O monge tatuado

Segue aqui um dos posts mais esperados… um dia tatuando com o monge tatuado.

Bem, para começo de conversa… o caminho para se chegar até o monge, o Ton, já é por si só uma aventura. Tem que querer muito tatuar e também contar com um pouco de sorte. Rômolo, Jonathan e eu pegamos uma van até uma cidade há 40min distante de Chaing Mai chamada Sunpatong. O Rômolo já havia tatuado. Pedimos para a motorista nos deixar num posto policial que há na cidade. Quando entramos lá, ninguém falava inglês. Apontei para o policial o endereço em que eu queria chegar (estava escrito em tailandês) e mostrei o telefone do monge (que também não fala inglês). Fiz uns sinais para dar a entender que eu queria ligar para o monge e o policial acabou telefonando. Felizmente ele conseguiu falar com o Ton, porque algumas vezes havíamos tentado ligar antes e ninguém havia atendido. Então o policial fez uns gestos indicando que o monge nos buscaria e que poderíamos ficar ali esperando. Como todo bom posto policial de filme, eles tinham donuts! Nos ofereceram os doces e umas melancias enquanto aguardávamos o Ton… 1h, 2h… Muay Thai rolando solto na TV. O policial pediu de novo o telefone do monge, ligou pra ele, e sei lá porque no momento seguinte estávamos dentro de um carro de polícia, com um policial que não falava inglês mas que estava nos levando para o templo Tung Keang no vilarejo Tung Satok. Inclusive o próprio policial não sabia como chegar lá, parou num templo antes que não era o que procurávamos, falou no rádio, até que finalmente encontramos o templo. Gente… muito longe mesmo, por um caminho de terra… difícil chegar a pé. Como íamos voltar? Não fazíamos idéia, mas pelo menos estávamos lá.

O monge estava meditando. Ele estava num pequeno templo, todo amontoado com coisas, com umas fotos dele tatuando pessoas, várias estátuas budistas, é uma pira! O monge é todo tatuado e fumou pelo menos uns dois cigarros enquanto estávamos lá.

A princípio, apenas eu ia tatuar, mas quando o monge perguntou (por gestos) quem ia tatuar, o Jonathan surpreendentemente disse que também ia. O monge nos deu um livro cheio de desenhos. Não entendemos nada, não sabíamos o que era aquele livro, se ele queria que a gente escolhesse ou o que quer que seja, já que estava tudo escrito em tailandês. De repente o monge aparece com um ipad e uma voz de mulher falando em inglês… Que surreal! Ela perguntou se tínhamos alguma dúvida e disse que o monge tinha escolhido para nós um gao yord, uma tatuagem sagrada que traz sorte a quem a carrega. Geralmente é tatuada na nuca. Não achei explicações em português, mas esse site dá uma boa idéia do que é o gao yord.

A tatuagem é feita com bambu, e supostamente dói menos que a maquininha, mas como foi minha primeira tatuagem não tenho parâmetros para comparar. Sentei-me no chão diante do monge. Respirei fundo. O monge tem um “assistente” cujo trabalho é basicamente esticar a pele da pessoa, e Jonathan também foi chamado para completar a tarefa. Primeiro senti ele riscando as minhas costas. Depois pedriam para eu cruzar os braços e assim iniciou-se a sessão.
Definitivamente não é uma dor insuportável, dá para aguentar mas incomoda, claro. Enquanto ele tatuava, ia sussurrando alguma espécie de mantra, isso me deixou mais calma e eu tentei meditar para reduzir à dor ao mínimo. O Jonathan que esticava minha pele, disse que sentia como se ela estivesse sendo costurada.
Durante o tempo todo não falei nenhuma palavra, nem me movi. Estava totalmente concentrada. Em alguns momentos, com a meditação, a dor diminuía. Foi tudo muito rápido, cerca de 25 minutos e não sangrou praticamente nada. Vale lembrar que o monge não cobra valor algum, antes de ir embora você recebe um envelope e coloca a quantia que desejar. O valor é doado ao templo.

