Havia uma Muralha no meio do caminho

A Muralha começou a ser construída em cerca de 221 a.C e demorou quase dois milênios para ficar pronta. Seu objetivo era proteger os chineses de invasões do povo do Norte. Ao contrário do que muitos podem imaginar, a Muralha não é uma construção única, são várias Muralhas. Há trechos em que precípicios e penhascos são defesas naturais, portanto não foi preciso erguer um muro como proteção.

Bem, nos nossos últimos dias havíamos ouvido todo tipo de depoimento sobre a Muralha da China… relatos de que era possível alcançar a Muralha através de transporte público mas com a condição de que se chegasse cedo para evitar as multidões, já que esse trecho era extremamente turístico e popular. Esse trecho facilmente acessível a partir de Beijing se chama Badaling e é totalmente restaurado, cheio de vendedores ambulantes e feito na medida para turistas. O Andrei – o brasileiro que conhecemos em Luoyang – havia feito um hiking pelo hostel Beijing Backpackers e era exatamente isso que queríamos: dar um rolê pela Muralha, não simplesmente chegar lá, fotografar e ir embora. Mas o trecho que ele havia visitado era restaurado e queríamos algo um pouco mais autêntico. E agora?

Abri o Lonely Planet e a indicação era um hiking por uma empresa chamada Beijing Hikers. O preço não era dos mais baratos, 350yuans (dá uns 56 dólares). Quer dizer, não era dos mais baratos se você comparasse com outros pacotes de $30 que vendiam por aí, mas já tínhamos ouvido muita história de que esses pacotes eram furadas, que os caras te levavam para visitar várias lojinhas de souvenir antes de chegar na Muralha, ficavam lá uma hora e iam embora. Tomem cuidado com isso! Meio receosos por causa do tempo que andava fechado e de céu branco, meio traumatizados com todas as experiências anteriores de ter ido em tours que eram uma furada, resolvemos confiar e fechar com o Beijing Hikers.

É claro que você consegue chegar nos trechos menos badalados da Muralha sozinho, mas de qualquer forma você vai depender de taxistas e de encontrar pessoas no caminho que te ajudem a chegar a esses lugares… O Lonely Planet (edição Maio 2011) tem um capítulo todo sobre a Muralha e como chegar nesses trechos menos pop e para ser bem sincera, tudo parecia meio complicado, com exceção do trecho Badaling como eu já disse antes.

Bom, o Beijing Hikers oferece diferentes trechos da Muralha, geralmente às Quintas, Quartas, Sábados e Domingos, tem que entrar no site para ver quais são as próximas datas. E os trechos que eles visitam sempre mudam. Na programação eles contam a história do trecho a ser visitado e o nível de dificuldade e vou te dizer: sob um sol de 40graus pode não ser tão fácil quanto parece, tivemos uns velhinhos no nosso grupo que quase sucumbiram.

O trecho que fizemos pode estar disponível quando vocês forem ou não… nunca se sabe. Escolhemos um tour no sábado chamado Gubeikou Great Wall Loop, quando vimos que a descrição do trecho começava assim: “Se você não é bom com alturas não recomendamos essa seção da Muralha” pensamos: É esse mesmo!

No e-mail que eles enviam com a confirmação de que você está no grupo, há também recomendações do que levar – protetor solar, uma mochila para carregar água, lanchinhos e outras dicas amigas. Passamos no mercado um dia antes para comprar algumas coisas para comer, a água eles fornecem. Olha… vou te dizer que eles fizeram cada pessoa carregar 8 garrafas de meio litro cada na mochila e mesmo assim a nossa água acabou. E posso dizer? Foi demais!!!

Os caras eram super atenciosos, os guias eram um inglês, uma americana e um jovem chinês… ônibus bom, deram chocolatinho e tudo mais. Ufa, finalmente fomos mimados na China! E o que dizer do trecho Gubeikou que visitamos na Muralha?
Uau. Um muro nunca foi tão incrível. A maior parte dessa seção não é restaurada… é engraçado que você caminha pela Muralha e nem percebe que está na Muralha, o chão é meio de terra e pedra… usamos nossos tênis de sempre e embora eles recomendem calçado específico para Hiking não tivemos nenhum problema.

É como se a Muralha fizesse parte natural daquela paisagem, ela estica até onde a vista alcança. É impressionante mesmo, emocionante caminhar numa das Maravilhas do Mundo e pensar em todo o trabalho humano para se erguer uma estrutura como essa.

E essa vista?

O interessante desse hiking é que você não precisava andar em grupo o tempo todo, uma guia ia na frente, outro no meio e um fechava a fila. A guia da frente ia colocando umas fitas vermelhas pelo caminho quando havia dúvida de qual trecho seguir… sim, ao contrário do que muitos pensam a Muralha não é um caminho óbvio, há alguns pedaços em que você realmente fica confuso.

O legal disso tudo é que às vezes eu e o Rô ficávamos bem afastados de todo mundo e parecia que só havia nós dois na Muralha. Também estávamos andando bem devagar, atrás da gente e bem longe só tinha o casal de vehinhos com o último guia. Cansa? Cansa! A aventura durou cerca de 3 ou 4 horas, fizemos várias pausas para comer algumas das coisas que havíamos trazido, para descansar e tomar uma água, porque estava quente mesmo! A Muralha é intercalada por torres de observação que estavam bem detonadas, algumas cheias de destroços e era lá que tínhamos sombra fresca.
Quando eu já estava começando a achar que não ia conseguir mais e minha água já pingava suas últimas gotas era hora de voltar, quer dizer: para mim esse tempo foi mais do que suficiente. Ah, detalhe: não tem nada de barraquinha para comprar água no caminho… se cruzamos com umas 3 pessoas que não faziam parte do grupo foi muito. Depois disso descemos por um trecho da Muralha, voltamos para a van  e fomos almoçar num restaurante muito bom! Incluso no preço.

Andar na Muralha do jeito que fizemos, foi definitivamente um presente para fechar a viagem com chave de ouro. Foi lindo, muito mais lindo do que eu esperava. O céu finalmente brilhava azul.

Beijing código 798

Bem, enquanto percorríamos a China, antes de chegar em Beijing, cruzamos com vários viajantes que possuíam um conselho que fazia os olhos de quem contava brilhar: “Vocês TEM que ir para o 798!”. O que a princípio parecia ser um código secreto aos poucos foi ficando mais claro: o 798 é uma espécie de bairro incrível das artes de Beijing… Vamos pensar em uma Vila Madalena de São Paulo só que em ruas que abrigavam um antigo complexo de fábricas… chaminés, maquinarias desativadas e paredes com os tijolos expostos que guardam dentro de si mundos coloridos.
Nas ruas do complexo, arte inusitada para tudo quanto é canto, as esculturas mais cool que eu já vi junto à paredes desenhadas que pareciam querer gritar alguma coisa.

Construído nos anos 50, o 798 era uma das fábricas militares responsáveis pela fabricação de eletrônicos. Depois de abandonado, artistas começaram a usar esses espaços como ateliês e hoje galerias, cafés charmosos e lojinhas com bugigangas descoladas autenticamente Made in China compõem um universo bastante inusitado. Bem vindos ao 798, o Distrito das Artes!

Para chegar até lá, há várias opções de ônibus, o Lonely Planet indica pegar o metrô até a Sanyuanqiao Station e depois pegar o ônibus 401 até Dàshanzi Lukonuan. Nota: Os ônibus tem um marcador de cada ponto em que para, as luzinhas vão se acendendo… Então você pode ficar de olho para poder descer, mas é sempre bom levar o nome do lugar anotado em um papelzinho.

Fiquei só um pouco decepcionada com as lojinhas… estávamos no fim da viagem e na pegada de levar algumas lembrancinhas bacanas, mas não encontramos nada muito surpreendente que já não tivéssemos visto antes… Cavando muito é possível tirar alguma coisa de lá, mas ainda sim, muita coisa que eu acabei vendo no bairro da Liberdade (em São Paulo) depois.

A maioria dos restaurantes são caros, muito caros mesmo… No primeiro dia em que visitamos o 798, acabamos comendo num lugar caro, mas no segundo dia – sim, nós fomos lá duas vezes! – conseguimos encontrar alguns restaurantes mais em conta em ruelas estreitas. O bairro é bem grande, e vale muito tirar um dia para explorar todas as suas galerias.

Xinglingling: em Beijing!

Olha só gente… vou pedir desculpas desde já, mas os posts de Beijing estão meio desfalcados em relação à informações de como se chegar aos lugares ou valores de comida, ingressos, etc., porque só estou escrevendo ele hoje – dia 4 de outubro – ou seja: 3 meses depois de ter voltado da Ásia! Posso recompensar colocando mais fotos do que o normal?

Começamos com os clássicos da cidade, aquelas atrações que se você contar que foi para Beijing e não visitou, vão te olhar torto e dizer: “Então você não foi para Beijing!”

Water Cube e o Bird’s Nest
Tanta coisa para fazer em Beijing… e na primeira noite resolvemos visitar o famoso Cubo D’Água e o Ninho de Passarinho, ambos construídos para abrigar as competições olímpicas em 2008. À noite é bonito de lascar… não chegamos a entrar, mas a grandiosidade do Parque Olímpico com os ginásios iluminados, faz o céu escuro mais bonito. Mesmo com chuva.
Oh yeah! Fácil de chegar, tem uma estação de metrô que te deixa na cara!

Summer Palace
A corte imperial também tem que descansar, e em vez de uma casa de praia com vista para o mar, porquê não um complexo de jardins, pontes, pavilhões e corredores em volta de um gigante lago artificial? Soa muito megalomaníaco? Na China é assim!

Apesar do nome – Palácio de Verão – no dia em que fomos visitar o complexo, não achamos tão Verão assim… explica-se: estávamos debaixo dos famosos céus poluídos brancos de Beijing.

Tá vendo alguma coisa? Bemmm lá no fundo?

Comprando o ticket simples você tem acesso ao complexo… mas não tem acesso à outros lugares fechados lá dentro. Você pode optar por comprar o ticket simples e pagar individualmente por esses lugares fechados ou pode comprar o ticket completo, que é mais caro e te dá acesso a todos esses outros lugares fechados. Nós optamos pelo ticket simples e pagamos apenas para visitar o Temple of Buddhist Incense que oferece aquela vista arranca-toco do topo. Um céu azul e um sol amarelo não fariam mal, juro!
O complexo é enorme… se você tiver pernas fortes e disposição… dá para passar sim o dia inteiro lá passeando! Você pode percorrer o perímetro do lago a pé, ou pode alugar um barquinho para cruzar o rio.

O marble boat (barco de mármore)

Eu já contei mais de mil vezes que nós já tivemos uma overdose de templos chineses antes de chegar em Beijing, mas ainda sim o Summer Palace tem alguns detalhes que tocam até a vista mais enjoada.

Não toca?

O Imperador mal sabia que um dia poderia chegar de metrô no Summer Palace. Só descer na estação Beigongmén e dar uma andada rápida.

Forbidden City
A Cidade Proibida, já não mais tão proibida assim… Ai se o Imperador dá um flagrante numa cena dessas:
Cabeças vão rolar. A Cidade Proibida é uma loucura de multidões. Ponha a meia de algodão, o óculos de sol e encha seu espírito de paciência. Sério, isso bodeou muito. Confesso que ir na Cidade Proibida foi muito mais uma obrigação do que um prazer. Cruzamos meio sem paciência por ela e foi um alívio se livrar das multidões. Não quero que vocês achem que estou brincando, mas deem uma olhada:
Aha! Achou que ia tirar uma foto sozinho com a Cidade Proibida no fundo né? Calma, você ainda tem chance. As pessoas se amontoam em lugares específicos, por vezes é possível ter alguns momentos de escape – e poesia – em plena Cidade Proibida.
E aqui vai uma dica-amiga: ao sair da Cidade Proibida, cruze a rua e dê uma passada no Jingshan Park, subindo até o topo do morro que tem lá. Nosso melhor contato com a Cidade Proibida, foi a vista livre que tivemos lá de cima.

O amiguinho aí já entendeu como ver a Cidade Proibida sem ser importunado.

Temple of Heaven

Ops! Agora podem me olhar torto e dizer que eu não estive em Beijing, não visitamos o temple of Heaven. Fica para a próxima! 😉

>>>> DICAS
É verdade que chegar cedo nos lugares evita as multidões? Pode ser que evite sim, mas não por muito tempo. Chegar cedo vai te dar apenas alguns minutos a mais de ar puro e vai te deixar de mau humor pelo resto do dia por ter acordado cedo. Vale a pena? Eu e o Rô desistimos de lutar contra as multidões, tem que ir para o lugar sabendo que você vai encontrar milhares de turistas e… paciência! A China é dos chineses.

Cotinuamos nos arredores de Beijing nos próximos posts!

O que tem de errado nesta imagem? Resposta: Uma chinesa andando sozinha.