turistas, mas quem se importa? Hoi An pode ser o que quiser.
Alguns lugares na cidade só podem ser acessados se você comprar um ticket por 90.000 dongs, mas nós pulamos isso e ficamos com o resto da cidade. Noite dessas estávamos andando pelas ruas quando ouvimos uma música. Um homem tocava piano dentro de uma casa e uma roda de crianças cantava algo em vietnamita. Eu e o Rô sentamos lá na esquina, escutando aquela música, vendo as pessoas passando na rua…Senti uma energia muito boa.

Um dos muito templos em estilo chinês pela cidade.

Quando o calor apertava tínhamos duas opções: piscina do hotel ou praia! No segundo dia pegamos umas bicicletas ($1 o aluguel) e Rômolo, Lior – um israelense que conhecemos – e eu fomos pedalando até An Bang beach por 2,5km. Prepare-se para ser abordado pelos vendedores ambulantes de 5 em 5 minutos… e compense a encheção de saco mergulhando nas águas frias do Mar do Sul da China. Também é possível pedalar cerca de 5km até Cua Dai Beach.
É lindo! Hoi An foi passar os dias sonhando.

As famosas lanternas de Hoi An.

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Dicas: Na hora de comprar roupas você não deve deixar mais que 50% do valor do produto como depósito. Normalmente eles entregam em 24h. Depois disso você volta para fazer os últimos ajustes ou para pagar o restante! 😉

Onde ficamos: Thien Trung Hotel
Era um quarto ok, meio escuro, o wifi só funcionava na recepção. Pagamos $10 por um quarto com ventilador, com ar-condicionado era $12. O bom é que tinha piscina, mas parece que muitos outros hotéis em Hoi An também tem essa facilidade. A mulher que nos recepcionou era muito fofa, mas se você clicar no link no nome do hotel também poderá ver as críticas no Trip Advisor. A localização era ótima, apenas alguns minutos de caminhada até o centrinho. Nessa mesma rua você pode encontrar outras opções.

Dalat e Nha Trang

Campos do Jordão está para São Paulo, assim como Gramado está para o Brasil, assim como Dalat está para o Vietnã. A Cidade de Inverno, A Cidade das Flores, a Cidade da Eterna Primavera, a Pequena Paris. Com direito à Torre Eiffel.
É o que eu digo, para que viajar para Paris? Você tem o Arco do Triunfo em Vientiane, baguetes maravilhosas em Luang Prabang, a Catedral de Notre Dame em Saigon e agora a Torre Eiffel em Dalat. E tudo por um quinto do preço do original. 😉

Chegamos em Dalat depois de 4horas de viagem desde Ho Chi Minh, fomos largados na rua às 6h da manhã, todos os hotéis fechados, fizemos nossa cama na rua no melhor estilo mendigo-chic. Quando andávamos na cidade no primeiro dia, sol quente, eu de shorts, Rômolo de bermuda, pensa na cena: Todo mundo na cidade andando com touquinha de frio, luvas, casacos com pelinhos, botinhas. Todas as lojas vendendo moletons, meias, protetores de orelha (!), luvas. Eu falei: “Esses caras só podem estar brincando né? Acho que eles querem pensar que faz frio aqui…” Ao cair da noite eu já calava a minha boca e já cogitávamos a aquisição de casacos para as nossas mochilas. Tomávamos um café e saía fumaça da nossa boca. Aliás, finalmente eu tomei sopa no frio! Durante a viagem eu estava evitando, porque 40graus e sopa não ornam para mim. E o Rômolo lá, suando! Em Dalat tudo começou a fazer sentido.

Dalat é o destino de inverno para muitos vietnamitas… Ou pelo menos o que eles consideram ser inverno. Tá, não faz calor à noite, mas faz um frio de inverno de São Paulo, vamos dizer, precisa de protetor de orelha? Mesmo assim gosto de ver o empenho das pessoas na rua do que deve ser a única oportunidade delas poderem vestir roupas de frio… hehehe…

A cidade é uma graça, diferente de qualquer outro lugar que pode ser encontrado no Vietnã. As ruas são ladeiras. Ladeiras! Desde o Brasil eu não via ladeiras. Sei que isso pode parecer normal, mas ladeiras e igrejas ainda são atração depois de uma overdose de templos e ruas planas.
Muitas casinhas são naquele estilo que você encontra em Campos do Jordão e Gramado, estilo triangularzinho, a cidade faz jus ao apelido de Cidade das Flores e não economiza na hora de enfeitar as ruas.
Além de muitos jardins espalhados pela cidade, há também um lago artificial com pedalinhos em formato de cisne por $3 a hora. Ah, esqueci de dizer, Dalat também é considerada uma cidade romântica e destino para muitos casais vietnamitas em lua de mel. Nesse meio tempo em que estivemos lá vimos pouquíssimos turistas ocidentais.

Há uma rua cheia de cafés confortáveis na rua Le Dai Hanh, e para falar a verdade nós fomos para Dalat para descansar de Ho Chi Minh, passamos 3 dias só de bobeira, comendo bolinhos, tomando café, curtindo a garoa e lembrando como não era tão ruim passar frio! Minha indicação para um café na beira da lagoa: Blue Water Restaurant. Não é na pegada de preços para mochileiros, mas a vista do lago é revigorante.

Visitamos também a Crazy House (35.000 dongs a entrada) que é uma espécie de casa com arquitetura de Alice no País das Maravilhas. Vale a pena ir se não tiver mais nada para fazer na cidade, é curiosinha, vamos dizer.
Dalat também é ponto estratégico para fazer passeios a partir da cidade e dizem que os trekkings lá são incríveis. Mas com a garoinha ficamos pela cidade mesmo. Uma coisa bem legal é que aos sábados e domingos eles fecham as ruas para os carros das 19h às 22h, na parte do centro. Então você vê as pessoas invadindo as ruas, meninada brincando de skate, jogando peteca, corrida de carrinhos de controle remoto, algo que toda cidade decente deveria ter.

E da geladeira saltamos direto para o fogão. De Dalat fizemos uma viagem de 5h até Nha Trang com o objetivo de pegar um trem no mesmo dia para Danang e seguir depois de ônibus para Hoi An. Complicado. A estrada é maravilhosa, a mais linda que já passamos, montanhas, rios e plantações. Se fizer essa rota vale a pena ir durante o dia. O ônibus, ao chegar em Nha Trang, passou pela praia, que outra decisão poderíamos ter tomado?
Enquanto passávamos pela beira-mar o Ro começou: “Poxa… a praia é tão bonita… olha que dia lindo… talvez a gente pudesse dormir aqui…” eu disse: “Ro, não precisa tentar me convencer, já estou totalmente convencida!” Se fomos para Dalat com a desculpa de descansar de Ho Chi Minh, a desculpa da vez era descansar de Dalat.

Não me perguntem as atrações da cidade, ficamos dois dias ali estirados na areia, os coqueiros fazem sombras que impressionariam qualquer pessoa.
A noite fomos na feirinha noturna que é uma graça. Nha Trang é mega turístico, tem tanto russo lá que chegamos a ver cardápios escritos em vietnamita e russo. E em inglês?

No último dia em Nha Trang resolvemos nos dar um pouco de luxo e por $4 alugamos duas espreguiçadeiras na Louisianne Brewhouse. Alugando a espreguiçadeira você podia usar também a piscina, mas precisa de piscina? O Mar do Sul da China é geladinho, diferente do mar do Golfo da Tailândia, refrescante!
Mas perai, vocês estão achando que estamos muito chiques para sermos mochileiros, né? O restaurante era super caro. Para economizar fomos obrigados a almoçar lagosta por $5 dos vendedores ambulantes da praia.
Trabalho duro!

De pacotão pelo Mekong

Bem, eu e o Rô definitivamente não somos adeptos de tours pagos, mas dessa vez não teve jeito. Estávamos em Saigon e a forma mais prática de se visitar a famosa região do Delta do Mekong era através de um pacote. Pagamos $18 pelo tour de dois dias com a Agência Tuan Travel. Sei lá por que achamos que talvez déssemos sorte e o tour não fosse como todos os outros. Bem, não demos, lá estávamos nós navegando pelo Mekong e fazendo parada de 15minutos num lugar para ver os locais fazendo quadros com casca de concha, depois 20min para turista bater foto segurando colméia e enrolando uma cobra no pescoço… Depois eu estava dando uma olhada no folder da agência e em um dos pacotes que eles oferecem estava escrito: “Você poderá dizer “Hello” para os locais!” Ai. Dói.

Enfim… se nem tudo foi como esperávamos não deixamos de ter nossos bons momentos nesse meio tempo. Conto aqui para vocês como foram nossos dois dias de oficialmente turistas, com direito a adesivinho da agência colada na camiseta!

Pegamos o ônibus às 8h30 da manhã em Saigon e depois de duas horas de viagem chegamos a My Tho, uma das cidades na beira do Mekong. De lá pegamos um barco e fizemos diversas paradas rápidas e turísticas, como as que já citei no começo do post. O cúmulo do constrangimento foi assistir a uma “apresentação” de música dos locais enquanto provávamos umas frutas. Super desanimado. Pelo menos as frutas estavam boas.

Não vou negar que as paisagens ao longo do Mekong são encantadoras, tirando essas paradas fakes que fazemos no caminho. É muito lindo isso, ver de perto toda as vilas que brotam nas margens do Mekong e como a vida de todas as pessoas gira em torno dele.
Bem, a parte mais legal do dia foi andar nos barquinhos pelos canais estreitos do rio, cheio de vegetação em volta. Só que isso foi muito rápido, nem deu tempo de entrar no clima. Quer dizer, o que deveria ter sido o ápice do dia não durou nem 15 minutos.
Durante o dia conhecemos um casal muito gente boa: o Lawrence nasceu no Brasil e foi para Londres com 11 meses de vida, mas a mãe dele era de Portugal, portanto ele falava português super bem. O Lawrence é casado com a Diana, uma colombiana, então passamos o dia inteiro do tour com eles, o que salvou um pouco o nosso dia.

Mas o que salvou nosso dia definitivamente, foi quando – continuando o tour – pegamos o ônibus para passar a noite em Can Tho. Valeu a pena só por passar a noite na cidade que tem uma graça de beira-rio (eu e as beira-rios né…rs…). Bem, essa noite eu e o Rômolo decidimos que íamos comemorar nosso aniversário de 3 anos de namoro e comer num restaurante bacana. Queríamos algo bem na beira do rio e logo avistamos um restaurante que parecia um barco. “Nossa, eles tem até colete salva-vidas para tornar a experiência mais real!” eu pensei.
Sei que no fim da noite lá estávamos nós no meio do rio jantando e tomando cerveja, com direito a apresentação de mágico e cantores…rs… O restaurante era de fato um barco, e quem quisesse ir embora antes dele ancorar de novo tinha que pegar um mini barco para voltar para o porto. Só haviam locais comendo lá, eu e o Rô viramos atração, para variar, o povo perguntando de onde nós éramos, as tiazinhas mexendo nos dreads do Rômolo…rs… Se o barco estiver ancorado, não perca a oportunidade de jantar nele. Não é tão caro, gastamos uns $25 no total comendo muitos frutos do mar e tomando muita cerveja. O barco-restaurante se chama Nhà Hàng Du Thuyên, acho que ele parte do porto às 19h e volta às 22h.

No dia seguinte acordamos às 6 da manhã, tomamos o café da manhã e fomos para o que considero o ponto alto do nosso tour: o Mercado Flutuante de Cai Rang.
Centenas de barcos carregados de frutas e legumes, é lá que muitos locais vão para fazer compras – de barco, claro.
Não espere nada turístico, barcos vendendo souvenirs ou coisas do tipo, os barcos estão lá para os locais, não para os turistas. Alguns barcos se aproximaram para vender água e frutas, eles amarravam os barcos no nosso e você podia até pular para o outro barco para comprar.

Vai um abacaxi aí?

Depois disso nada demais… voltamos para nosso hotel e tínhamos 1h livre para almoçar. Eu e o Rô fomos num restaurante ali do lado com uma espanhola e um italiano que conhecemos, o cardápio parecia a Arca de Noé: Cobra, rato, sapo… Eu fui de cobra, o italiano foi de rato.
Cobra tem gosto de que? Não sei explicar, tinha muito curry no meu prato. Mas você tem que mastigar bastante. Se não me engano era uma cobra d’água, porque vi um aquário lá no restaurante cheio de cobras vivas. Com certeza eu repetiria! Já o rato… experimentei um pedacinho e fiquei com nojinho… quem sabe na próxima!

É, fazendo o balanço final o tour não foi de todo mal, incorpore um jantar num barco e uma cobra no almoço, e pronto: você tem uma bela justificativa para visitar o Delta do Mekong de pacotão!
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Dicas:
Brincadeiras à parte, se eu pudesse fazer de novo faria a trip por conta própria, iria até Can Tho e descolaria um barco lá, custa mais ou menos $5 a hora do barco. 😉