Depois que tudo terminou, uma sensação muito, mas muito boa mesmo me invadiu. Sentei-me no tapete diante das imagens de Buda e fiquei ali tentando entender o que se passava dentro de mim. Um turbilhão de emoções que até agora não sei explicar. Eu só estava muito feliz por estar viva.
Enquanto isso Jonathan tatuava. Depois que ele terminou, o monge fez um ritual, colocou uma máscara em nós enquanto falava algumas palavras e recebemos uma medalhinha.
Depois disso nos meteram em uma caminhonete e nos deixaram de novo no posto policial. Pegamos uma van até Chiang Mai e eu estava – e ainda estou – me sentindo totalmente diferente depois dessa experiência. Sempre fui uma pessoa cética em muitos aspectos, mas aconteceu uma coisa durante essa viagem que me levou a fazer a tatuagem, motivos pessoais. Tem alguns significados muito especiais para mim e um deles é me lembrar de uma atitude que quero levar para o resto da minha vida: não ter medo.

Anúncios

Chiang Mai: De olhos bem fechados

Continuando nossa saga zen, fomos fazer um mini retiro num centro de meditação. Foi minha primeira experiência e foi um tanto bizarro. Vou explicar como funciona. Descobrimos pelo Lonely Planet um templo chamado Wat Suan Dok. Eles oferecem um “workshop” de meditação com duração de 24h – começa na tarde da terça – e outro de 4 dias – na última semana do mês. É possível fazer uma reserva por e-mail ou por telefone, mas nós resolvemos ir lá pessoalmente um dia antes. Paga-se 500 bahts pelo curso de 2 dias e 1000 bahts pelo curso de 4 dias, você dorme no Centro e todas as refeições estão inclusas. Vou abrir um parênteses aqui para explicar essa questão dos valores. Até o ano passado não se pagava para fazer esse workshop pois o o templo era apoiado pelo governo. Esse ano, exclusivamente, o governo não deu suporte, então passaram a cobrar esses valores para que o curso pudesse continuar.

Tente reservar sua vaga com antecedência, apesar de que o Marcos não tinha reservado, chegou no dia e conseguiu fazer também. Nesse link você pode encontrar mais informações. É preciso usar roupas brancas, sem transparência e largas. Se você não tiver roupas brancas, pode comprar lá na hora uma calça e uma camiseta por 300bahts. Preços extorsivos para um templo, mas os monges precisam viver não é mesmo? Agora, o que eu recomendaria é ir em qualquer feirinha um dia antes e comprar roupas por preços mais módicos. No fim, a roupa do templo foi um ótimo souvenir e certamente servirá de pijama em muitas ocasiões, haha!

Deixamos nossas mochilas no hostel e levamos apenas uma mochilinha com itens de higiene, escova de dentes, toalha e papel higiênico. Não esqueça do papel higiênico, porque lá não tem. Também deixei de lado a máquina fotográfica e quando chegamos lá descobrimos que eles mesmos tiram as fotos e põem no site.

Bem, você chega no Wat Suan Dok na terça às 13h, faz todos os trâmites, preenche formulário, paga, etc… Daí fomos para uma sala onde nosso “mestre” ia fazer uma pequena introdução ao Budismo. Surpresa: era um cara de 24 anos, gatinho e super engraçado! Me senti num stand-up comedy budista enquanto ele falava. Detalhe que no meio da palestra, o celular dele tocou com aqueles pops americanos, todo mundo morreu de rir. Coisas que você realmente não espera de um monge. Só sei que ele foi super bacana e depois da palestra pegamos uma van e fomos para o Centro de Meditação.

Chegando lá, era um lugar muito bonito, cheio de natureza, calmo, tranquilo… Nos dividimos em dupla e eu fiquei no mesmo quarto que a Kelly. Para nossa surpresa o quarto era muito bom, até bem melhor que o hostel que ficamos em Chiang Mai, cobertor, chuveiro com água quente, espaçoso… os monges sabem mesmo o que é bom! 😉 Vestimos nossas roupas brancas e as cenas seguintes foram muito bizarras… Imagina umas 30 pessoas, um lugar bonito, todos vestidos de branco, andando em silêncio. Parecia coisa do filme do Chico Xavier. Ou ainda que estávamos num hospital todos doentes, ou que estávamos numa clínica de recuperação para ex-viciados. Tenso.
Daí começamos o nosso treinamento… Fomos proibidos de conversar enquanto estivéssemos lá, ao estilo Comer, Amar e Rezar. Mas muita gente não respeitou isso, você passava na frente dos quartos e ouvia umas meninas dando gargalhadas. Inclusive para mim foi difícil porque estávamos com amigos lá, eu tentei, mas as pessoas conversavam comigo e não tinha como não responder. Acho que se eu voltasse lá iria sem conhecer ninguém, para tentar ficar em silêncio mesmo e me concentrar nos meus pensamentos.

Durante esse tempo aprendemos alguns cantos, aprendemos sobre budismo, aprendemos a meditar sentado, em pé e deitado… Claro que deitado é o melhor que tem. Quando o monge nos ensinou essa modalidade, muita gente caiu no sono. Eu estava lá, super concentrada, maior silêncio, quando escuto um puta ronco do meu lado… Quando olhei era uma amiga minha! Ai meu Buda, o que faço? Acordo ou não acordo? Só que o ronco estava muito nítido, todo mundo estava escutando porque o silêncio era pleno, resolvi dar uma chacoalhada nela. Ela acordou assustadíssima e aí ferrou de vez, tive um ataque de riso e tive que me controlar para não gargalhar no meio de todo mundo meditando. Aí já desencanei de terminar essa meditação. Depois fomos jantar e a comida era vegetariana e bem boa… Os monges não podem comer depois do meio dia, mas como somos iniciantes, não só jantamos como pudemos repetir os pratos. Cafézinho, achocolatado, chá e água à disposição o tempo todo, garanto que fome ninguém vai passar.

9h30 da noite: Hora de dormir. Mas como se é tão cedo? Simples, usei a meditação deitada, não deu 15 minutos capotei. Finalmente aprendi algo para me ajudar a dormir mais rápido.

5h00 da manhã: Soa o gongo. Se você não acorda com o gongo geral, eles vão até a sua porta e ficam batendo o gongo até você acender a luz. Terrível! Foi o que aconteceu com a gente…rs… Fomos à sala de meditação, fizemos os cantos, praticamos yoga e fomos comer o café da manhã. Antes de cada meditação tínhamos que repetir juntos algo como:

Nós precisamos contemplar antes de comer a comida
Então ela não será comida pela beleza
Então ela não será comida por prazer ou diversão”
etc…

Não sei se vocês sabem, mas quando o assunto é comida, o Budismo diz: “Coma para viver, não viva para comer”. A comida é apenas para manter o corpo funcionando e ponto, não importa se é boa ou não, só tem que cumprir o seu papel. Nada de comer por gula, apenas o mínimo necessário. O problema é que a comida lá era bem boa, não tinha como deixar de repetir, eu tentei, mas vocês sabem né… o estômago fala mais alto que o coração sempre as vezes.

Assim seguimos o dia meditando, à tarde todos se sentaram juntos e cada um relatou sua experiência ao meditar.

Algumas pessoas se sentiram calmas, outras perturbadas, e aqui relato a minha experiência. Achei muito, muito, mas muito difícil mesmo meditar sentada. Minha cabeça ficava pulando de um pensamento para outro, tive muita dificuldade em tentar me concentrar e ficar na mesma posição (embora mudar de posição seja permitido). Para mim chegou a ser claustrofóbico ficar fechada dentro da minha mente, parada, e de olhos fechados. Tive muita dor de cabeça. Na meditação em pé não consegui me concetrar de jeito nenhum, preciso praticar mais essa. E na meditação deitada eu quase dormia e essa não era a intenção quando fazíamos durante o dia. Acho que vou conseguir atingir um estado de tranquilidade maior quanto mais eu praticar, mas no começo é bem difícil mesmo.

Bom, 15h da quarta-feira, a van nos pegou para nos levar de volta aos nossos respectivos hotéis. Qual era o assunto da van? As experiências que cada um teve? A dificuldade em manter silêncio? Nada disso! Era o monge gatinho! A mulherada falando que era impossível se concentrar com um monge com aqueles músculos bem definidos haha…

Depois disso ainda apliquei a meditação para dormir em algumas ocasiões e principalmente para diminuir a dor quando fiz minha primeira tatuagem na Tailândia, mas isso já são outras histórias… Aguardem o próximo post! =)

Chiang Mai: O dia que dirigimos na mão inglesa

Antes de mais nada, uma curiosidade. Aqui na Tailândia, os templos são conhecidos como Wats (se pronuncia Vat). Dia desses eu, Rô e Kelly, na livraria, achamos um livro que se chamava “What´s what in a Wat”. Um trocadilho bem bobo que nos proporcionou horas de diversão repetindo essa frase. Traduzido seria: “O que há em um Wat”. Feita essas considerações, prossigamos.

Antes de ir para Chiang Mai, contatei uma tailandesa, a Aimee, pelo Couch Surfing para sairmos para jantar na sexta. Ela respondeu que estava com um amigo brasileiro e que podíamos nos juntar a eles. Acabou que conhecemos o Gustavo e ficamos mais amigos dele do que dela. O Gus é carioca, há uns 8 meses com o pé na estrada e foi empatia à primeira vista. Sei que estava todo mundo bêbado noite dessas e resolvemos que íamos alugar umas scooters no dia seguinte para ir em uns templos nas montanhas (mesmo metade de nós nunca ter dirigido uma scooter na vida). Estávamos Rô, Gustavo, Kelly, Jonathan e Stijn (acreditem, a pronúncia é mais fácil do que a escrita) um holandês que conhecemos em Chiang Mai. Daí que começamos a pirar que éramos uma gangue e que tínhamos que criar um nome, tipo “Hell´s Angel” e como íamos visitar uns Wats… pegou o nome da gangue: What´s what in a Wat, com direito à sinal de mão.
Pois bem. Dia seguinte fomos todos pimpões alugar as scooters. Algumas lojas não deixaram porque não tínhamos experiência, óbvio, mas depois de uma procura que não durou muito finalmente achamos um lugar. A dona era bem gente boa e deixou cada um de nós testar as scooters dando uma volta no quarteirão. Desastre total. A Kelly caiu (de leve), eu travei quando cheguei na avenida principal, enfim.. O Stjn deu a idéia de alugarmos um jipe, 800 bahts por 24h. Escolhemos um jipe incrível no cartaz da parede, novinho, moderno… e a dona da loja aparece 15 minutos depois dirigindo isso:
Bem mais carismático, não acham? O carro estava caindo aos pedaços, mas todos morreram de amores por ele na hora. Gustavo sabia onde ficavam os templos, foi de moto na frente e nossa gangue foi seguindo no jipe atrás. Os meninos nunca tinham dirigido com mão inglesa, mas parece que não é difícil. Difícil é dirigir num trânsito tailandês. Então Stjin, que mora em Amsterdam e não tem um trânsito muito diferente do de Chiang Mai, começou dirigindo e depois os meninos se revezaram no volante.

Para as montanhas, baby!

Wat Phra That Doi Suthep
Mais conhecido como Doi Suthep, esse templo fica numa montanha de mesmo nome. Pela estrada de curvas sinuosas, dirige-se cerca de 15km a partir de Chiang Mai. Para entrar no templo é preciso subir uma escada com 309 degraus. Para os mais preguiçosos, ouvi falar de um bondinho ao preço de 30 bahts, mas não prestei atenção se havia mesmo isso lá. enfrentamos as escadas.
Antes de subir as escadas há várias barraquinhas (claro) vendendo aqueles souvenirs de sempre… e comidinhas. Compramos um docinho misterioso de uma senhorinha cega… aliás, a senhorinha não só era cega como também não falava inglês, então imagina a cena da gente tentando comprar dela. Muito fofa!
O docinho era feito dentro de um bambu e você tinha que descascá-lo… Dentro tinha sticky rice com aqueles feijõezinhos japoneses.
O templo é bastante usado pelos locais, apesar de vermos alguns turistas lá… Mas os tailandeses realmente vão lá para rezar, fazer oferendas e ser benzidos pelos monges.
Muito bonito mesmo. Quando entro em um templo, sinto uma atmosfera muito mais leve do que quando entro em uma Igreja Católica e sinto uma atmosfera um pouco mais triste. Os templos são alegres, coloridos, com espaços abertos, brilhantes… e isso me dá uma sensação melhor do que sentar no banco de uma Igreja fechada com imagens de sofrimento ao meu redor. Não estou discutindo ou criticando nenhuma religião, até porque me considero agnóstica, só estou descrevendo como me sinto dentro de um templo, e essa sensação é de paz e contemplação. Me sinto realmente em um lugar sagrado.
Depois disso pegamos a estrada de volta e fomos para um outro templo que o Gustavo queria nos levar. Peço desculpas porque não faço idéia do nome do templo. Logo na entrada um monge se aproximou. Ele tinha cerca de 21 anos se não me engano e um nome de pronúncia bem difícil, algo como “Mess”, vamos assim chamá-lo. É estranho ver uma pessoa tão jovem e da nossa idade sendo um monge… ainda mais quando ele atende o celular no meio da conversa…rs… Eu já tinha ouvido falar que os monges gostavam de conversar com os estrangeiros para treinar o inglês, então super dei corda, ainda mais que não é todo dia que você tem a oportunidade de poder conversar com um monge né?
O Mess nos mostrou os arredores do templo, mas esse era diferente de tudo que tínhamos ido até então, havia meio que um córrego que descia pelas pedras e as construções estavam totalmente em harmonia com a natureza. Passamos um bom tempo lá conversando, tirando dúvidas… e ele bem interessado em nos mostrar as coisas, muito querido!
À noite resolvemos nos engajar numa causa maior: distribuir abraços grátis durante a feira noturna em Chiang Mai. Ai meu Deus, nunca achei que eu fosse fazer isso. Nem o Rômolo. Mas foi a maior diversão do mundo. Abraços internacionais. E uma ótima oportunidade para fazer um estudo cultural, como os tailandeses e alemães tem aversão a dar um abraço. Escrevemos abraços grátis em várias línguas, e o cartaz foi ficando mais cheio conforme as pessoas que passavam pela rua davam por falta de abraços grátis escrito na língua mãe. Para mim o momento top foi quando um italiano perguntou de onde eu era e quando eu disse: “Brasil” ele começou a cantar e fazer coreografia: “Nossa, nossa, assim você me mata! Ai se eu te pego, ai, ai, se eu te pego!” kkkk Essa praga de música segue a gente até do outro lado do mundo!
No dia seguinte continuamos a nossa saga zen e passamos por um treinamento num centro de meditação por 24 horas, acompanhe no próximo post. 😉

p.s.: Eu não dirigi na mão inglesa. Já não dirijo na brasileira, o que dirá em outras nacionalidades, né?

Chiang Mai: barriga no fogão!

Essa é a paisagem com a qual acordamos na manhã em que viemos para Chiang Mai. O trem noturno era uma delícia, camas super confortáveis, até mais do que nosso hostel, rs… Não queria que a viagem acabasse nunca…
Mas depois de 12 horas mais 2 de atraso chegamos na doce… e poluída Chiang Mai. Já tínhamos ouvido o mundo inteiro dizendo que aqui era incrível, que era a melhor cidade da Tailândia, blabla… No site do Lonely Planet está entre as 10 cidades para se visitar antes de morrer (apesar de que hoje em dia, tudo está numa lista dessas). Chegamos aqui: trânsito, poluição, tuktuks… já havíamos visto essa fita em maior escala em Bangkok. Onde estavam as casinhas rústicas rodeadas por árvores e montanhas que imaginei? Chiang Mai tem um templo em cada esquina, mas já tivemos nossa cota de templos. Tem também várias feirinhas, mas quem quer feirinha depois de Bangkok? Então vocês me perguntam:Por que raios estamos aqui há mais de uma semana? Por que não sabemos quando vamos embora? Eu também não sei. Sei lá o que prende a gente nessa cidade. Talvez sejam os amigos que fizemos aqui. Talvez seja a comida deliciosa e barata. Talvez seja porque, apesar de ser uma cidade totalmente normal, você pode fazer mil cursos em Chiang Mai, aprender a cozinhar, meditar, fazer massagem, estudar tailandês, andar de elefante, fazer trekking… ah, tá, acho que é por isso que ainda estamos aqui!

Conhecemos a Kelly (Escócia) e o Jonathan (EUA) em Bangkok, viajamos juntos para Chiang Mai e desde então temos saído todos os dias. As vezes aparecem umas pessoas que se juntam à nós 4, depois vão embora, outras vem… mas nós ficamos até o fim! rs… Quando chegamos o Jonathan tinha reserva no Little Bird e eu, a Kelly e o Rô ficamos num quarto compartilhado na Yellow House. Estamos pagando 100 bahts pelo quarto cada um, muuuito barato. É a primeira vez que ficamos em dormitório compartilhado nessa viagem e acho que vamos fazer isso mais vezes. Já tivemos 2 hóspedes diferentes no nosso quarto além de nós três, um alemão e uma israelense, e acho que essa é a melhor forma de conhecer outras pessoas. Agora o Jonathan veio para o nosso quarto e o grupo voltou à formação original…rs

Assim que você chega em Chiang Mai, vê mil flyers, cartazes de tudo quanto é atividade para fazer em qualquer beco de esquina. Difícil é escolher… Tinha um flyer de uma escola de culinária que dizia: “Não recomendado por nenhum guia, mas sim pelo senso comum!” hahaha muito suspeito! Queríamos aprender a fazer comida tailandesa e como bons designers que somos, escolhemos pelo design do folder, é claro! No fim, ficamos com o Smart Cooking School que oferecia aulas na fazenda. O curso que dura o dia inteiro custa 1000 bahts Pra falar a verdade eu já fui pra lá com um pé meio atrás, nunca confio nessas coisas em que se paga um valor para fazer mil coisas… e nesse curso estavam inclusos uma visita na feira, um trem, um passeio de bike… Mas… vamos lá!

8h30: A van vem nos buscar no hotel. De cara a nossa professora, a Ói, foi super simpática! Fomos para um dos muitos mercados locais de comida que há em Chiang Mai e ela nos explicou um pouco sobre os principais ingrediente tailandeses, que são bem diferentes dos brasileiros. Por exemplo: eles tem três tipos de manjericão aqui. Tem também um tofu parecido com o que encontramos no Brasil e outro que é “meio seco” vamos dizer, coisa que eu nunca tinha visto.

Depois ficamos uns 10 minutos andando livremente pelo mercado. Eu AMO andar em mercados de comida, principalmente quando é em outro país e você não tem idéia do que estão vendendo. Gosto de ficar comprando as coisinhas esquisitinhas que eles tem. Além do que, mercados de comida tem mil cheiros e são sempre esteticamente charmosos com toda aquela bagunça.
Depois disso pegamos um trem que era usado apenas por locais. Bem gostoso viajar pelas paisagens de campo, demorou uns 20 minutos para chegarmos ao nosso destino, Pasao.

Bicicletas inclusas no passeio? Achei que ia encontrar umas bikes bem podres e enferrujadas! Chegando lá umas bicicletas lindas esperando por nós, a minha tinha cestinha e tudo mais. Me apaixonei. Se desse eu voltaria para o Brasil pedalando ela haha!
Pedalamos pelo campo, passamos por campos de arroz, um templo, córregos, camponeses… Muita paz!
Paramos no meio do caminho em uma plantação onde a Ói explicou um pouco mais sobre as ervas e legumes que estavam lá e seguimos pedalando para a fazenda.
Eu já estava feliz só de poder andar de bicicleta, não dava para ficar melhor. Mas ficou. Chegamos lá. a cozinha era uma graça, num quintal com uma parte coberta, e uma horta do lado. Tudo bem com cara de fazendinha do Brasil. A Ói nos ensinou a colher os ingredientes para o almoço e fomos para a cozinha.
Haviam 5 categorias de pratos: Fritos, Sopas, Petiscos, Sobremesas, Curry. Cada categoria tinha 4 opçõesde pratos dentro dela e cada aluno escolhia um prato de cada categoria. Depois disso íamos para a mesa onde os ingredientes já estavam separados e cortados de acordo com cada prato.
E aí… mão na massa! Cada aluno tinha seu próprio espaço e sua própria panela, exceto algumas receitas que foram feitas por grupo, como os curries.
Aiai! Eu já disse que amo comer? Dá pra perceber pela quantidade de foto que tem no blog… rs… Aqui estão alguns dos nossos filhotinhos:

Arroz frito com frango (Nã)
Pad Thai + Sopa local apimentada (Rômolo)
Sopa de frango ao leite de côco (Nã)
Rolinhos primavera (Rômolo)
Se você não cozinha nada fica tranquilo que é bem fácil… A professora é super fofa, isso quando ela quase não fica louca quando todo mundo começa a fazer fritura ao mesmo tempo. Se você não gosta de pimenta faça como eu: Discretamente jogue fora as pimentas da receita (só do curry não dá para escapar). Se você é vegetariano, apenas avise a professora e ela dá um jeito de substituir os ingredientes. No final da aula você ganha um livreto com todas as receitas. Depois de tudo isso só tenho uma coisa a dizer: Que fome!

_____
DICAS

trem: Eu iria para Chiang Mai, nem que eu não quisesse só para andar nesse trem! Pegamos o trem noturno que sai à noite de Bangkok e chega de manhãzinha em Chiang Mai. Compramos os tickets na própria estação, Hualamphong Train Station, basta pegar um skytrain que te deixa direto lá. Há cerca de 4 ou 5 trens que fazem esse percurso entre Bangkok e Chiang Mai por dia, cheque os horários aqui. Compramos os tickets com um dia de antecedência, é bom garantir o seu o quanto antes. Tem apenas primeira e segunda classe e garanto que na segunda classe o serviço é de primeira. Para a segunda classe, a cama debaixo custa 881 bahts e a cama de cima 791 bahts. Eu sem dúvidas recomendaria a cama debaixo que tem janela… e consequentemente paisagem. Na cama eles já oferecem cobertor e travesseiros, mas é bom levar um casaco porque eles guardam a cama de manhãzinha e o vagão é bem frio. Comida a preços razoáveis, mas como bons mochileiros fizemos nosso estoque na 7Eleven.

Saindo da estação de trem: Quando chegar em Chiang Mai, faça amigos e rachem o preço de uma das vans vermelhas. Pegamos uma até perto do Taipai Gate com 6 pessoas no total e pagamos 33bahts cada um. A van te deixa no seu hostel, basta combinar.

Comendo Chiang Mai

Olá pessoal! Andamos sumidos mas estamos em Chiang Mai no momento e está realmente difícil conseguir escrever no blog… muita coisa pra fazer aqui, gente nova o tempo todo… logo mais vai completar 1 semana que chegamos e ainda não deu tempo de escrever nada. Também não sabemos ao certo quando sair daqui. Vamos começar pelas comidinhas incríveis que temos devorado por aqui.

Primeiro devo dizer que estou realmente impressionada com os preços aqui. Hospedagem por R$ 5,00 e comida boa pelo incrível preço de R$ 0,50. Como dizem por aí, a vida é muito curta para aprender alemão, mas eu trocaria esse ditado por a vida é muito curta para provar toda a comida tailandesa. Preparem seus hashis! (putz… piadas ruins: a gente vê por aqui! rs…)

R$ 0,50
Esse é o preço que você pagará para apreciar um Jasmine Rice. Foi o primeiro almoço que tive aqui e tive que repetir no dia seguinte!

R$ 1,00

R$ 2,00

R$ 2,20
R$ 2,50
E agora… o prato mais caro do mundo custando o absurdo R$ 3,30! O tempurá udon do Rô, não é tailandes, masss… aqui está:
Dias desses estávamos num templo quando vimos uma plaquinha onde estava escrito: “Coma para viver, não viva para comer.” Tem que ver isso aí hein! Amanhã estamos indo fazer um “retiro” de dois dias para aprender meditação, voltamos em breve com mais notícias frescas diretamente do norte da Tailândia! 😉