Xian e seus Guerreiros

É engraçado como as vezes chegamos em uma cidade com uma imagem na cabeça e no fim somos surpreendidos por outras coisas menores. Em Chengdu, por exemplo, só esperávamos ver os pandas e no fim a cidade se mostrou muito mais do que apenas isso. Sem expectativas maiores, partimos para Xian em busca dos Guerreiros de Terracota e descobrimos uma cidade repleta de cheiros, de misturas e sabores.

Xian possui uma grande comunidade mulçumana, o Muslim Quarter é ideal para dar uma checada nessa exótica mistura de chineses mulçumanos. Um calor, aquela fumaça das comidas subindo no fim da tarde, as pessoas enchendo as ruas, eu amei!
Absolutamente viciados no roujiamo, uma sopa que você acha em tudo quanto é restaurante. É feita com massa de pão cozida, carne de carneiro e noodles: o sabor supremo do bem estar!
Pegando o ônibus 306 (7yuans) a partir do estacionamento de ônibus próximo à estação de trem em Xian chega-se fácil até os Guerreiros de Terracota. Os Guerreiros de Terracota foram descobertos há pouco tempo, em 1974, e são apenas uma parte de um projeto megalomaníaco que envolve o imperador Qin. Diz a lenda que a idéia do Imperador – responsável pela unificação da China – era continuar seu reinado pós-vida, e para isso mandou construir um exército completo – incluindo cavalos – para comandar quando passasse dessa pra melhor. Uau, melhor mesmo! Até hoje as escavações continuam e estima-se que haja cerca de 7.000 guerreiros no total, detalhe: em tamanho real e com a sutileza de cada rosto ser totalmente diferente um do outro.
Agora preciso me desculpar por ter usado o efeito miniatura em algumas fotos, hehe…
Se você acha que vai tirar foto se apoiando no guerreiro-amigo, esquece. Você só pode obeservá-los da parte de cima do galpão. Para ver de pertinho, só com as peças expostas no museu do complexo ou no Shaanxi History Museum.
Uma dica válida para visitar os Guerreiros de uma forma interessante é visitar os poços (ou pits) de forma inversa: Primeiro o Pit nº 3, depois o 2 e deixe a cereja do bolo por último: o Pit nº 1! Assim você vai se surpreendendo gradualmente.
Vamos esclarecer algumas coisas: Depois de viajar 4 meses, infelizmente nem tudo parecia mais novidade para nós. Muitas vezes chegávamos em uma cidade e não visitávamos todas as atrações turísticas, andar pela cidade já estava bom. Já estávamos um pouco saturados de templos chineses, pagodas ou feirinhas noturnas do Sudeste Asiático, portanto não visitamos (por dentro) a Bell Tower, a Drum Tower, o Big Goose Pagoda, nem demos a volta por cima da muralha de Xiaan de bicicleta – coisa que eu até teria feito se não fosse o calor de mais de 30°. Mas claro que não podíamos deixar de visitar o Shaanxi History Museum, dito um dos melhores museus da China.

O Museu é gratuito caso você apresente algum documento de identificação (passaporte) – isso é ótimo, mas por outro lado, causa uma fila absurda na bilheteria. A recomendação é a de sempre: Chegue cedo para evitar as multidões. Acordar cedo? Sempre tentamos, nunca conseguimos. Por isso acompanhamos os milhões de turista que lotam o museu, de fato. O Museu é bom embora seja meio carente de mais explicações em inglês. O problema mesmo é ter que ficar disputando à tapa um lugarzinho para apreciar as peças. Cansa mesmo. E depois da cagada que fizemos de ir andando do hostel até o Museu – que é bem longe – ficou mais cansativo ainda. Pegue um ônibus ou um metrô, meu amigo, economize sua energia! O Museu foi bom para complementar com o que já tínhamos visto dos Guerreiros de Terracota.

Ficamos num quarto compartilhado por 45yuans (cada) no ótimo Xiangzamen Hostel. Embora a cerveja tenha o preço extorsivo de 15 yuans por uma long neck (!) a localização era muito boa dentro da Old Town. Pegamos um compartilhado porque os preços dos quartos de casal nos hostels da Old Town eram muito caros, por volta dos 150 yuans. O hostel era bem bonito mesmo, todo antigo, lindo, cheio de sofás e mesas, bem gostoso. Percebemos que quanto mais nos aproximávamos de Beijing, mais caras as coisas iam se tornando.

De lá tínhamos 2 opções para sair da cidade até Luoyang: o speed train que demorava 2h e custava cerca de 125yuans ou o trem normal, no hard seat que custava 55yuans. Algo deve ter batido na minha cabeça porque eu disse: “Aventura! Vamos testar o hard seat!”. 5 horas de viagem e lá estávamos nós amaldiçoando a aventura…rs… Tá, não foi tão mal, os bancos não eram de madeira mas também não reclinavam. O Rô quase não podia esticar a perna (aliás, raros momentos em que ele pode esticar as pernas). Pelo menos conhecemos um chinês bem legal que falava inglês super bem e tornou nossa viagem mais curta. Mas hoje em dia eu teria ido de speed train, só para ver qual que é…rs…

Já começamos a nos agarrar nas rebarbas do fim da viagem: Templo Shaolin e as Longmen Caves a seguir!
* Uma curiosidade sobre o desenho acima: as vezes o Ro pegava algumas coisas aleatórias na rua para colar no caderno, como esses dois adesivos acima (o em vermelho e o outro em preto) com os caracteres chineses e o número de telefone que foram encontrados colados em algum semáforo, não lembro. Quando os chineses pegavam o caderno dele para ver as ilustrações e viam esses adesivos ficavam muito chocados, colocando a mão na boca. Alguns inclusive até tentaram arrancar o adesivo do caderno, dizendo: “Not good, not good!”. Bem, por fim descobrimos que se trata de um adesivo oferecendo vários serviços considerados ilegais, um deles é “entramos em sites proibidos”, rs…

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Desenhos do post diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo.