Bangkok: Lá e de volta outra vez

E lá estávamos nós de volta ao ponto zero da viagem: Bangkok meu amor. É muito estranho viajar para um lugar e voltar lá depois de um tempo, ainda mais estranho porque Bangkok foi nossa primeira e última cidade.

Quando estávamos em Pequim, nossa última semana na China depois de quase 2 meses, nós não víamos a hora de voltar para o Brasil. Estávamos realmente empolgados com a possibilidade de comer um pão de queijo, almoçar uma feijoada, tomar um guaraná e tomar brejas nos botecos sujinhos da cidade com os amigos. Fato: estávamos MUITO cansados da China. O Felipe e a Mariana – um casal de brasileiros que conhecemos em Chengdu e que já estavam na estrada há mais de um ano – pareciam estar mais empolgados que a gente. Os caras estavam indo para a Mongólia e falavam da nossa volta do Brasil como se estivéssemos indo para um destino super novo e incrível. O Felipe até parecia se emocionar quando dizia: “Poooorra, vocês vão comer aquele feijãozinho! Que sonho!”. Porra Felipe, vocês estão indo para a Mongólia! rs…

Mas afinal… não havia o Brasil se tornado um destino novo e incrível?

Pegamos um longo vôo pela Air Asia, trash né… Aqueles vôos baixo custo que cobram até para você despachar a própria mala.

Bem, foi na rápida conexão de três horas na Malásia, em Kuala Lumpur que o coração começou a fraquejar… Mas e se… a gente viesse passar um mês na Malásia? Foi o tempo de trocar uns dólares por uns ringgits para poder comprar um sanduíche e já chegava o nosso voo para Bangkok despedaçando os meus sonhos.

Sabe quando você se apaixona por uma pessoa, passa um tempo, vocês não se veem mais, e depois de anos, quando se encontram, é o mesmo frio na barriga? Bangkok. Eu não lembrava o quanto eu amava esse lugar depois de ter passado por tantas outras cidades incríveis. Mas não dá. Não sei se é o contraste com a China, mas Bangkok me pareceu muito mais incrível do que era antes. É aquela emoção rara que sinto em algumas cidades e que me faz ter vontade de chorar só por estar lá. Comer o pad thai de novo… até andar na Khao San Road, que eu achava que já estava de saco cheio, me emocionou. Parecia tudo novo mais uma vez e eu senti aquela força que me faz querer viajar mais léguas por meses.

No nosso único dia completo que tivemos lá visitamos a Bienal de Desenhos no Bangkok Art and Culture Centre, assistimos finalmente uma luta de muay thai e fechamos a noite comendo naqueles restaurantes podrinhos mas que têm o melhor pad thai do mundo.

Preciso falar do muay thay. Da primeira vez que chegamos em Bangkok nós não tínhamos o mínimo interesse em assistir luta. Nunca gostei de lutas e sequer considerei assistir um Muay Thai. Alguma coisa mudou nesse tempo. Eu não acho luta legal, mas consegui entender mais algumas coisas. Primeiro: somos humanos, somos animais, temos instintos e o mundo não é bonito, jamais será. Consigo entender o Muay Thai como parte da cultura e como reflexo dos nossos instintos. Acho que ir no Lumpinee Boxing Stadium e ver o modo como as pessoas ficam enlouquecidas na platéia, me mostra como a luta é um reflexo do animal que contemos dentro de nós. É parte do instinto do homem a luta corporal, mas é uma coisa que tentamos reprimir pelo fato de vivermos em uma sociedade, seria loucura tentar resolver as coisas desse modo. Quero tentar entender a cultura por mais bizarro e chocante que ela seja para mim. O fato dos chineses escarrarem no chão toda hora ou comerem cachorro não deve ser condenado, o Muay Thai também não. E foi com esse espírito que fomos assistir a luta.

O Lumpinee Boxing Stadium foi uma das experiências mais incríveis que tivemos na viagem. Pagamos 1000 bahts pelo ingresso, o mais barato que tinha, para assistirmos à luta no terceiro anel. Você também pode pagar 2000 bahts, vai ficar do lado de um monte de gringos, na frente do palco e nenhum local vai puxar assunto com você ou gritar no seu ouvido, ou seja: zero de emoção!
IMG_5586 IMG_5593Ficar no terceiro anel, implica em ter uma grade meio chata na sua frente, mas é onde a galera vai gritar, fazer as apostas loucamente e tentar conversar com você, acho que estar lá valeu muito mais do que ver a luta propriamente dita, você entra no clima e é um negócio meio Clube da Luta, as arquibancadas meio sujas, um lugar meio escuro, parece até que você está assistindo uma luta clandestina. É muito bom, dá uma adrenalina terrível ver a luta dali, coisa animalesca mesmo como eu disse antes. Bangkok fechada com a chave que eu não esperava.

Até o último momento eu ainda estava esperançosa de tentar convencer o Ro a viajar mais um mês. Chorei muito na última noite em que passamos em Bangkok, como quem está terminando um relacionamento mesmo. No dia seguinte, dia de pegar o avião, esfriei. Não chorei mais. Consegui entender que ainda teríamos que ter a chamada vida normal pela frente, e que eu não poderia considerar isso uma merda pelo resto da minha vida. Uma hora teria que voltar para a realidade não? A menos que eu decidisse passar anos levando uma vida nômade, mas eu tenho vontade de ter um lugar pequeno e confortável para receber os amigos, uma cozinha agradável para cozinhar e filhos para daqui uns pares de anos. Também não vou parar com as viagens jamais, mas tenho que conciliar isso com aspectos de uma vida tradicional e tornar a vida leve e doce. Lembro que o monge me disse que eu não devia me preocupar por antecipação, ficar ansiosa pelo futuro, que eu devia viver o presente. É muito óbvio e fácil dizer “viva o presente”, mas como fazer isso? Finalmente entendi. Acho que nunca estive tão conectada ao meu presente. Não quero vivê-lo mais em função de um futuro que eu espero acontecer. Passei meu último ano antes de viajar levando o presente nas coxas, pensando que eu só estava vivendo aquilo para esperar o futuro, a viagem. Foi meu último presente desperdiçado.
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Bangkok: um transporte para chamar de seu

“Vou de taxi… cê sabe…” Não Angélica, você não precisa ir de táxi! Em Bangkok você pode também ir de tuk tuk, de ônibus, de skytrain, de ferry boat… (aiai… estamos cada vez mais piadistas, não é mesmo?) O Ásia de Mochila testou os transportes mais populares e mostra agora a vocês como se dar bem ao se locomover, seja sobre 3, 4 rodas, flutuando sobre a cidade ou navegando por um rio.

O Metrô e o Skytrain
O metrô tem uma linha consideravelmente pequena e cruza com o skytrain, que é o que importa (mas é necessário pagar para fazer a mudança entre metrô e skytrain e vice versa). Deu para matar a saudade de São Paulo nos curtos trajetos que fizemos por ele. Assim como o skytrain, o metrô é bem moderno e limpo, para minha surpresa. Sei lá porque imaginei que fosse encontrar um metrô velho e caindo aos pedaços como os de Paris e Buenos Aires.
Tanto no metrô quanto no skytrain você paga o ticket de acordo com o lugar em que quer chegar… Quanto mais perto, mais barato, os trechos custam mais ou menos entre R$ 1,00 e R$ 2,00. As máquinas para comprar os bilhetes são totalmente intuitivas, touchscreen, e você pode selecionar o menu para o inglês ou o tailandês, não tem erro viu! Olha que gracinha o bilhete do metrô:
Você escaneia essa fichinha para passar pela catraca e a deposita  de volta na hora de sair da estação, cuidado para não perdê-la! Outra coisa boa é que o metrô te liga até a estação de trem de Bangkok, a Hua Lam Phong.

Já o skytrain é uma delícia, passa por cima da cidade, daí o nome. Olha… fiquei impressionada com a educação das pessoas no metrô e no skytrain. Horário de rush, os trens bombando, e ninguém se empurra, gente, juro, eles esperam até a última pessoa sair do vagão para poder entrar, se organizam em filas e tudo funciona perfeitamente! É incrível o contraste quando você compara a organização e funcionalidade do metrô e do skytrain com a bagunça dos tuktuks e dos taxis.
Tanto no skytrain quanto no metrô é muito fácil saber em que estação você está e qual será a próxima. As estações são anunciadas em tailandês e em inglês com direito ao “Mind the gap”, e você também pode acompanhar o trajeto nos painéis que vão indicando as estações através de luzinhas. Além disso há TVs dentro do vagão que também exibem os nomes das estações. As estações são todas bem sinalizadas com indicações de pontos turísticos, números para cada saída e tudo escrito em inglês também. Fantástico! Hospede-se perto de um skytrain e você está feito, vai chegar em qualquer lugar.

Tuktuk
O tuktuk é o meio de transporte mais divertido, mais charmoso e mais assustador de todos os tempos. Vale a aventura se você estiver disposto a gastar uns bahts a mais para se locomover, mas não recomendo como transporte diário. Geralmente eles vão te cobrar um preço que sairá o dobro do que se você for de táxi com o taxímetro ligados. Os motoristas de tuktuk também são conhecidos como os mais famosos scams da cidade (scam = alguém ou algo que vai tentar te passar para trás). Desconfie se te oferecerem um tour de graça, se oferecerem um preço muito barato ou se disserem que o lugar que você quer ir está fechado. Se voce aceitar uma corrida de 20 bahts, eles vão fazer você passar numa loja que eles já tem esquema só para poder ganhar comissão. NUNCA, em hipótese alguma, peça informação para um motorista de tuktuk, desconfie de todos!

Táxi
Se você não tem pressa de chegar a lugar algum, e não se incomodar com a possibilidade de passar algumas horas preso no trânsito, então vá de táxi. É muito barato, raramente pagamos mais que 4 reais numa corrida – que em São Paulo é o precinho inicial só para poder pisar num táxi. A dica de ouro que vou dar é: JAMAIS feche um preço com o motorista. Sempre faça a corrida com o taximetro ligado. “Do you turn the taximeter on?” é a perguntinha chave que vai fazer seu dinheiro durar mais tempo. As vezes os caras dizem que não ligam o taxímetro, então vamos dispensando até achar um taxi que tope. Já aconteceu de dispensarmos 3 taxis seguidos até conseguirmos encontrar um. Para vocês terem uma noção do quanto isso pode te custar… Estávamos na Khao San Road e queríamos ir até a estação de skytrain Phaya Thai Station. Todos os motoristas queriam cobrar o valor fixo de 200 bahts, até que achamos um que ligava o taxímetro e a corrida deu 70 bahts. A dica de prata é: Nunca pegue taxi em lugares turísticos. Pegar táxi na Khao San Road? Vão te enrolar. Em frente ao Grand Palace? Vão te enrolar.Tente se afastar para uma rua com menos turistas e achará taxistas mais honestos. Dica de bronze: O motorista não te aborda, VOCÊ aborda o motorista. As chances de você ser extorquido aumentam consideravelmente se você se deixar cair na conversa do primeiro taxista que aparecer.

Barco
Muitas das principais atrações da cidade, como o Grand Palace e o Wat Arun por exemplo, se localizam as margens do Chao Praya River. Então o que muitas pessoas fazem, é tirar um dia para pegar o barco e ir parando nesses pontos. Para chegar até um dos piers do rio de skytrain, desça na estação Saphan Taksin. O barco turístico custa 30bahts. Há também a opção de comprar um ticket que dá direito a entrar e subir no barco quantas vezes vocês quiser ao longo do dia. Ouvi falar também de um barco usado pelos locais que custa muito mais barato que 30bahts, mas como só usamos o barco um dia, não tive a oportunidade de pesquisar melhor.

Conclusão: Ahhh nada como andar a pé,não é mesmo? Andando a pé você consegue sentir melhor a cidade, sentir a mistura de cheiros, olhar as pessoas cara a cara, descobrir que há uma lavanderia perto do seu hostel… não polui o ambiente, e o melhor: é de graça! Portanto o Ásia de Mochila elege o andar a pé como o melhor meio de transporte por toda a Ásia! Prepare seu chapéu, ponha seus óculos de sol, se entupa de protetor… e vá a pé!

Entediado em Bangkok?

Você só pode estar brincando!

Esse é um dos parágrafos do Lonely Planet e eu devo dizer que concordo plenamente. Bangkok tem tanta coisa para fazer que irrita. Depois de Ko Phi Phi fomos para lá passar só mais dois dias e acabamos ficando cinco. E só fomos embora porque conhecemos a Kelly e o John no nosso hostel e combinamos de ir juntos para Chiang Mai.

Nossos dias em Bangkok foram agitados, mas tiramos um dia de folga, justamente no feriado que comemora o dia do Budismo, e ficamos no hostel descansando, adiantei uns posts do blog e o Rô preencheu mais páginas do seu scketchbook.

Em um dos dias passamos a tarde inteira enfiados em shoppings e em feirinhas correndo atrás de roupa para as nossas mochilas pobrinhas. Não quero me aprofundar muito no assunto “shoppings” já que só fomos comprar por necessidade, e não por diversão. Mas meu amigo… se eu encontrasse em São Paulo as coisas que vi em Bangkok, e pelo preço que estavam… eu não estaria aqui, teria gastado todo o meu dinheiro da viagem comprando as camisetas com estampas incríveis por apenas 10 reais. Quase fiquei louca, mas graças a Deus eu sei me controlar e só comprei uma camiseta linda por 5 reais e um shorts jeans por 15 reais, só para vocês saberem como são os preços aqui.

Para o mais pobrinho...

Para o mais riquinho...

Se você veio a Bangkok para comprar minha dica se resume a: Pegue um skytrain até a estação Siam e respire fundo quando sair. Você vai encontrar desde o shopping mais caro, com a nata das marcas, como Chanel, Prada, Gucci – no Siam Paragon, até as camisetas de 5 reais nas barraquinhas das ruas. Basta dar uma volta no quarteirão para ter diversão pela tarde inteira.

Na cidade toda, é tropeçar para cair numa feira. Daquelas feiras gigantes, que você não vê o fim, entre no corredor errado e jamais verás a luz do sol de novo!!!

Ao longo desses dias também estivemos em três pontos muito legais da cidade:

Bangkok Art and Culture Center
É um museu novinho em folha, inaugurado em 2008, com obras de artistas contemporâneos. Quando fomos lá estavam rolando 3 exposições: Hosanna to our King – obras em homenagem ao Rei (para variar), The upside world of Phillippe Ramette – um fotógrafo francês e Shadow Life – sobre a vida dos aborígenes na Austrália. Não entrarei em detalhes sobre as exposições para não tornar o post mais longo, mas acho que vale a pena fazer uma visitinha ao museu.
Senti falta de um acervo fixo e de ver mais obras de artistas tailandeses, que só estavam na exposição sobre o Rei… o que achei meio puxa-saquismo, principalmente quando vimos o catálogo com as descrições dos artistas sobre suas próprias obras.

A entrada é free, e se você não curtir o acervo pelo menos pode aproveitar o ar condicionado.

Siam Museum
Tão divertido quanto o Museu da Língua Portuguesa é esse museu onde planejamos passar a tarde antes de voltar para o hostel. Graças a ele quase perdemos o horário do nosso trem para Chiang Mai. A proposta é ser um museu interativo que tente definir, “Quem são os tailandeses?” Eu, o Rômolo, a Kelly e o Jonh ficamos horas lá, realmente deu para aprender muita coisa sobre a história e a cultura tailandesa. Tudo explicadíssimo em inglês, exemplo de como um museu bem feito deve ser. O preço é salgadíssimo, 300 bahts para entrar se você é gringo, mas dissemos sem tentar parecer muito convincente que éramos estudantes que haviam esquecido a carteirinha e no fim pagamos apenas 50 bahts para entrar. Recomendo muito esse museu, todos amaram, e acho que antes de andar pelo resto da Tailândia é bom dar uma passada lá antes para poder entender melhor a história dos lugares que você vai passar, principalmente de Ayuthaya.

Wat Arun (Dawn Temple)
Diferente dos pops Grand Palace Wat Po o Dawn Templo, ou Templo do Amanhecer, não atrai as multidões costumeiras.
Se você não puder visitar o templo, pelo menos poderá admirá-lo na moeda de 10 bahts! =)

Preço: 50 bahts
Dica: Vá com roupas respeitosas, nada regata, joelhos de fora, diferente do Grand Palace e do Wat Po, você vai ter que pagar 20 bahts por peça que pedir emprestado. Eu não estava preparada para isso e tive que gastar 20 bahts na saia e mais 20 bahts para um lencinho que cobria os ombros. Fiquei puta depois que vi várias visitantes lá de regata, mas enfim… Também é necessário deixar um depósito de 100 bahts por peça que você recupera na saída.

Ainda fomos no Lumpini Park, no Flower Market e pegamos o boat no Chao Phraya River que por si só já é uma atração. Depois de todos esses dias ocupados – e outros de vadiagem – pegamos nosso trem delicioso rumo a Chiang Mai para explorar o norte da Tailândia!

Bangkok: um museu, um teatro, um parque

Um barco, uma viagem em cima do capô de um comboio, um ônibus, outro comboio, mais um ônibus, 16 horas. Foi de tudo isso que precisamos para sair de Ko Phi Phi e voltar para a louca e frenética Bangkok. Depois de chegarmos aqui as 5h30 da manhã, peregrinamos muito até achar um hotel decente com vagas. Eis aqui uma cidade que vale a pena dar uma reservada antes caso você esteja pegando a rebarba da alta temporada. Dormimos umas poucas horas até resolvermos começar o nosso dia, já saturados de praia resolvemos ir ao Museu Nacional de Bangkok.

The National Museum Bangkok
Esse é o tipo de museu que faz com que você queira ser dono de um museu. Vou explicar por quê: o acervo é tão mal cuidado, tão empoeirado que faz com que você queira comprar o museu só pra poder limpar e organizar. Paga-se 200 bahts para entrar, um absurdo, visto o estado de conservação em que ele se encontra. Perto dele, arrisco-me a chamar o MASP de Louvre. É uma pena ver um acervo tão rico e com peças tão antigas e cheias de história entulhadas em salas escuras e cheias de teia de aranha – e juro que realmente vi umas 5 teias de aranha nas peças. As salas não tem ar condicionado, apenas ventilador, são abafadas e muitas peças estão detonadas, vê-se que não houve o menor cuidado com a manutenção. Basta ver comos as paredes também estão mofadas. Algumas peças estão sem proteção alguma e continuam se decompondo, além de estarem sujeitas a um empurrão de um visitante mais descuidado. A iluminação é tão ruim que você mal consegue enxergar alguns objetos. Não há nenhum aviso orientando os visitantes a tirar fotos sem flash e ninguém me impediu de entrar com minha garrafa de água.
Também não estarei sendo sincera se disser que não vi algumas salas em melhor estado, algumas inclusive com ar condicionado e mais organizadas.
Uma parte do museu estava fechada para reforma, esperamos que o mesmo se suceda com as demais salas porque dá uma dor no coração ver tudo aquilo tratado com o maior descaso.

Eu curto muito pré-história, ver peças que datam do Paleolítico e do Neolítico. Nesse aspecto o museu conta com uma seção pré-histórica bem interessante, com armas, pedras e utensílios escavados e alguns esqueletos desenterrados.

Outra seção que chamou muito a nossa atenção foi a que falava sobre o tradicional teatro tailandes, pudemos ver umas marionetes assustadoramente incríveis!
As peças contam com legendas em inglês mas que não explicam o significado do que está exposto. São descrições bem genéricas do tipo: “Pedras, vasos, estátua do Buda”.

+ Infos
– Aberto de quarta à domingo, das 9h00 às 16h00.
– Entrada 200 bahts e grátis se você for um monge! =D
Dicas:
– Fica próximo ao Wat Poh e ao Grand Palace, portanto dá para ir em uma caminhada a partir da Khao San Road.
– Visitas guiadas em inglês às quartas e quintas às 9h30 e aos sábados às 10h00. Eu com certeza tentaria pegar um guia, ficamos muito curiosos com várias coisas que vimos lá.
– Tem um restaurante lá dentro que dá para comprar água a 10 bahts.

The National Theatre
Ao ver que o Teatro Nacional ficava próximo ao Museu, resolvemos dar um pulo lá e comprar ingressos para ver alguma apresentação nos próximos 3 ou 4 dias em que ficaríamos em Bangkok. Qual foi a nossa decepção ao descobrir que só rolaria algo lá de novo na próxima semana, quando já teríamos partido de Bangkok. E qual foi a nossa alegria ao descobrirmos que naquele momento estava rolando uma peça de teatro dramática e que como faltavam “só 45 minutos para acabar” podíamos entrar de graça para conferir!!!
Um dia do cão e outro do caçador, e agora era o nosso dia! Depois da conturbada vinda para Bangkok merecíamos esse agradinho.
O engraçado é que só tinha tailandês vendo a peça, só eu e o Rômolo de “gringos”. Então as personagens as vezes falavam umas coisas que todo mundo se matava de rir e a gente ali, boiando! A peça tinha umas danças lindas, música de uma orquestra tailandesa que tocava lá ao vivo. O figurino caprichado, tudo de uma sensibilidade extrema.
Infelizmente, ou melhor, felizmente, não saberei informar a respeito dos preços já que não pagamos para entrar. Mas quanto quer que seja, garanto que só por esses 45 minutos que vimos, vale muito a pena!

Pra completar a nossa volta a “cidade grande” saímos do teatro e fomos para um parque que tem no caminho para a Khao San Road.

Sanam Luang
Já havíamos passado por esse parque num sábado anterior e ele não estava tão agitado quanto nesse domingo. Parecia que estava rolando algum evento relacionado ao Budismo, já que haviam diversas tendas montadas com fotos de budas, livros com monges na capa, diversas pessoas rezando e muitos monges e monjas… (lembrar de verificar o feminino de monge, rs…”.

Tinha também umas tendas vendendo livros e quadrinhos aleatórios e eu não pude deixar de comprar um quadrinho tailandês sobre… sobre… não faço idéia! Só sei que tem monges no meio da história.
Ficamos lá rodando um tempo, fuçando nos livros e vendo o pessoal no parque empinar muita pipa. O parque tem um descampado bem aberto e com uma grama bem cuidada, ideal para essa atividade!
Fecho esse post com a pipa mais legal que já vi voar no céu em todos os tempos. 😉

Wat Pho

Bangkok tem o poder de impressionar… quando você acha que já viu o templo mais lindo, provou a melhor comida, aparece outra coisa para desbancar a anterior. Assim nos sentimos ao visitar o Wat Pho, também conhecido como o Templo do Buda Reclinado. Esse complexo de templos também abriga uma escola de massagem e é considerado o berço da massagem tailandesa.
Chegamos lá na parte da manhã e logo entramos no principal templo onde estava o Buda Reclinado. Eu já tinha visto por fotos, mas estar lá foi totalmente diferente… não dá para imaginar o tamanho dessa estátua, maravilhosa, e de uma vivacidade, que parece que ela vai se levantar a qualquer momento – embora a estátua represente o último momento do Buda antes de entrar para o Nirvana. Ela tem 15m de altura e 43m de largura.
Dessa vez eu e o Ro resolvemos contratar um guia para passear pelo complexo… Estávamos cansados de só achar tudo bonito sem saber o que era, e foi a melhor coisa que fizemos. Tudo começou a fazer mais sentido depois… Sem o guia nos nunca saberíamos que o número de degraus e a cor de cada memorial tem um significado. 7: número da sorte na cultura tailandesa, os degraus são o caminho do céu.

Nosso guia era bem engraçado… Disse que o elefante branco era o animal sagrado na Tailândia e perguntou se havia algum no Brasil… Enquanto pensávamos ele disse: Pelé? rs…

Eu gostei mais de visitar esse templo do que o Grand Palace… principalmente porque é menos cheio e tem alguns lugares muito tranquilos para descansar. Acho que no meio de tudo o que você pode ver lá dentro, o Buda Reclinado é só mais um “mero” detalhe.
Dicas:
– O ingresso que dá acesso ao complexo custa 100 bahts.
– Não é preciso cobrir ombros e joelhos para ver o Buda Reclinado, mas há um outro templo lá dentro em que é preciso… Nesse caso, mantas são oferecidas para você se cobrir logo antes de entrar.
– O ticket dá direito a uma garrafinha de água que não é suficiente… Há água para comprar lá dentro mas é o triplo do que se você comprar lá fora.
– O Wat Po fica do lado do Grand Palace, se estiver sem tempo, visite os dois no mesmo dia.
– Chegue cedo, caso contrário pegará uma fila enorme para ver o Buda Reclinado.

Nossa rotina sem rotina

Ontem foi nosso quarto dia aqui e ainda estamos tentando nos acostumar com as coisas e tentando absorver toda a informação que recebemos o tempo todo… Ainda não consegui ter uma noite de sono 100% boa, meu relógio interno ainda está configurado no horário do Brasil… já o Rômolo… parece que sempre morou aqui, dorme a noite toda que é uma beleza haha…

Estamos num hotel, o que é bem diferente de um hostel… Aqui parece que as pessoas não estão tão afim de interagir… Mas como eram os primeiros dias resolvemos pegar um hotel bom para descansar bem enquanto nos acostumamos, ainda não tivemos conversas muito profundas com as pessoas, tivemos umas conversas rápidas na piscina com alguns israelenses e com o japones que dividimos o taxi no primeiro dia, mas acho que quando fomos para um hostel vai ser mais fácil conhecer mais gente.

As vezes tentamos conversar com os tailandeses, como os taxistas por exemplo… mas se com o pessoal da recepção do hostel já é difícil se comunicar em inglês, imagina com os outros… Só que eles são bem simpáticos, é um grande contraste comparando com a vez que estivemos em Praga haha!

As comidas aqui são maravilhosas. Sou apaixonada por comida e para mim isso é o paraíso… estamos gastando em média R$ 3,00 por refeição… Tirando o almoço do primeiro dia só comemos em barraquinhas de rua… Não conseguirei nunca descrever os sabores, a coisa mais próxima que posso chegar para expressar isso é dizer que parece que estou comendo música. Nem sempre sabemos o que estamos comendo, às vezes apontamos o prato para pedir. O almoço do Rômolo tinha umas coisas boiando que chutamos ser testículos e bucho de boi, estava sensacional!
Nossa rotina é não ter planos… Um dia antes pensamos em algo para fazer no dia seguinte… tomamos o café da manhã tranquilamente, vamos fazer o passeio, voltamos para o hotel, ficamos na piscina que tem no topo do prédio, o Romolo desenha, eu escrevo, à noite saímos para tomar uma breja… por enquanto tem sido assim, é totalmente diferente de viajar com férias contadas… Não temos pressa para nada, aquela correria de querer visitar mil lugares em um dia, podemos curtir tudo no nosso ritmo. Outra coisa muito legal aqui é assistir as novelas tailandesas que fazem as do SBT se tornarem super produções perto delas haha… não entendemos nada mas morremos de rir! É BIZARRO, muito toscas, parece até Hermes e Renato zoando. Mas não é. Também gosto de ver as propagandas daqui que às vezes lembram as propagandas japonesas… Vi bastante anúncio da Nivea e da L’oreal por exemplo, de cremes para clarear a pele! =0

Ontem foi o dia que menos gastamos. Na minha opinião, a pior coisa de se chegar num lugar que não se conhece é não ter noção dos preços… Agora começamos a sacar o preço das coisas, como barganhar e quando estão querendo nos passar para trás… Como por exemplo o taxista que queria cobrar 200 bahts para nos levar até o Chatuchak Market… fomos com outro taxista que ligou o taximetro e a corrida saiu por 90bahts, menos da metade do preço. Compras, tem que barganhar tudo, os caras já jogam o preço lá em cima porque sabem que você vai pedir desconto… Uma coisa que tem funcionado bem é dizer que somos do Brasil, não somos europeus e não ganhamos em euro haha! Acho que o gráfico dos nossos gastos só tende a cair com a malandragem que estamos adquirindo.

Aqui em Khaosan Road os vendedores abordam bastante os turistas, principalmente os indianos que perseguem o Rômolo o tempo todo tentando vender TERNOS para ele. Ternos, 35graus em Bangkok, pode isso? Fico pensando, gente, quem compra esses ternos aqui, como funciona esse mercado? Do jeito que vão as coisas não seria estranho o Rômolo chegar em São Paulo vestindo um terno haha.
Estamos indo embora de Bangkok hoje em direção às praias do sul. Apesar de saber que voltaremos para cá depois de viajar pelas praias, já sinto uma dorzinha no coração… Batemos demais com essa cidade, é a nossa cara! Tem tanta coisa para fazer aqui que acho que nem em um mês dá para ficar entediado.

Dizem que Bangkok é uma panela de pressão, um caldeirão de misturas… e é isso mesmo. Todas as pessoas que estão na rua, o calor, as comidas cheias de temperos, a língua cheia de entonações, os cheiros diferentes… Bangkok parece um prato de comida tailandês e é perfeitamente possível entender que é uma cidade para se amar ou para se odiar… sem meios termos!

___ Ilustrações desse post: Rômolo 😉

Chatuchak Market

O Chatuchak Market é o maior mercado da Tailândia, cobre mais de 14km² e tem mais de 5000 barraquinhas. Mais de 5000 barraquinhas! Vocês conseguem imaginar isso? Você mergulha no mercado, olha para a frente, para trás, para os lados e tudo o que vê são corredores e corredores que não acabam mais, infinitos e entulhados de tudo o que você possa imaginar. Vale lembrar que o Mercado só abre aos sábados e domingos.
Cabides, patos de borrachas, lojas descoladas, peixes, cobras, galos, comidas, budas, camisetas… Não dá para sair daqui sem comprar pelo menos uma coisinha. O que chamou mais atenção na verdade foram os cheiros. Cheiro de ervas, de curry, cheiro de animais, cheiros bons e cheiros ruins. Conforme você vai andando cheiros e mais cheiros vão se alternando naquela bagunça toda.
Almoçamos por lá mesmo, tem tanta comida que fica difícil escolher. Dá tristeza pensar que nunca teremos tempo o suficiente para provar tudo aquilo.
O mercado parece ser dividido em seções… Seção de animais, seção de comidas… pelo menos essas duas nós conseguimos perceber. Aliás, achei meio bad a seção de animais, os cachorros (extremamente fofos) ficam todos amontoados naquelas lojas abafadas e os peixinhos presos naqueles sacos plásticos… uma judiação!
Prepare-se para andar bastante. Há um mapa da feira, mas nós preferimos não gastar 100 bahts com isso. Resolvemos nos perder lá dentro e deixar os corredores nos levar. Ótima maneira de passar a manhã do domingo. Aqui vou deixar a nossa galeria com nossos achados: