De bem com Shangri-la

Ainda das nossas aventuras em Shangri-la.

Pegamos as bikes e resolvemos dar uma volta ao redor do Napa Lake. São cerca de 30km a volta completa e a volta pela rodovia tem uma subida matadora. O lago nessa época não está no seu ápice, mas ainda assim havia água. Amo pedalar escutando música no iPod.
Estávamos pedalando há 1h30 quando fomos interceptados por um tiozinho num ticket office. Ele queria cobrar 50yuans por cabeça para podermos pedalar em volta do lago. Dei uma de louca, fingi que não estava entendendo nada e no fim vencemos o tiozinho pelo cansaço, rs… Lembre-se de levar água e comidinhas para o caminho, já que não é possível encontrar absolutamente nada para comprar.
No nosso último dia em Shangri-la resolvemos visitar o famoso Ganden Sumtseling Stompa, um dos mais famosos monastérios do sudoeste da China. Uma chinesa disse que havia uma entrada na lateral do monastério onde podíamos entrar sem pagar os 85yuans extorsivos cobrados na entrada. Tenha dó né… pagar 85yuans para entrar num monastério! Tudo bem que era lindo, mas dizem os monges que a grana nem vai para o monastério, vai para o turismo da cidade. Bem, fomos pela entrada free.
As pinturas nas paredes são absurdas e a vista lá do alto a coisa mais linda do mundo. É tudo absolutamente perfeito. Algumas partes estavam em reforma.
De volta à cidade, dias muito tranquilos. Ficamos hospedados no N´s Kitchen & Lodge (120 yuans quarto duplo) onde a energia elétrica acabava pelo menos 3 vezes por dia por causa dos preparativos para a festa de comemoração da fundação da cidade. Detalhe que a luz só acabava na nossa rua. Mas tudo bem, eles tem um sanduíche mais do que excelente de carne de iaque, acho que a melhor carne que comemos durante a viagem competindo com o memorável bife à Lisboa em Macau. A carne de iaque em Shangri-la está para a carne de lhama na Bolívia, de-li-ci-o-sa.

Todos os dias por volta das 19h, íamos até a Dancing Square onde os locais formam uma roda e ficam dançando até a noite, por pura diversão.
Dançar junto com eles foi uma das experiências mais legais que tive nessa viagem, nessa cidade linda e com o céu colorindo devagarinho. Sim amigos, 20h da noite o céu ainda é azul. Culpa do Partido Comunista que adotou um único fuso horário para um país que deveria ter 4 zonas de tempo diferentes.

No meio da cidade tem um templo e no meio uma roda dourada. É preciso girá-la 3 vezes mas isso só é possível com a ajuda de todo o mundo porque ela é super pesada. Suponho que um desejo deva ser feito. Poderia ter desejado que aqueles dias em Shangri-la nunca acabassem.
E a vista, pouco feia?
Essa cidade me passou uma energia muito boa, sensações positivas, já está guardada no meu peito como o amor de um marinheiro que foi embora e me deixou no cais esperando pela volta.
Traímos o movimento! Compramos uma passagem de avião para voar de Shangrila até Chengdu. Se não tivéssemos feito isso teríamos que pegar um ônibus de volta a Lijiang, de lá outro ônibus para KunMing e de lá um trem até Chengdu. Só aí iam mais uns dias brincando e a diferença de valor não era tão grande, pagamos $100 por cada passagem comprando 3 dias antes. Aliás, descobrimos o excelente site CTrip para comprar passagens baratas na China. Nossa, mas quanta justificativa só para dizer que compramos uma passagem de avião. Mas é verdade, tem mochileiro que te olha torto se você contar que não vai fazer um trecho por terra, rs…
Voando, voando, vamos até a Terra dos Pandas!

_____ Desenhos do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo.

Fui pra lá: Shangri-la!

Em Lijiang fomos até a estação de ônibus e por 70yuans compramos nossa passagem de ônibus para Shangri-la. Muita lama e um acidente no meio do caminho fez nossa viagem durar cerca de 5h em vez das 4h usuais, mas a construção de uma nova via expressa promete aliviar a estrada para os futuros viajantes. Mas tudo bem, além da paisagem do caminho ser incrível, o nosso ônibus tinha uma ótima seleção de filmes trash chineses, contando com o Missão Impossível 3.

Havia uma paisagem no meio do caminho…

Chegar na cidade foi um alívio, o número de turistas é infinitamente menor comparando com Lijiang. Até alguns anos Shangri-la era chamada Zhongdian, mas numa jogada de marketing e numa tentativa de se tornar um pólo turístico como Lijiang, a cidade mudou seu nome para Shangri-La, a cidade mística do livro Horizonte Perdido de James Hilton. A cidade está no caminho para se tornar a nova Lijiang com as inúmeras lojinhas de souvenir, restaurantes e cafés carinhos na Old Town, mas ainda está longe de atrair as enormes multidões de Lijiang. Ainda bem. Acho que um dos principais fatores é a altitude: os 3.200 metros acima do nível do mar podem ser um empecilho para muitos turistas. Nunca para mim! Compro uma máscara de oxigênio, mas não saio de Shangri-la!

A old town é bem pequena e acho que em um dia já é possível dar a volta inteira nela. As casas são diferentes de tudo o que já vi na minha vida. Isso que eu gosto na China, cada cidadezinha que chegamos tem suas particularidades e isso me mostra como o ser humano pode ser tão diverso e criativo, mesmo dentro de um mesmo país.
Shangri-la é linda com um pézinho no Tibet. É como se entrassemos em um outro país. As crianças com os rostos queimadinhos, os artesanatos coloridos, o vento gelado, me lembrou muito a Bolívia que é um dos países que mais gosto no mundo.

No lugar da lhama o iaque, por sinal dois animais muito saborosos – e me desculpem por pensar em comida quando falo em animais! =(

Iaque… hummm delicioso! Digo! Lindo!

Estávamos andando pela cidade quando resolvemos entrar em um Museu que viemos a descobrir: o tema era a Grande Marcha comunista enaltecendo os Guardas Vermelhos. Fiquei absolutamente chocada ao ver como a História é distorcida, não dá para ler as explicações sem sentir raiva. Isso me lembrou o dia em que estávamos num quarto compartilhado em KunMing e começamos a conversar com um chinês. Ele disse: Nossa, mas eu não entendo porque estrangeiros precisam de permissão para entrar no Tibet. Quer dizer: os caras não fazem absolutamente a menor idéia do que acontece no Tibet,  na China ou fora da China. A informação é totalmente controlada e a História é distorcida ao bel-prazer do Partido Comunista. Ouvi dizer que a programação da TV tem um atraso de 9 segundos que é o tempo suficiente para a censura tirar o canal do ar caso haja algo contraditório ao Partido.

Bem, Shangri-la foi uma das minhas cidades preferidas da viagem e achei que um post já mostrando tudo sobre Shangri-la não seria justo… Tem que rolar uma strip-tease, mostrando tudo aos pouquinhos… Já tiramos algumas peças de roupa de Shangri-la, no próximo post vemos a cidade toda nua, especialmente para vocês! 😉
Desenhos do post diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo.