Bangkok: Lá e de volta outra vez

E lá estávamos nós de volta ao ponto zero da viagem: Bangkok meu amor. É muito estranho viajar para um lugar e voltar lá depois de um tempo, ainda mais estranho porque Bangkok foi nossa primeira e última cidade.

Quando estávamos em Pequim, nossa última semana na China depois de quase 2 meses, nós não víamos a hora de voltar para o Brasil. Estávamos realmente empolgados com a possibilidade de comer um pão de queijo, almoçar uma feijoada, tomar um guaraná e tomar brejas nos botecos sujinhos da cidade com os amigos. Fato: estávamos MUITO cansados da China. O Felipe e a Mariana – um casal de brasileiros que conhecemos em Chengdu e que já estavam na estrada há mais de um ano – pareciam estar mais empolgados que a gente. Os caras estavam indo para a Mongólia e falavam da nossa volta do Brasil como se estivéssemos indo para um destino super novo e incrível. O Felipe até parecia se emocionar quando dizia: “Poooorra, vocês vão comer aquele feijãozinho! Que sonho!”. Porra Felipe, vocês estão indo para a Mongólia! rs…

Mas afinal… não havia o Brasil se tornado um destino novo e incrível?

Pegamos um longo vôo pela Air Asia, trash né… Aqueles vôos baixo custo que cobram até para você despachar a própria mala.

Bem, foi na rápida conexão de três horas na Malásia, em Kuala Lumpur que o coração começou a fraquejar… Mas e se… a gente viesse passar um mês na Malásia? Foi o tempo de trocar uns dólares por uns ringgits para poder comprar um sanduíche e já chegava o nosso voo para Bangkok despedaçando os meus sonhos.

Sabe quando você se apaixona por uma pessoa, passa um tempo, vocês não se veem mais, e depois de anos, quando se encontram, é o mesmo frio na barriga? Bangkok. Eu não lembrava o quanto eu amava esse lugar depois de ter passado por tantas outras cidades incríveis. Mas não dá. Não sei se é o contraste com a China, mas Bangkok me pareceu muito mais incrível do que era antes. É aquela emoção rara que sinto em algumas cidades e que me faz ter vontade de chorar só por estar lá. Comer o pad thai de novo… até andar na Khao San Road, que eu achava que já estava de saco cheio, me emocionou. Parecia tudo novo mais uma vez e eu senti aquela força que me faz querer viajar mais léguas por meses.

No nosso único dia completo que tivemos lá visitamos a Bienal de Desenhos no Bangkok Art and Culture Centre, assistimos finalmente uma luta de muay thai e fechamos a noite comendo naqueles restaurantes podrinhos mas que têm o melhor pad thai do mundo.

Preciso falar do muay thay. Da primeira vez que chegamos em Bangkok nós não tínhamos o mínimo interesse em assistir luta. Nunca gostei de lutas e sequer considerei assistir um Muay Thai. Alguma coisa mudou nesse tempo. Eu não acho luta legal, mas consegui entender mais algumas coisas. Primeiro: somos humanos, somos animais, temos instintos e o mundo não é bonito, jamais será. Consigo entender o Muay Thai como parte da cultura e como reflexo dos nossos instintos. Acho que ir no Lumpinee Boxing Stadium e ver o modo como as pessoas ficam enlouquecidas na platéia, me mostra como a luta é um reflexo do animal que contemos dentro de nós. É parte do instinto do homem a luta corporal, mas é uma coisa que tentamos reprimir pelo fato de vivermos em uma sociedade, seria loucura tentar resolver as coisas desse modo. Quero tentar entender a cultura por mais bizarro e chocante que ela seja para mim. O fato dos chineses escarrarem no chão toda hora ou comerem cachorro não deve ser condenado, o Muay Thai também não. E foi com esse espírito que fomos assistir a luta.

O Lumpinee Boxing Stadium foi uma das experiências mais incríveis que tivemos na viagem. Pagamos 1000 bahts pelo ingresso, o mais barato que tinha, para assistirmos à luta no terceiro anel. Você também pode pagar 2000 bahts, vai ficar do lado de um monte de gringos, na frente do palco e nenhum local vai puxar assunto com você ou gritar no seu ouvido, ou seja: zero de emoção!
IMG_5586 IMG_5593Ficar no terceiro anel, implica em ter uma grade meio chata na sua frente, mas é onde a galera vai gritar, fazer as apostas loucamente e tentar conversar com você, acho que estar lá valeu muito mais do que ver a luta propriamente dita, você entra no clima e é um negócio meio Clube da Luta, as arquibancadas meio sujas, um lugar meio escuro, parece até que você está assistindo uma luta clandestina. É muito bom, dá uma adrenalina terrível ver a luta dali, coisa animalesca mesmo como eu disse antes. Bangkok fechada com a chave que eu não esperava.

Até o último momento eu ainda estava esperançosa de tentar convencer o Ro a viajar mais um mês. Chorei muito na última noite em que passamos em Bangkok, como quem está terminando um relacionamento mesmo. No dia seguinte, dia de pegar o avião, esfriei. Não chorei mais. Consegui entender que ainda teríamos que ter a chamada vida normal pela frente, e que eu não poderia considerar isso uma merda pelo resto da minha vida. Uma hora teria que voltar para a realidade não? A menos que eu decidisse passar anos levando uma vida nômade, mas eu tenho vontade de ter um lugar pequeno e confortável para receber os amigos, uma cozinha agradável para cozinhar e filhos para daqui uns pares de anos. Também não vou parar com as viagens jamais, mas tenho que conciliar isso com aspectos de uma vida tradicional e tornar a vida leve e doce. Lembro que o monge me disse que eu não devia me preocupar por antecipação, ficar ansiosa pelo futuro, que eu devia viver o presente. É muito óbvio e fácil dizer “viva o presente”, mas como fazer isso? Finalmente entendi. Acho que nunca estive tão conectada ao meu presente. Não quero vivê-lo mais em função de um futuro que eu espero acontecer. Passei meu último ano antes de viajar levando o presente nas coxas, pensando que eu só estava vivendo aquilo para esperar o futuro, a viagem. Foi meu último presente desperdiçado.
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Tailândia e Laos: Da monarquia para o comunismo

Eu e o Rômolo não queríamos ir para o Laos, mas o Jonathan e a Kelly insistiram tanto que acabaram nos convencendo. No fim a Kelly teve um acidente e não pode seguir viagem (mas ela já está bem) e o Jonathan não se empolgou com o Laos. Já nós… acabamos ficando alguns dias a mais do que o planejado.

Foram 18h de viagem desde Chiang Mai e cruzamos a fronteira por Chiang Khong (Tailândia) e Huay Xai (Laos). Se eu tivesse planejado antes ir para o Laos, eu saberia que em Huay Xai eles tem um passeio incrível que se chama Gibbon Experience, onde você dorme em casas no topo das árvores no melhor estilo Tarzan. Mas como eu não sabia disso antes de ler o Lonely Planet, compramos uma passagem para um ônibus que nos deixaria em Luang Prabang, e assim meu sonho de ter um dia de Jane ficou para trás rs… vai, tudo bem, parece que esse passeio é beeem caro!

Nossa van nos pegou no hotel às 8h da manhã. Depois de algumas horas de viagem chegamos a Chiang Rai, na Tailândia, onde fizemos uma pausa rápida de 30 minutos para conhecer o Wat Rong Khun, mais conhecido como Templo Branco.

Incrível, surreal, maluco, não sei como descrever. Diferente de qualquer coisa que já havíamos visto. E o Predador saindo do chão???
Infelizmente dentro do templo é proibido tirar fotografias… mas eu digo para vocês que a pessoa que pintou aquelas paredes estava bem louca quando fez aquilo… Tinha uns desenhos do superman, do Neo do Matrix, Kung Fu Panda, Angry Birds, Super Homem… E no meio um Buda com pessoas rezando…rs… E também, por que não, um toque de morbidez…

Incrível! Queria ter ficado mais tempo lá. Mas seguimos viagem rumo à cidade da fronteira… chegando em Chiang Khong, recebemos o carimbo no passaporte de saída do país… Pegamos um barco para atravessar o Mekong, que é um rio que divide a Tailândia e o Laos.
Já do outro lado, preenchemos os formulários e foi bem tranquilo tirar o visto. Brasileiros pagam $30 para o visto de 1 mês. Tivemos que pagar $1 adicional por ser fim de semana…rs… De lá pegamos nosso ônibus que nos deixaria em Luang Prabang. Olha… momentos sofridos… As estradas do Laos não deixam nada a dever para as estradas da Bolívia, poeira, buracos… Muitas curvas! Só sei que tinha no mínimo umas duas pessoas vomitando naquele ônibus. Sorte que não era do nosso lado e azar do Jonathan que pegou um desses dois. Então… se você é dos mais sensíveis: Dramin!

Chegamos exatamente às 5h da manhã em Luang Prabang, conforme a agência havia prometido, milagre! Quando você pega essas viagens muito longas ou que precisa cruzar fronteira, meu lema é: “Prepare-se para o pior, espere o melhor e receba o que vier”. Eu já estava psicologicamente preparada para enfrentar 24h na estrada, mas graças a Deus foram só 18h. “Só”. Mas valeram a pena.
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Dica: Em Chiang Mai há mil agências que vendem pacotes praticamente iguais para tudo quanto é canto. Escolhemos uma aleatória na noite anterior e pagamos 1300 bahts cada um na passagem do ônibus que incluía tudo, a van, o stop em Chiang Rai, a travessia de barco, o ônibus e até uma garrafa d’água e um sanduíche meio ok… O bus não tinha banheiros mas fez alguns stops ao longo do caminho.

Choque Tailândia

Viagem boa que se preze tem choque cultural… e estamos aqui para narrar os fatos mais curiosos com os quais nos deparamos durante nossas andanças pela Terra dos Sorrisos!

Creme para clarear a pele
Assista apenas um intervalo comercial durante a novela e será o suficiente para ver que pelo menos metade das propagandas são de cremes clareadores para a pele. Brasileiras compram bronzeadores, tailandesas branqueadores. Não faço idéia da química presente nesse creme, mas não sei se uma loção que promete deixar a pele mais branca é algo que possa ser saudável. Grandes marcas como a LÓreal e a Nivea tem seus clareadores aqui, fiquei realmente assustada com esse tipo de coisa. Acompanhem comigo o absurdo da situação:

Realmente só posso lamentar na minha posição de viajante quando vejo as meninas na rua com a cara artificialmente branca, acho que dá para notar quando elas usam esse creme… Um guia que contratamos no Wat Poh chegou a falar para mim e para o Rômolo: “A cor da minha pele é feia, não é bonita como a de vocês” (como se eu fosse suuuper branca, né?) Triste. Aspectos culturais que dificilmente serão mudados.

O trânsito
Aiai… nunca mais vou reclamar do trânsito de São Paulo. Ainda não estive no trânsito do Vietnã que dizem ser pior, mas aqui em Bangkok já deu pra ter uma prévia. Loucura total, todo mundo corta onde quer, anda na contramão, não se respeitam os faróis, tuktuks loucos no volante, motos, taxis, carros… Você entra no taxi para fazer um caminho de quinze minutos e só sai de lá depois de 1h. Não é exagero. Observem essa foto que tirei quando o sinal para pedestres estava aberto:
Lugar para o pedestre passar que é bom… nada! Notaram também o cara na garupa da moto sem capacete e com fone de ouvido? Cena mais comum do mundo. Sem contar quando eles andam com 3 pessoas na moto de uma vez, com bebê, falando no celular, pessoa da garupa jogando video-game… A cena mais bizarra decerto foi uma mãe com seus três filhos pequeno na moto. Detalhe: Só ela estava de capacete.

Atravessando a rua
Atravessar a rua é uma verdadeira aventura aqui em Bangkok e um desafio que você aceita de saber se vai chegar inteiro do outro lado ou não. Gente… algumas ruas não tem o semáforo para pedestre então você tem que literalmente se jogar na frente dos carros, é muito tenso!!! Não é que nem em Brasília que você acena com a mão e os carros param na hora. Estamos seguindo a dica do Lonely Planet que diz que você não pode correr, tem que atravessar bem devagar, assim dá tempo dos carros “tentarem” não te atropelar. Outra coisa que fazemos é esperar juntar mais gente para atravessar a rua, assim vai todo mundo fazendo volume de uma vez só. Se você estiver acompanhado pode combinar de cada um vigiar um lado. Perai, tá achando que é só isso? Ainda tem que lembrar que a rua é mão inglesa e que provavelmente o carro vai vir do lugar que você menos espera. Resumindo, minha dica para atravessar a rua é: REZE! Pra Buda, pra Jesus, pra quem você quiser, mas reze!

O flanelinha
Aqui também há os flanelinhas, embora não haja um nome específico para ele em tailandês. Estávamos no carro de uma amiga tailandesa quando ela parou em fila dupla na rua para estacionar. Achamos estranho, pensei: “Será que ela vai deixar a chave com o flanelinha?”. O fato é que os motoristas deixam o freio de mão solto, então se o carro de dentro quer sair, os flanelinhas vão empurrando o carro. É mole?

O rei!
O rei Bhumibol é o cara! Tem foto dele em tudo quanto é lugar, tem foto dele em todas as notas de dinheiro, tem foto dele dentro do taxi, na fachada de prédio, na entrada do McDonalds, tem nome dele em rua, em ponte, estátua dele, exposição sobre ele, esse é o cara! Também é conhecido como Rama IX e é o monarca reinando há mais tempo, desde 1948!!!
Achei fantástica a nota de 1000 bahts que traz a imagem do Rei com uma máquina fotográfica pendurada no pescoço. Quer dizer… o Rei além de pintar bem, tocar música bem, ainda é gente como a gente e tira fotos! Amei!
Parece que é um pecado mortal falar mal dele… Não sei como as gerações atuais lidam com isso, mas tive a impressão de que ou ele é querido mesmo ou e lavagem cerebral. Ah, tem mais essa, antes de começar um filme no cinema, eles passam uma espécie de propaganda sobre o Rei… umas imagens bem bonitas dele interagindo com o povo, rodeado de crianças, tirando fotos (ahaha). Sei que depois disso até eu estava amando o Rei!

Nós!
Gente… vou dizer para vocês que eu estava tendo sérios problemas na Tailândia e que prometem se estender por outros países. Vocês não tem idéia da quantidade de pessoas que vinham falar comigo em tailandes… As vezes eu não respondia e a pessoa devia achar que eu era uma tailandesa mal educada… as vezes eu falava que era do Brasil – ou melhor: Basil – e era a maior surpresa do mundo. Aliás quando o Rômolo fala que é brasileiro as pessoas também se surpreendem e dizem que não temos cara de brasileiro, mas me digam, qual é a cara do brasileiro? rs… Outro dia nós dois estávamos conversando com um descendente de japoneses brasileiro e qualquer um que visse o misturado conjunto que formávamos com certeza duvidaria de que estávamos falando português.

O Rômolo também está tendo problemas com os tamanhos das coisas… Cobertor pequeno, cadeira pequena, teto baixo… não vai mais ter lugar pra fazer galo haha! E pra achar uma bermuda pro rapaz? Tivemos que rodar a cidade inteira pra encontrar roupa tamanho XL, coitado… e o nome dele? A primeira pessoa que encontrarmos nessa viagem e que conseguir pronunciar “Rômolo” de primeira vai ganhar um prêmio! Finalmente ele resolveu se render e criar um apelido… e aqui na Ásia ele é o Rom, hahaha!

Acho que eu teria muito mais para falar da Tailândia… mas vamos parar por aqui e partir para o próximo destino. Nos vemos no Laos no próximo post… ou pelo menos no caminho entre a Tailândia e ele! 😉

Bangkok: um transporte para chamar de seu

“Vou de taxi… cê sabe…” Não Angélica, você não precisa ir de táxi! Em Bangkok você pode também ir de tuk tuk, de ônibus, de skytrain, de ferry boat… (aiai… estamos cada vez mais piadistas, não é mesmo?) O Ásia de Mochila testou os transportes mais populares e mostra agora a vocês como se dar bem ao se locomover, seja sobre 3, 4 rodas, flutuando sobre a cidade ou navegando por um rio.

O Metrô e o Skytrain
O metrô tem uma linha consideravelmente pequena e cruza com o skytrain, que é o que importa (mas é necessário pagar para fazer a mudança entre metrô e skytrain e vice versa). Deu para matar a saudade de São Paulo nos curtos trajetos que fizemos por ele. Assim como o skytrain, o metrô é bem moderno e limpo, para minha surpresa. Sei lá porque imaginei que fosse encontrar um metrô velho e caindo aos pedaços como os de Paris e Buenos Aires.
Tanto no metrô quanto no skytrain você paga o ticket de acordo com o lugar em que quer chegar… Quanto mais perto, mais barato, os trechos custam mais ou menos entre R$ 1,00 e R$ 2,00. As máquinas para comprar os bilhetes são totalmente intuitivas, touchscreen, e você pode selecionar o menu para o inglês ou o tailandês, não tem erro viu! Olha que gracinha o bilhete do metrô:
Você escaneia essa fichinha para passar pela catraca e a deposita  de volta na hora de sair da estação, cuidado para não perdê-la! Outra coisa boa é que o metrô te liga até a estação de trem de Bangkok, a Hua Lam Phong.

Já o skytrain é uma delícia, passa por cima da cidade, daí o nome. Olha… fiquei impressionada com a educação das pessoas no metrô e no skytrain. Horário de rush, os trens bombando, e ninguém se empurra, gente, juro, eles esperam até a última pessoa sair do vagão para poder entrar, se organizam em filas e tudo funciona perfeitamente! É incrível o contraste quando você compara a organização e funcionalidade do metrô e do skytrain com a bagunça dos tuktuks e dos taxis.
Tanto no skytrain quanto no metrô é muito fácil saber em que estação você está e qual será a próxima. As estações são anunciadas em tailandês e em inglês com direito ao “Mind the gap”, e você também pode acompanhar o trajeto nos painéis que vão indicando as estações através de luzinhas. Além disso há TVs dentro do vagão que também exibem os nomes das estações. As estações são todas bem sinalizadas com indicações de pontos turísticos, números para cada saída e tudo escrito em inglês também. Fantástico! Hospede-se perto de um skytrain e você está feito, vai chegar em qualquer lugar.

Tuktuk
O tuktuk é o meio de transporte mais divertido, mais charmoso e mais assustador de todos os tempos. Vale a aventura se você estiver disposto a gastar uns bahts a mais para se locomover, mas não recomendo como transporte diário. Geralmente eles vão te cobrar um preço que sairá o dobro do que se você for de táxi com o taxímetro ligados. Os motoristas de tuktuk também são conhecidos como os mais famosos scams da cidade (scam = alguém ou algo que vai tentar te passar para trás). Desconfie se te oferecerem um tour de graça, se oferecerem um preço muito barato ou se disserem que o lugar que você quer ir está fechado. Se voce aceitar uma corrida de 20 bahts, eles vão fazer você passar numa loja que eles já tem esquema só para poder ganhar comissão. NUNCA, em hipótese alguma, peça informação para um motorista de tuktuk, desconfie de todos!

Táxi
Se você não tem pressa de chegar a lugar algum, e não se incomodar com a possibilidade de passar algumas horas preso no trânsito, então vá de táxi. É muito barato, raramente pagamos mais que 4 reais numa corrida – que em São Paulo é o precinho inicial só para poder pisar num táxi. A dica de ouro que vou dar é: JAMAIS feche um preço com o motorista. Sempre faça a corrida com o taximetro ligado. “Do you turn the taximeter on?” é a perguntinha chave que vai fazer seu dinheiro durar mais tempo. As vezes os caras dizem que não ligam o taxímetro, então vamos dispensando até achar um taxi que tope. Já aconteceu de dispensarmos 3 taxis seguidos até conseguirmos encontrar um. Para vocês terem uma noção do quanto isso pode te custar… Estávamos na Khao San Road e queríamos ir até a estação de skytrain Phaya Thai Station. Todos os motoristas queriam cobrar o valor fixo de 200 bahts, até que achamos um que ligava o taxímetro e a corrida deu 70 bahts. A dica de prata é: Nunca pegue taxi em lugares turísticos. Pegar táxi na Khao San Road? Vão te enrolar. Em frente ao Grand Palace? Vão te enrolar.Tente se afastar para uma rua com menos turistas e achará taxistas mais honestos. Dica de bronze: O motorista não te aborda, VOCÊ aborda o motorista. As chances de você ser extorquido aumentam consideravelmente se você se deixar cair na conversa do primeiro taxista que aparecer.

Barco
Muitas das principais atrações da cidade, como o Grand Palace e o Wat Arun por exemplo, se localizam as margens do Chao Praya River. Então o que muitas pessoas fazem, é tirar um dia para pegar o barco e ir parando nesses pontos. Para chegar até um dos piers do rio de skytrain, desça na estação Saphan Taksin. O barco turístico custa 30bahts. Há também a opção de comprar um ticket que dá direito a entrar e subir no barco quantas vezes vocês quiser ao longo do dia. Ouvi falar também de um barco usado pelos locais que custa muito mais barato que 30bahts, mas como só usamos o barco um dia, não tive a oportunidade de pesquisar melhor.

Conclusão: Ahhh nada como andar a pé,não é mesmo? Andando a pé você consegue sentir melhor a cidade, sentir a mistura de cheiros, olhar as pessoas cara a cara, descobrir que há uma lavanderia perto do seu hostel… não polui o ambiente, e o melhor: é de graça! Portanto o Ásia de Mochila elege o andar a pé como o melhor meio de transporte por toda a Ásia! Prepare seu chapéu, ponha seus óculos de sol, se entupa de protetor… e vá a pé!

Tailândia: aonde nos hospedamos

Depois de viajar 30 dias pela Tailândia, começo uma série de posts “técnicos” com informações específicas sobre hospedagem, transporte e diferenças culturais. Começo falando sobre todos os lugares em que nos hospedamos.

BANGKOK

Em Bangkok nos hospedamos em três lugares diferentes. Eu recomendaria com certeza ficar perto do skytrain para não ficar preso no trânsito da cidade e dependente de tuktuks e taxis. Também recomendo reservar antes seu hotel, porque tivemos dificuldades para achar um lugar para dormir nas vezes em que estivemos lá.

– Dang Derm Hotel
Quarto casal: 1100 bahts
Reservamos esse hotel ainda no Brasil. Esse foi o hotel mais caro que pagamos porque queríamos ficar num lugar para descansar após as 22h de viagem. Eu adorei o hotel e a cama que era baixa estilo japonês. Para completar uma piscina no topo do hotel que nos refrescou inúmeras tardes. O lado ruim é que ele fica na Khaosan Road, bem no meio da bagunça… então dependendo do quarto que pegar ou da leveza do seu sono, é bom garantir a noite com uns tampões de ouvido. Já o lado bom, continua sendo o fato dele ficar na Khaosan Road,  a rua dos mochileiros, ou seja: comida barata na rua, venda de pacotes, festa e bar a um passo da sua porta… Sem contar que se você não for dos mais preguiçosos dá para ir até o Grand Palace e o Templo do Buda Reclinado a pé. Então vai depender se vocês está na pegada da farra ou não.

Four Sons 5
Quarto casal: 600 bahts
Esse hotel pegamos quando voltamos de Ko Phi Phi e o ônibus nos largou em plena Khaosan Road às 5h da manhã. Como não queríamos pegar taxi nem nada a essa hora, resolvemos caçar um hotel pelas redondezas e acabamos achando esse. O quarto que pegamos era pequeno, com ar condicionado, bem ajeitadinho até… o suficiente para passar uma noite. Não achei o site desse hotel, mas sei que For Sons é uma franquia de hotéis em São Paulo que abrange hotéis caros e hotéis mais baratos como esse que ficamos. Ele fica do lado da New Joe Guesthouse, perto da Khaosan Road mas mais afastado da baguncinha.

– YHA Bangkok Downtown
Quarto 2 camas solteiro: 700bahts
O primeiro hostel que pegamos, localização ótima, embora eu tenha achado os quarto meio sombrios hehe… Rômolo achou confortável. O banheiro era compartilhado, os quartos tem ar condicionado… mas como não dá para controlar o ar, eu ia lá e empurrava com a mão aquelas abinhas paraficar menos gelado. Nossa, nosso quarto era muito frio e escuro. Pra falar a verdade me lembrava muito um quarto de filme de terror kkk…

Mas foi bom que lá encontramos pessoas muito queridas e o Jonathan e a Kelly que viajaram conosco depois. Ficava há cerca de 1min a pé do skytrain.

AO NANG

– Easy Room
O nome já diz tudo… é um quarto fácil e ponto final. Aliás… um quarto bem estiloso por sinal, já que as paredes que dão para o corredor são de vidro e você usa a cortina para fechar tudo. Banheiro minúsculo… mas ok. Ficava bem perto da praia, uns 5 minutos andando e na frente tinha umas barraquinhas baratas para comer. O dono era um muçulmano que eu juro por Deus, ficava o dia inteiro deitado no sofá da recepção mexendo no computador. Ele tinha uma cara de muito bravo rs… O ponto negativo desse hotel é que ele não tinha absolutamente nenhuma área para socialização, mas o quarto tinha um aspecto bem limpo.

TONSAI (Krabi)

– Mountain View Resort
Quarto casal: 800 bahts
Não se deixe enganar: de resort esse bangalô não tem nada. Não sei porque catzo todos os bangalôs de Tonsai colocavam “resort” no nome e eram simples bangalôs. Depois viemos a descobrir que esse era o hotel mais caro de Tonsai, mas também o único que tinha wifi. Eu achei mesmo que era o melhorzinho que tinha por ali… quarto limpo… jardim agradável, varandinha gostosa… Assim como toda a cidade, a energia elétrica só funciona das 5 da tarde até as 6h da manhã. Eu super recomendo ficar aqui se você não está num esquema tão roots para viajar.

KO PHI PHI

Ban Thai Guesthouse
Quarto casal: 700 bahts
O quarto não tem lençol, não tem água quente e tem que pagar 15bahts por cada rolo de papel higiênico que quiser comprar lá. Até aí tudo bem, estávamos amando a dona da guesthouse, Miss Lee. O ambiente para fazer um social era ótimo, porta toda aberta enquanto você ficava lá na mesa tomando uma cervejinha e jogando uns jogos de tabuleiro que haviam lá. O problema foi quando fomos fazer o check-out e a Lee veio perguntar aonde estavam as toalhas do nosso quarto. Como não tinha papel higienico, nem lençol, achamos que tambem não tinha toalha e usamos as nossas esse tempo todo. Aí a camareira veio na maior cara de pau falar na nossa cara que tinha colocado toalha no nosso quarto. Foi uma dor de cabeça até resolvermos tudo e só por isso eu não vou recomendar esse hotel.

CHIANG MAI

– Yellow House
Quarto compartilhado 4 camas + banheiro privado: 100 bahts (cada pessoa
Foi aqui que mudamos totalmente nosso lifestyle para se hospedar… até então estávamos com frescurinha, queríamos quarto com janela, com ar condicionado e talz… mas aqui descambamos de vez e ficamos nesse quarto sem janelas, super quente, cheio de mosquitos e outros animais que vinham nos visitar diariamente… mas pagando R$ 5,00 na diária né… rsrsrs… Os donos do hostel são uns amores, sempre ajudando em tudo o que podiam e não ficavam pressionando para a gente comprar os tours que vendiam… O hostel não tem website, mas fica do lado do Little Bird Guesthouse. Aliás, algumas noites íamos no Little Bird tomar a cerveja barata que eles vendiam.

CONCLUSÃO: Eu recomendo reservar  seu hostel com antecedência em Bangkok, já os outros lugares foi tranquilo achar porque viajamos pela Tailândia no início da baixa temporada. Mas com certeza Ko Phi Phi deve ferverem janeiro, então planeje-se com antecedência.

O monge tatuado

Segue aqui um dos posts mais esperados… um dia tatuando com o monge tatuado.

Bem, para começo de conversa… o caminho para se chegar até o monge, o Ton, já é por si só uma aventura. Tem que querer muito tatuar e também contar com um pouco de sorte. Rômolo, Jonathan e eu pegamos uma van até uma cidade há 40min distante de Chaing Mai chamada Sunpatong. O Rômolo já havia tatuado. Pedimos para a motorista nos deixar num posto policial que há na cidade. Quando entramos lá, ninguém falava inglês. Apontei para o policial o endereço em que eu queria chegar (estava escrito em tailandês) e mostrei o telefone do monge (que também não fala inglês). Fiz uns sinais para dar a entender que eu queria ligar para o monge e o policial acabou telefonando. Felizmente ele conseguiu falar com o Ton, porque algumas vezes havíamos tentado ligar antes e ninguém havia atendido. Então o policial fez uns gestos indicando que o monge nos buscaria e que poderíamos ficar ali esperando. Como todo bom posto policial de filme, eles tinham donuts! Nos ofereceram os doces e umas melancias enquanto aguardávamos o Ton… 1h, 2h… Muay Thai rolando solto na TV. O policial pediu de novo o telefone do monge, ligou pra ele, e sei lá porque no momento seguinte estávamos dentro de um carro de polícia, com um policial que não falava inglês mas que estava nos levando para o templo Tung Keang no vilarejo Tung Satok. Inclusive o próprio policial não sabia como chegar lá, parou num templo antes que não era o que procurávamos, falou no rádio, até que finalmente encontramos o templo. Gente… muito longe mesmo, por um caminho de terra… difícil chegar a pé. Como íamos voltar? Não fazíamos idéia, mas pelo menos estávamos lá.

O monge estava meditando. Ele estava num pequeno templo, todo amontoado com coisas, com umas fotos dele tatuando pessoas, várias estátuas budistas, é uma pira! O monge é todo tatuado e fumou pelo menos uns dois cigarros enquanto estávamos lá.

A princípio, apenas eu ia tatuar, mas quando o monge perguntou (por gestos) quem ia tatuar, o Jonathan surpreendentemente disse que também ia. O monge nos deu um livro cheio de desenhos. Não entendemos nada, não sabíamos o que era aquele livro, se ele queria que a gente escolhesse ou o que quer que seja, já que estava tudo escrito em tailandês. De repente o monge aparece com um ipad e uma voz de mulher falando em inglês… Que surreal! Ela perguntou se tínhamos alguma dúvida e disse que o monge tinha escolhido para nós um gao yord, uma tatuagem sagrada que traz sorte a quem a carrega. Geralmente é tatuada na nuca. Não achei explicações em português, mas esse site dá uma boa idéia do que é o gao yord.

A tatuagem é feita com bambu, e supostamente dói menos que a maquininha, mas como foi minha primeira tatuagem não tenho parâmetros para comparar. Sentei-me no chão diante do monge. Respirei fundo. O monge tem um “assistente” cujo trabalho é basicamente esticar a pele da pessoa, e Jonathan também foi chamado para completar a tarefa. Primeiro senti ele riscando as minhas costas. Depois pedriam para eu cruzar os braços e assim iniciou-se a sessão.
Definitivamente não é uma dor insuportável, dá para aguentar mas incomoda, claro. Enquanto ele tatuava, ia sussurrando alguma espécie de mantra, isso me deixou mais calma e eu tentei meditar para reduzir à dor ao mínimo. O Jonathan que esticava minha pele, disse que sentia como se ela estivesse sendo costurada.
Durante o tempo todo não falei nenhuma palavra, nem me movi. Estava totalmente concentrada. Em alguns momentos, com a meditação, a dor diminuía. Foi tudo muito rápido, cerca de 25 minutos e não sangrou praticamente nada. Vale lembrar que o monge não cobra valor algum, antes de ir embora você recebe um envelope e coloca a quantia que desejar. O valor é doado ao templo.

Depois que tudo terminou, uma sensação muito, mas muito boa mesmo me invadiu. Sentei-me no tapete diante das imagens de Buda e fiquei ali tentando entender o que se passava dentro de mim. Um turbilhão de emoções que até agora não sei explicar. Eu só estava muito feliz por estar viva.
Enquanto isso Jonathan tatuava. Depois que ele terminou, o monge fez um ritual, colocou uma máscara em nós enquanto falava algumas palavras e recebemos uma medalhinha.
Depois disso nos meteram em uma caminhonete e nos deixaram de novo no posto policial. Pegamos uma van até Chiang Mai e eu estava – e ainda estou – me sentindo totalmente diferente depois dessa experiência. Sempre fui uma pessoa cética em muitos aspectos, mas aconteceu uma coisa durante essa viagem que me levou a fazer a tatuagem, motivos pessoais. Tem alguns significados muito especiais para mim e um deles é me lembrar de uma atitude que quero levar para o resto da minha vida: não ter medo.

Chiang Mai: De olhos bem fechados

Continuando nossa saga zen, fomos fazer um mini retiro num centro de meditação. Foi minha primeira experiência e foi um tanto bizarro. Vou explicar como funciona. Descobrimos pelo Lonely Planet um templo chamado Wat Suan Dok. Eles oferecem um “workshop” de meditação com duração de 24h – começa na tarde da terça – e outro de 4 dias – na última semana do mês. É possível fazer uma reserva por e-mail ou por telefone, mas nós resolvemos ir lá pessoalmente um dia antes. Paga-se 500 bahts pelo curso de 2 dias e 1000 bahts pelo curso de 4 dias, você dorme no Centro e todas as refeições estão inclusas. Vou abrir um parênteses aqui para explicar essa questão dos valores. Até o ano passado não se pagava para fazer esse workshop pois o o templo era apoiado pelo governo. Esse ano, exclusivamente, o governo não deu suporte, então passaram a cobrar esses valores para que o curso pudesse continuar.

Tente reservar sua vaga com antecedência, apesar de que o Marcos não tinha reservado, chegou no dia e conseguiu fazer também. Nesse link você pode encontrar mais informações. É preciso usar roupas brancas, sem transparência e largas. Se você não tiver roupas brancas, pode comprar lá na hora uma calça e uma camiseta por 300bahts. Preços extorsivos para um templo, mas os monges precisam viver não é mesmo? Agora, o que eu recomendaria é ir em qualquer feirinha um dia antes e comprar roupas por preços mais módicos. No fim, a roupa do templo foi um ótimo souvenir e certamente servirá de pijama em muitas ocasiões, haha!

Deixamos nossas mochilas no hostel e levamos apenas uma mochilinha com itens de higiene, escova de dentes, toalha e papel higiênico. Não esqueça do papel higiênico, porque lá não tem. Também deixei de lado a máquina fotográfica e quando chegamos lá descobrimos que eles mesmos tiram as fotos e põem no site.

Bem, você chega no Wat Suan Dok na terça às 13h, faz todos os trâmites, preenche formulário, paga, etc… Daí fomos para uma sala onde nosso “mestre” ia fazer uma pequena introdução ao Budismo. Surpresa: era um cara de 24 anos, gatinho e super engraçado! Me senti num stand-up comedy budista enquanto ele falava. Detalhe que no meio da palestra, o celular dele tocou com aqueles pops americanos, todo mundo morreu de rir. Coisas que você realmente não espera de um monge. Só sei que ele foi super bacana e depois da palestra pegamos uma van e fomos para o Centro de Meditação.

Chegando lá, era um lugar muito bonito, cheio de natureza, calmo, tranquilo… Nos dividimos em dupla e eu fiquei no mesmo quarto que a Kelly. Para nossa surpresa o quarto era muito bom, até bem melhor que o hostel que ficamos em Chiang Mai, cobertor, chuveiro com água quente, espaçoso… os monges sabem mesmo o que é bom! 😉 Vestimos nossas roupas brancas e as cenas seguintes foram muito bizarras… Imagina umas 30 pessoas, um lugar bonito, todos vestidos de branco, andando em silêncio. Parecia coisa do filme do Chico Xavier. Ou ainda que estávamos num hospital todos doentes, ou que estávamos numa clínica de recuperação para ex-viciados. Tenso.
Daí começamos o nosso treinamento… Fomos proibidos de conversar enquanto estivéssemos lá, ao estilo Comer, Amar e Rezar. Mas muita gente não respeitou isso, você passava na frente dos quartos e ouvia umas meninas dando gargalhadas. Inclusive para mim foi difícil porque estávamos com amigos lá, eu tentei, mas as pessoas conversavam comigo e não tinha como não responder. Acho que se eu voltasse lá iria sem conhecer ninguém, para tentar ficar em silêncio mesmo e me concentrar nos meus pensamentos.

Durante esse tempo aprendemos alguns cantos, aprendemos sobre budismo, aprendemos a meditar sentado, em pé e deitado… Claro que deitado é o melhor que tem. Quando o monge nos ensinou essa modalidade, muita gente caiu no sono. Eu estava lá, super concentrada, maior silêncio, quando escuto um puta ronco do meu lado… Quando olhei era uma amiga minha! Ai meu Buda, o que faço? Acordo ou não acordo? Só que o ronco estava muito nítido, todo mundo estava escutando porque o silêncio era pleno, resolvi dar uma chacoalhada nela. Ela acordou assustadíssima e aí ferrou de vez, tive um ataque de riso e tive que me controlar para não gargalhar no meio de todo mundo meditando. Aí já desencanei de terminar essa meditação. Depois fomos jantar e a comida era vegetariana e bem boa… Os monges não podem comer depois do meio dia, mas como somos iniciantes, não só jantamos como pudemos repetir os pratos. Cafézinho, achocolatado, chá e água à disposição o tempo todo, garanto que fome ninguém vai passar.

9h30 da noite: Hora de dormir. Mas como se é tão cedo? Simples, usei a meditação deitada, não deu 15 minutos capotei. Finalmente aprendi algo para me ajudar a dormir mais rápido.

5h00 da manhã: Soa o gongo. Se você não acorda com o gongo geral, eles vão até a sua porta e ficam batendo o gongo até você acender a luz. Terrível! Foi o que aconteceu com a gente…rs… Fomos à sala de meditação, fizemos os cantos, praticamos yoga e fomos comer o café da manhã. Antes de cada meditação tínhamos que repetir juntos algo como:

Nós precisamos contemplar antes de comer a comida
Então ela não será comida pela beleza
Então ela não será comida por prazer ou diversão”
etc…

Não sei se vocês sabem, mas quando o assunto é comida, o Budismo diz: “Coma para viver, não viva para comer”. A comida é apenas para manter o corpo funcionando e ponto, não importa se é boa ou não, só tem que cumprir o seu papel. Nada de comer por gula, apenas o mínimo necessário. O problema é que a comida lá era bem boa, não tinha como deixar de repetir, eu tentei, mas vocês sabem né… o estômago fala mais alto que o coração sempre as vezes.

Assim seguimos o dia meditando, à tarde todos se sentaram juntos e cada um relatou sua experiência ao meditar.

Algumas pessoas se sentiram calmas, outras perturbadas, e aqui relato a minha experiência. Achei muito, muito, mas muito difícil mesmo meditar sentada. Minha cabeça ficava pulando de um pensamento para outro, tive muita dificuldade em tentar me concentrar e ficar na mesma posição (embora mudar de posição seja permitido). Para mim chegou a ser claustrofóbico ficar fechada dentro da minha mente, parada, e de olhos fechados. Tive muita dor de cabeça. Na meditação em pé não consegui me concetrar de jeito nenhum, preciso praticar mais essa. E na meditação deitada eu quase dormia e essa não era a intenção quando fazíamos durante o dia. Acho que vou conseguir atingir um estado de tranquilidade maior quanto mais eu praticar, mas no começo é bem difícil mesmo.

Bom, 15h da quarta-feira, a van nos pegou para nos levar de volta aos nossos respectivos hotéis. Qual era o assunto da van? As experiências que cada um teve? A dificuldade em manter silêncio? Nada disso! Era o monge gatinho! A mulherada falando que era impossível se concentrar com um monge com aqueles músculos bem definidos haha…

Depois disso ainda apliquei a meditação para dormir em algumas ocasiões e principalmente para diminuir a dor quando fiz minha primeira tatuagem na Tailândia, mas isso já são outras histórias… Aguardem o próximo post! =)

Chiang Mai: O dia que dirigimos na mão inglesa

Antes de mais nada, uma curiosidade. Aqui na Tailândia, os templos são conhecidos como Wats (se pronuncia Vat). Dia desses eu, Rô e Kelly, na livraria, achamos um livro que se chamava “What´s what in a Wat”. Um trocadilho bem bobo que nos proporcionou horas de diversão repetindo essa frase. Traduzido seria: “O que há em um Wat”. Feita essas considerações, prossigamos.

Antes de ir para Chiang Mai, contatei uma tailandesa, a Aimee, pelo Couch Surfing para sairmos para jantar na sexta. Ela respondeu que estava com um amigo brasileiro e que podíamos nos juntar a eles. Acabou que conhecemos o Gustavo e ficamos mais amigos dele do que dela. O Gus é carioca, há uns 8 meses com o pé na estrada e foi empatia à primeira vista. Sei que estava todo mundo bêbado noite dessas e resolvemos que íamos alugar umas scooters no dia seguinte para ir em uns templos nas montanhas (mesmo metade de nós nunca ter dirigido uma scooter na vida). Estávamos Rô, Gustavo, Kelly, Jonathan e Stijn (acreditem, a pronúncia é mais fácil do que a escrita) um holandês que conhecemos em Chiang Mai. Daí que começamos a pirar que éramos uma gangue e que tínhamos que criar um nome, tipo “Hell´s Angel” e como íamos visitar uns Wats… pegou o nome da gangue: What´s what in a Wat, com direito à sinal de mão.
Pois bem. Dia seguinte fomos todos pimpões alugar as scooters. Algumas lojas não deixaram porque não tínhamos experiência, óbvio, mas depois de uma procura que não durou muito finalmente achamos um lugar. A dona era bem gente boa e deixou cada um de nós testar as scooters dando uma volta no quarteirão. Desastre total. A Kelly caiu (de leve), eu travei quando cheguei na avenida principal, enfim.. O Stjn deu a idéia de alugarmos um jipe, 800 bahts por 24h. Escolhemos um jipe incrível no cartaz da parede, novinho, moderno… e a dona da loja aparece 15 minutos depois dirigindo isso:
Bem mais carismático, não acham? O carro estava caindo aos pedaços, mas todos morreram de amores por ele na hora. Gustavo sabia onde ficavam os templos, foi de moto na frente e nossa gangue foi seguindo no jipe atrás. Os meninos nunca tinham dirigido com mão inglesa, mas parece que não é difícil. Difícil é dirigir num trânsito tailandês. Então Stjin, que mora em Amsterdam e não tem um trânsito muito diferente do de Chiang Mai, começou dirigindo e depois os meninos se revezaram no volante.

Para as montanhas, baby!

Wat Phra That Doi Suthep
Mais conhecido como Doi Suthep, esse templo fica numa montanha de mesmo nome. Pela estrada de curvas sinuosas, dirige-se cerca de 15km a partir de Chiang Mai. Para entrar no templo é preciso subir uma escada com 309 degraus. Para os mais preguiçosos, ouvi falar de um bondinho ao preço de 30 bahts, mas não prestei atenção se havia mesmo isso lá. enfrentamos as escadas.
Antes de subir as escadas há várias barraquinhas (claro) vendendo aqueles souvenirs de sempre… e comidinhas. Compramos um docinho misterioso de uma senhorinha cega… aliás, a senhorinha não só era cega como também não falava inglês, então imagina a cena da gente tentando comprar dela. Muito fofa!
O docinho era feito dentro de um bambu e você tinha que descascá-lo… Dentro tinha sticky rice com aqueles feijõezinhos japoneses.
O templo é bastante usado pelos locais, apesar de vermos alguns turistas lá… Mas os tailandeses realmente vão lá para rezar, fazer oferendas e ser benzidos pelos monges.
Muito bonito mesmo. Quando entro em um templo, sinto uma atmosfera muito mais leve do que quando entro em uma Igreja Católica e sinto uma atmosfera um pouco mais triste. Os templos são alegres, coloridos, com espaços abertos, brilhantes… e isso me dá uma sensação melhor do que sentar no banco de uma Igreja fechada com imagens de sofrimento ao meu redor. Não estou discutindo ou criticando nenhuma religião, até porque me considero agnóstica, só estou descrevendo como me sinto dentro de um templo, e essa sensação é de paz e contemplação. Me sinto realmente em um lugar sagrado.
Depois disso pegamos a estrada de volta e fomos para um outro templo que o Gustavo queria nos levar. Peço desculpas porque não faço idéia do nome do templo. Logo na entrada um monge se aproximou. Ele tinha cerca de 21 anos se não me engano e um nome de pronúncia bem difícil, algo como “Mess”, vamos assim chamá-lo. É estranho ver uma pessoa tão jovem e da nossa idade sendo um monge… ainda mais quando ele atende o celular no meio da conversa…rs… Eu já tinha ouvido falar que os monges gostavam de conversar com os estrangeiros para treinar o inglês, então super dei corda, ainda mais que não é todo dia que você tem a oportunidade de poder conversar com um monge né?
O Mess nos mostrou os arredores do templo, mas esse era diferente de tudo que tínhamos ido até então, havia meio que um córrego que descia pelas pedras e as construções estavam totalmente em harmonia com a natureza. Passamos um bom tempo lá conversando, tirando dúvidas… e ele bem interessado em nos mostrar as coisas, muito querido!
À noite resolvemos nos engajar numa causa maior: distribuir abraços grátis durante a feira noturna em Chiang Mai. Ai meu Deus, nunca achei que eu fosse fazer isso. Nem o Rômolo. Mas foi a maior diversão do mundo. Abraços internacionais. E uma ótima oportunidade para fazer um estudo cultural, como os tailandeses e alemães tem aversão a dar um abraço. Escrevemos abraços grátis em várias línguas, e o cartaz foi ficando mais cheio conforme as pessoas que passavam pela rua davam por falta de abraços grátis escrito na língua mãe. Para mim o momento top foi quando um italiano perguntou de onde eu era e quando eu disse: “Brasil” ele começou a cantar e fazer coreografia: “Nossa, nossa, assim você me mata! Ai se eu te pego, ai, ai, se eu te pego!” kkkk Essa praga de música segue a gente até do outro lado do mundo!
No dia seguinte continuamos a nossa saga zen e passamos por um treinamento num centro de meditação por 24 horas, acompanhe no próximo post. 😉

p.s.: Eu não dirigi na mão inglesa. Já não dirijo na brasileira, o que dirá em outras nacionalidades, né?

Chiang Mai: barriga no fogão!

Essa é a paisagem com a qual acordamos na manhã em que viemos para Chiang Mai. O trem noturno era uma delícia, camas super confortáveis, até mais do que nosso hostel, rs… Não queria que a viagem acabasse nunca…
Mas depois de 12 horas mais 2 de atraso chegamos na doce… e poluída Chiang Mai. Já tínhamos ouvido o mundo inteiro dizendo que aqui era incrível, que era a melhor cidade da Tailândia, blabla… No site do Lonely Planet está entre as 10 cidades para se visitar antes de morrer (apesar de que hoje em dia, tudo está numa lista dessas). Chegamos aqui: trânsito, poluição, tuktuks… já havíamos visto essa fita em maior escala em Bangkok. Onde estavam as casinhas rústicas rodeadas por árvores e montanhas que imaginei? Chiang Mai tem um templo em cada esquina, mas já tivemos nossa cota de templos. Tem também várias feirinhas, mas quem quer feirinha depois de Bangkok? Então vocês me perguntam:Por que raios estamos aqui há mais de uma semana? Por que não sabemos quando vamos embora? Eu também não sei. Sei lá o que prende a gente nessa cidade. Talvez sejam os amigos que fizemos aqui. Talvez seja a comida deliciosa e barata. Talvez seja porque, apesar de ser uma cidade totalmente normal, você pode fazer mil cursos em Chiang Mai, aprender a cozinhar, meditar, fazer massagem, estudar tailandês, andar de elefante, fazer trekking… ah, tá, acho que é por isso que ainda estamos aqui!

Conhecemos a Kelly (Escócia) e o Jonathan (EUA) em Bangkok, viajamos juntos para Chiang Mai e desde então temos saído todos os dias. As vezes aparecem umas pessoas que se juntam à nós 4, depois vão embora, outras vem… mas nós ficamos até o fim! rs… Quando chegamos o Jonathan tinha reserva no Little Bird e eu, a Kelly e o Rô ficamos num quarto compartilhado na Yellow House. Estamos pagando 100 bahts pelo quarto cada um, muuuito barato. É a primeira vez que ficamos em dormitório compartilhado nessa viagem e acho que vamos fazer isso mais vezes. Já tivemos 2 hóspedes diferentes no nosso quarto além de nós três, um alemão e uma israelense, e acho que essa é a melhor forma de conhecer outras pessoas. Agora o Jonathan veio para o nosso quarto e o grupo voltou à formação original…rs

Assim que você chega em Chiang Mai, vê mil flyers, cartazes de tudo quanto é atividade para fazer em qualquer beco de esquina. Difícil é escolher… Tinha um flyer de uma escola de culinária que dizia: “Não recomendado por nenhum guia, mas sim pelo senso comum!” hahaha muito suspeito! Queríamos aprender a fazer comida tailandesa e como bons designers que somos, escolhemos pelo design do folder, é claro! No fim, ficamos com o Smart Cooking School que oferecia aulas na fazenda. O curso que dura o dia inteiro custa 1000 bahts Pra falar a verdade eu já fui pra lá com um pé meio atrás, nunca confio nessas coisas em que se paga um valor para fazer mil coisas… e nesse curso estavam inclusos uma visita na feira, um trem, um passeio de bike… Mas… vamos lá!

8h30: A van vem nos buscar no hotel. De cara a nossa professora, a Ói, foi super simpática! Fomos para um dos muitos mercados locais de comida que há em Chiang Mai e ela nos explicou um pouco sobre os principais ingrediente tailandeses, que são bem diferentes dos brasileiros. Por exemplo: eles tem três tipos de manjericão aqui. Tem também um tofu parecido com o que encontramos no Brasil e outro que é “meio seco” vamos dizer, coisa que eu nunca tinha visto.

Depois ficamos uns 10 minutos andando livremente pelo mercado. Eu AMO andar em mercados de comida, principalmente quando é em outro país e você não tem idéia do que estão vendendo. Gosto de ficar comprando as coisinhas esquisitinhas que eles tem. Além do que, mercados de comida tem mil cheiros e são sempre esteticamente charmosos com toda aquela bagunça.
Depois disso pegamos um trem que era usado apenas por locais. Bem gostoso viajar pelas paisagens de campo, demorou uns 20 minutos para chegarmos ao nosso destino, Pasao.

Bicicletas inclusas no passeio? Achei que ia encontrar umas bikes bem podres e enferrujadas! Chegando lá umas bicicletas lindas esperando por nós, a minha tinha cestinha e tudo mais. Me apaixonei. Se desse eu voltaria para o Brasil pedalando ela haha!
Pedalamos pelo campo, passamos por campos de arroz, um templo, córregos, camponeses… Muita paz!
Paramos no meio do caminho em uma plantação onde a Ói explicou um pouco mais sobre as ervas e legumes que estavam lá e seguimos pedalando para a fazenda.
Eu já estava feliz só de poder andar de bicicleta, não dava para ficar melhor. Mas ficou. Chegamos lá. a cozinha era uma graça, num quintal com uma parte coberta, e uma horta do lado. Tudo bem com cara de fazendinha do Brasil. A Ói nos ensinou a colher os ingredientes para o almoço e fomos para a cozinha.
Haviam 5 categorias de pratos: Fritos, Sopas, Petiscos, Sobremesas, Curry. Cada categoria tinha 4 opçõesde pratos dentro dela e cada aluno escolhia um prato de cada categoria. Depois disso íamos para a mesa onde os ingredientes já estavam separados e cortados de acordo com cada prato.
E aí… mão na massa! Cada aluno tinha seu próprio espaço e sua própria panela, exceto algumas receitas que foram feitas por grupo, como os curries.
Aiai! Eu já disse que amo comer? Dá pra perceber pela quantidade de foto que tem no blog… rs… Aqui estão alguns dos nossos filhotinhos:

Arroz frito com frango (Nã)
Pad Thai + Sopa local apimentada (Rômolo)
Sopa de frango ao leite de côco (Nã)
Rolinhos primavera (Rômolo)
Se você não cozinha nada fica tranquilo que é bem fácil… A professora é super fofa, isso quando ela quase não fica louca quando todo mundo começa a fazer fritura ao mesmo tempo. Se você não gosta de pimenta faça como eu: Discretamente jogue fora as pimentas da receita (só do curry não dá para escapar). Se você é vegetariano, apenas avise a professora e ela dá um jeito de substituir os ingredientes. No final da aula você ganha um livreto com todas as receitas. Depois de tudo isso só tenho uma coisa a dizer: Que fome!

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DICAS

trem: Eu iria para Chiang Mai, nem que eu não quisesse só para andar nesse trem! Pegamos o trem noturno que sai à noite de Bangkok e chega de manhãzinha em Chiang Mai. Compramos os tickets na própria estação, Hualamphong Train Station, basta pegar um skytrain que te deixa direto lá. Há cerca de 4 ou 5 trens que fazem esse percurso entre Bangkok e Chiang Mai por dia, cheque os horários aqui. Compramos os tickets com um dia de antecedência, é bom garantir o seu o quanto antes. Tem apenas primeira e segunda classe e garanto que na segunda classe o serviço é de primeira. Para a segunda classe, a cama debaixo custa 881 bahts e a cama de cima 791 bahts. Eu sem dúvidas recomendaria a cama debaixo que tem janela… e consequentemente paisagem. Na cama eles já oferecem cobertor e travesseiros, mas é bom levar um casaco porque eles guardam a cama de manhãzinha e o vagão é bem frio. Comida a preços razoáveis, mas como bons mochileiros fizemos nosso estoque na 7Eleven.

Saindo da estação de trem: Quando chegar em Chiang Mai, faça amigos e rachem o preço de uma das vans vermelhas. Pegamos uma até perto do Taipai Gate com 6 pessoas no total e pagamos 33bahts cada um. A van te deixa no seu hostel, basta combinar.

Comendo Chiang Mai

Olá pessoal! Andamos sumidos mas estamos em Chiang Mai no momento e está realmente difícil conseguir escrever no blog… muita coisa pra fazer aqui, gente nova o tempo todo… logo mais vai completar 1 semana que chegamos e ainda não deu tempo de escrever nada. Também não sabemos ao certo quando sair daqui. Vamos começar pelas comidinhas incríveis que temos devorado por aqui.

Primeiro devo dizer que estou realmente impressionada com os preços aqui. Hospedagem por R$ 5,00 e comida boa pelo incrível preço de R$ 0,50. Como dizem por aí, a vida é muito curta para aprender alemão, mas eu trocaria esse ditado por a vida é muito curta para provar toda a comida tailandesa. Preparem seus hashis! (putz… piadas ruins: a gente vê por aqui! rs…)

R$ 0,50
Esse é o preço que você pagará para apreciar um Jasmine Rice. Foi o primeiro almoço que tive aqui e tive que repetir no dia seguinte!

R$ 1,00

R$ 2,00

R$ 2,20
R$ 2,50
E agora… o prato mais caro do mundo custando o absurdo R$ 3,30! O tempurá udon do Rô, não é tailandes, masss… aqui está:
Dias desses estávamos num templo quando vimos uma plaquinha onde estava escrito: “Coma para viver, não viva para comer.” Tem que ver isso aí hein! Amanhã estamos indo fazer um “retiro” de dois dias para aprender meditação, voltamos em breve com mais notícias frescas diretamente do norte da Tailândia! 😉