Eu Made in China

Uma das coisas que mais aprecio ao viajar é a possibilidade de aprender mais sobre outras culturas de uma forma totalmente… interativa. Você não percebe que está aprendendo, mas está. Quer dizer… o que era a China para mim antes disso? A China na minha imaginação era um lugar tão zoneado e poluído que eu me imaginava andando com uma máscara de oxigênio por lá. A China para mim era o lugar de onde vinham todas as bugigangas do mundo. E agora?

Viajamos pela China e vi suas nuances. Andamos de bicicleta pelos campos e vimos pessoas muito pobres… andamos por cidades muito ricas com um prédio brotando em cada esquina. Conversamos com pessoas e pudemos ter um vislumbre do que é viver num país comunista – com censura e tudo o mais. Algumas tarefas simples para nós – como acessar o Facebook – são verdadeiros obstáculos para os jovens que vivem lá. Eu senti o medo dessas pessoas.

Visitamos os Museus e pudemos ver o poder e a influência do Partido Comunista, como eles podem moldar a História a seu favor, como eles controlam as pessoas com isso. Quem já leu 1984 do George Orwell vai ler a China nesse livro. Não há teletelas, mas quem for na Praça Celestial – depois de ter a bolsa revistada – vai ficar chocado com as grades que cercam a Praça e as câmeras vigilantes que a cobrem. O verdadeiro Big Brother.

Saí da China cansada… irritada por ser cobrada o tempo todo. Cansada dos chineses querendo tirar fotos nossas o tempo todo, de entrar num restaurante e ser a atração e de estar sempre sendo observada. Mas como posso condenar isso? Um país que há 30 anos atrás não tinha perspectiva nenhuma e que hoje caminha para ser a primeira economia do mundo. Um país que se abriu há tão pouco tempo e que olha agora fascinado e curioso para os turistas que passam por lá.

Saí da China com saudade… com gratidão por todos os chineses incríveis que cruzaram nossos caminhos, a chinesa desconhecida na rua que nos ajudou a pegar um ônibus em Guilin, o chinês que veio conversando conosco no trem para Pingyao, todos os chineses que tiraram fotos conosco e até os chineses que riram da nossa cara quando tentamos pedir comida no restaurante – e por que não, os chineses que nos ajudaram a pedir comida no restaurante.

Os chineses que nos ensinaram a jogar xadrez, o chinês que nos ajudou a chegar até o consulado para tirar nosso visto. Eu gostaria de saber os nomes de cada um deles, mas vocês sabem, é muito complicado. Vou guardar suas histórias.

Vocês conseguem entender? Sobre a China não se fala em um post. A China é uma relação de amor e ódio… e eu não vejo a hora de voltar para lá!

Havia uma Muralha no meio do caminho

A Muralha começou a ser construída em cerca de 221 a.C e demorou quase dois milênios para ficar pronta. Seu objetivo era proteger os chineses de invasões do povo do Norte. Ao contrário do que muitos podem imaginar, a Muralha não é uma construção única, são várias Muralhas. Há trechos em que precípicios e penhascos são defesas naturais, portanto não foi preciso erguer um muro como proteção.

Bem, nos nossos últimos dias havíamos ouvido todo tipo de depoimento sobre a Muralha da China… relatos de que era possível alcançar a Muralha através de transporte público mas com a condição de que se chegasse cedo para evitar as multidões, já que esse trecho era extremamente turístico e popular. Esse trecho facilmente acessível a partir de Beijing se chama Badaling e é totalmente restaurado, cheio de vendedores ambulantes e feito na medida para turistas. O Andrei – o brasileiro que conhecemos em Luoyang – havia feito um hiking pelo hostel Beijing Backpackers e era exatamente isso que queríamos: dar um rolê pela Muralha, não simplesmente chegar lá, fotografar e ir embora. Mas o trecho que ele havia visitado era restaurado e queríamos algo um pouco mais autêntico. E agora?

Abri o Lonely Planet e a indicação era um hiking por uma empresa chamada Beijing Hikers. O preço não era dos mais baratos, 350yuans (dá uns 56 dólares). Quer dizer, não era dos mais baratos se você comparasse com outros pacotes de $30 que vendiam por aí, mas já tínhamos ouvido muita história de que esses pacotes eram furadas, que os caras te levavam para visitar várias lojinhas de souvenir antes de chegar na Muralha, ficavam lá uma hora e iam embora. Tomem cuidado com isso! Meio receosos por causa do tempo que andava fechado e de céu branco, meio traumatizados com todas as experiências anteriores de ter ido em tours que eram uma furada, resolvemos confiar e fechar com o Beijing Hikers.

É claro que você consegue chegar nos trechos menos badalados da Muralha sozinho, mas de qualquer forma você vai depender de taxistas e de encontrar pessoas no caminho que te ajudem a chegar a esses lugares… O Lonely Planet (edição Maio 2011) tem um capítulo todo sobre a Muralha e como chegar nesses trechos menos pop e para ser bem sincera, tudo parecia meio complicado, com exceção do trecho Badaling como eu já disse antes.

Bom, o Beijing Hikers oferece diferentes trechos da Muralha, geralmente às Quintas, Quartas, Sábados e Domingos, tem que entrar no site para ver quais são as próximas datas. E os trechos que eles visitam sempre mudam. Na programação eles contam a história do trecho a ser visitado e o nível de dificuldade e vou te dizer: sob um sol de 40graus pode não ser tão fácil quanto parece, tivemos uns velhinhos no nosso grupo que quase sucumbiram.

O trecho que fizemos pode estar disponível quando vocês forem ou não… nunca se sabe. Escolhemos um tour no sábado chamado Gubeikou Great Wall Loop, quando vimos que a descrição do trecho começava assim: “Se você não é bom com alturas não recomendamos essa seção da Muralha” pensamos: É esse mesmo!

No e-mail que eles enviam com a confirmação de que você está no grupo, há também recomendações do que levar – protetor solar, uma mochila para carregar água, lanchinhos e outras dicas amigas. Passamos no mercado um dia antes para comprar algumas coisas para comer, a água eles fornecem. Olha… vou te dizer que eles fizeram cada pessoa carregar 8 garrafas de meio litro cada na mochila e mesmo assim a nossa água acabou. E posso dizer? Foi demais!!!

Os caras eram super atenciosos, os guias eram um inglês, uma americana e um jovem chinês… ônibus bom, deram chocolatinho e tudo mais. Ufa, finalmente fomos mimados na China! E o que dizer do trecho Gubeikou que visitamos na Muralha?
Uau. Um muro nunca foi tão incrível. A maior parte dessa seção não é restaurada… é engraçado que você caminha pela Muralha e nem percebe que está na Muralha, o chão é meio de terra e pedra… usamos nossos tênis de sempre e embora eles recomendem calçado específico para Hiking não tivemos nenhum problema.

É como se a Muralha fizesse parte natural daquela paisagem, ela estica até onde a vista alcança. É impressionante mesmo, emocionante caminhar numa das Maravilhas do Mundo e pensar em todo o trabalho humano para se erguer uma estrutura como essa.

E essa vista?

O interessante desse hiking é que você não precisava andar em grupo o tempo todo, uma guia ia na frente, outro no meio e um fechava a fila. A guia da frente ia colocando umas fitas vermelhas pelo caminho quando havia dúvida de qual trecho seguir… sim, ao contrário do que muitos pensam a Muralha não é um caminho óbvio, há alguns pedaços em que você realmente fica confuso.

O legal disso tudo é que às vezes eu e o Rô ficávamos bem afastados de todo mundo e parecia que só havia nós dois na Muralha. Também estávamos andando bem devagar, atrás da gente e bem longe só tinha o casal de vehinhos com o último guia. Cansa? Cansa! A aventura durou cerca de 3 ou 4 horas, fizemos várias pausas para comer algumas das coisas que havíamos trazido, para descansar e tomar uma água, porque estava quente mesmo! A Muralha é intercalada por torres de observação que estavam bem detonadas, algumas cheias de destroços e era lá que tínhamos sombra fresca.
Quando eu já estava começando a achar que não ia conseguir mais e minha água já pingava suas últimas gotas era hora de voltar, quer dizer: para mim esse tempo foi mais do que suficiente. Ah, detalhe: não tem nada de barraquinha para comprar água no caminho… se cruzamos com umas 3 pessoas que não faziam parte do grupo foi muito. Depois disso descemos por um trecho da Muralha, voltamos para a van  e fomos almoçar num restaurante muito bom! Incluso no preço.

Andar na Muralha do jeito que fizemos, foi definitivamente um presente para fechar a viagem com chave de ouro. Foi lindo, muito mais lindo do que eu esperava. O céu finalmente brilhava azul.

Beijing código 798

Bem, enquanto percorríamos a China, antes de chegar em Beijing, cruzamos com vários viajantes que possuíam um conselho que fazia os olhos de quem contava brilhar: “Vocês TEM que ir para o 798!”. O que a princípio parecia ser um código secreto aos poucos foi ficando mais claro: o 798 é uma espécie de bairro incrível das artes de Beijing… Vamos pensar em uma Vila Madalena de São Paulo só que em ruas que abrigavam um antigo complexo de fábricas… chaminés, maquinarias desativadas e paredes com os tijolos expostos que guardam dentro de si mundos coloridos.
Nas ruas do complexo, arte inusitada para tudo quanto é canto, as esculturas mais cool que eu já vi junto à paredes desenhadas que pareciam querer gritar alguma coisa.

Construído nos anos 50, o 798 era uma das fábricas militares responsáveis pela fabricação de eletrônicos. Depois de abandonado, artistas começaram a usar esses espaços como ateliês e hoje galerias, cafés charmosos e lojinhas com bugigangas descoladas autenticamente Made in China compõem um universo bastante inusitado. Bem vindos ao 798, o Distrito das Artes!

Para chegar até lá, há várias opções de ônibus, o Lonely Planet indica pegar o metrô até a Sanyuanqiao Station e depois pegar o ônibus 401 até Dàshanzi Lukonuan. Nota: Os ônibus tem um marcador de cada ponto em que para, as luzinhas vão se acendendo… Então você pode ficar de olho para poder descer, mas é sempre bom levar o nome do lugar anotado em um papelzinho.

Fiquei só um pouco decepcionada com as lojinhas… estávamos no fim da viagem e na pegada de levar algumas lembrancinhas bacanas, mas não encontramos nada muito surpreendente que já não tivéssemos visto antes… Cavando muito é possível tirar alguma coisa de lá, mas ainda sim, muita coisa que eu acabei vendo no bairro da Liberdade (em São Paulo) depois.

A maioria dos restaurantes são caros, muito caros mesmo… No primeiro dia em que visitamos o 798, acabamos comendo num lugar caro, mas no segundo dia – sim, nós fomos lá duas vezes! – conseguimos encontrar alguns restaurantes mais em conta em ruelas estreitas. O bairro é bem grande, e vale muito tirar um dia para explorar todas as suas galerias.

Xinglingling: em Beijing!

Olha só gente… vou pedir desculpas desde já, mas os posts de Beijing estão meio desfalcados em relação à informações de como se chegar aos lugares ou valores de comida, ingressos, etc., porque só estou escrevendo ele hoje – dia 4 de outubro – ou seja: 3 meses depois de ter voltado da Ásia! Posso recompensar colocando mais fotos do que o normal?

Começamos com os clássicos da cidade, aquelas atrações que se você contar que foi para Beijing e não visitou, vão te olhar torto e dizer: “Então você não foi para Beijing!”

Water Cube e o Bird’s Nest
Tanta coisa para fazer em Beijing… e na primeira noite resolvemos visitar o famoso Cubo D’Água e o Ninho de Passarinho, ambos construídos para abrigar as competições olímpicas em 2008. À noite é bonito de lascar… não chegamos a entrar, mas a grandiosidade do Parque Olímpico com os ginásios iluminados, faz o céu escuro mais bonito. Mesmo com chuva.
Oh yeah! Fácil de chegar, tem uma estação de metrô que te deixa na cara!

Summer Palace
A corte imperial também tem que descansar, e em vez de uma casa de praia com vista para o mar, porquê não um complexo de jardins, pontes, pavilhões e corredores em volta de um gigante lago artificial? Soa muito megalomaníaco? Na China é assim!

Apesar do nome – Palácio de Verão – no dia em que fomos visitar o complexo, não achamos tão Verão assim… explica-se: estávamos debaixo dos famosos céus poluídos brancos de Beijing.

Tá vendo alguma coisa? Bemmm lá no fundo?

Comprando o ticket simples você tem acesso ao complexo… mas não tem acesso à outros lugares fechados lá dentro. Você pode optar por comprar o ticket simples e pagar individualmente por esses lugares fechados ou pode comprar o ticket completo, que é mais caro e te dá acesso a todos esses outros lugares fechados. Nós optamos pelo ticket simples e pagamos apenas para visitar o Temple of Buddhist Incense que oferece aquela vista arranca-toco do topo. Um céu azul e um sol amarelo não fariam mal, juro!
O complexo é enorme… se você tiver pernas fortes e disposição… dá para passar sim o dia inteiro lá passeando! Você pode percorrer o perímetro do lago a pé, ou pode alugar um barquinho para cruzar o rio.

O marble boat (barco de mármore)

Eu já contei mais de mil vezes que nós já tivemos uma overdose de templos chineses antes de chegar em Beijing, mas ainda sim o Summer Palace tem alguns detalhes que tocam até a vista mais enjoada.

Não toca?

O Imperador mal sabia que um dia poderia chegar de metrô no Summer Palace. Só descer na estação Beigongmén e dar uma andada rápida.

Forbidden City
A Cidade Proibida, já não mais tão proibida assim… Ai se o Imperador dá um flagrante numa cena dessas:
Cabeças vão rolar. A Cidade Proibida é uma loucura de multidões. Ponha a meia de algodão, o óculos de sol e encha seu espírito de paciência. Sério, isso bodeou muito. Confesso que ir na Cidade Proibida foi muito mais uma obrigação do que um prazer. Cruzamos meio sem paciência por ela e foi um alívio se livrar das multidões. Não quero que vocês achem que estou brincando, mas deem uma olhada:
Aha! Achou que ia tirar uma foto sozinho com a Cidade Proibida no fundo né? Calma, você ainda tem chance. As pessoas se amontoam em lugares específicos, por vezes é possível ter alguns momentos de escape – e poesia – em plena Cidade Proibida.
E aqui vai uma dica-amiga: ao sair da Cidade Proibida, cruze a rua e dê uma passada no Jingshan Park, subindo até o topo do morro que tem lá. Nosso melhor contato com a Cidade Proibida, foi a vista livre que tivemos lá de cima.

O amiguinho aí já entendeu como ver a Cidade Proibida sem ser importunado.

Temple of Heaven

Ops! Agora podem me olhar torto e dizer que eu não estive em Beijing, não visitamos o temple of Heaven. Fica para a próxima! 😉

>>>> DICAS
É verdade que chegar cedo nos lugares evita as multidões? Pode ser que evite sim, mas não por muito tempo. Chegar cedo vai te dar apenas alguns minutos a mais de ar puro e vai te deixar de mau humor pelo resto do dia por ter acordado cedo. Vale a pena? Eu e o Rô desistimos de lutar contra as multidões, tem que ir para o lugar sabendo que você vai encontrar milhares de turistas e… paciência! A China é dos chineses.

Cotinuamos nos arredores de Beijing nos próximos posts!

O que tem de errado nesta imagem? Resposta: Uma chinesa andando sozinha.

Pondo a China na balança

Eu confesso: eu não estava preparada para Beijing. Também vou confessar outra coisa: Quando chegamos em Beijing nós não aguentávamos mais a China! Nunca sentimos tanta vontade de ir para casa. A curiosidade dos chineses em relação a nós já não era mais tão engraçada. Era chato saber que o tempo todo éramos foco de atenção, embora em Beijing tenha sido mais tranquilo. Não aguentávamos mais a comida, pela primeira vez durante todos esses meses fizemos refeições no Mc Donalds, ou seja: olha o nível da situação. Já estávamos bem cansados de tentar nos comunicar. Sabe a comparação que eu faço? A de um relacionamento que vai às mil maravilhas no início e depois de alguns meses você começa a perceber os defeitos, a achar tudo um sebo. =(

Esse foi o nosso problema: conhecemos a China demais. Não me arrependo. Na verdade ainda quero muito voltar para China, quero conhecer outras regiões mais distantes, quero ver outras coisas que não tivemos tempo de ver… A China, é incrível! Mas cansa um pouquinho, rs… O nosso outro problema foi ter deixado Beijing para o fim, depois de ter rodado por tantos templos, nem o Summer Palace nem a Cidade Imperial tiveram um sabor especial, foi um sabor de “mais um”. Nem o Temple of Heaven escapou dessa, estávamos tão bodeados de templos que resolvemos pular o coitado. Mas…

Mas. Tivemos grandes momentos inesperados em Beijing. Visitar o 798, o famoso distrito de arte, foi uma surpresa muito agradável. Fazer um hiking na Muralha, numa parte mais afastada foi para mim um dos ápices da China. Há quem diga que a Muralha é só um muro, mas… que muro!

Em Beijing nos hospedamos primeiro no Leo Hostel. Odiei. Muito barulhento, clima de balada desde cedo, banheiros fedidos mas localização ótima, fomos a pé desde lá até a Cidade Proibida, sem contar que os hutongs ao redor são ótimos e o transporte público também é bem servido. Depois acabamos nos mudando para o (esqueci o nome haha =/) hostel em que a Mari e o Fe – um casal muy querido de brasileiros que conhecemos em Chengdu – estavam. A companhia deles foi ótima, agora para quem está viajando sozinho… não recomendo ficar lá, a área social é muito pobre, meia-noite você é expulso do barzinho, ou seja: totalmente o oposto do Leo Hostel!

Os dias em Beijing foram agitados, sabe tanta coisa para fazer que no fim você não consegue fazer nada? Vocês podem ter me achado reclamona hoje, mas vão ver nos próximos posts que no fim conseguimos tirar o máximo proveito de Beijing, o ponto final de uma viagem de 45 dias pela China!

Pingyao: de volta ao passado

Já repararam que nas últimas cidades que visitamos na China eu digo que chegamos sem expectativas? Em Pingyao o sentimento pré-viagem foi mais forte ainda. Eu relutei até o último momento para ir. Achei que Pingyao ia ser exatamente como Lijiang, cidade lotada de turistas e sem personalidade, achei que ia me irritar. Eu queria ir para Shanghai, achei que ia ser mais interessante, e como sempre… A China surpreende!

Pingyao foi muito delícia, Pingyao era de verdade: não eram casas reconstruídas, eram realmente restos de uma época que podia deixar o mais loiro dos turistas com nostalgia de um passado totalmente distante de sua cultura.

Vimos umas caminhonetes bem loucas nas ruas com 3 rodas… eu e o Rô achamos que a cidade tem um estilo cyber-punk, uma cidade de futuro decadente.

Entre uma Ferrari e um desses eu acho que fico com o de 3 rodas hein!

A cidade tem uma paleta toda acinzentada e empoeirada, ruelas estreitas e tijolos aparentes.

Ficamos 3 dias em Pingyao, fazendo… nada! Andando, escrevendo, bebendo breja e comendo. Um clima amistoso paira na cidade, bandinha tocando, lanternas vermelhas penduradas…

Morri! Essa é a menina mais linda da China!

Bem, tudo isso estou falando da parte da cidade que fica dentro das muralhas, onde carros não entram e as ruas se enchem de turistas… mas não tantos turistas quanto em Lijiang, então está aprovado!

Pagando 120yuans, você recebe um ticket com validade de 2 dias e que dá acesso à cerca de 18 construções históricas – além do rolê por cima da muralha que cerca a cidade. Já disse que estávamos cansados de visitar essas coisas, né? Dispensamos, e ficamos com as ruas cor de barro para nós.

Onde nos hospedamos

Harmony Guesthouse
Esta guesthouse fica numa bem preservada casa antiga, e essa é a graça do negócio… Nossa cama era de pedra com um colchão em cima, exótico, não? Apesar do quarto ser bem pequeno pelo preço (preços: a partir de 75 yuans por pessoa em quarto privado), foi uma experiência interessante, mas não imperdível. Antes que vocês me achem louca por ter dormido numa cama de pedra, aqui vai uma foto do nosso quarto para vocês entenderem melhor do que estou falando… rs…
Pingyao foram os doces momentos de respiro antes de entrarmos de cabeça em Beijing: o último destino de nossa viagem pela China.
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Desenhos diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo!

Luoyang e um tiquinho de kung fu


Chegamos em Luoyang depois das 5h do trem que vinha de Xian, e depois de tanto tempo sem andar de taxi, resolvemos nos dar ao luxo de tomar um e escapar daquele stress-básico-nem-sempre-gostoso de achar o transporte público.

Ficamos no Luoyang Yi Jia International Youth Hostel, nada demais, nada de menos. Apenas OK. Luoyang foi uma cidade que definitivamente me irritou. Eu não sei, estava muito calor mesmo, muita poluição… não me senti bem lá. Mas afinal, estávamos lá para ver o Monastério Shaolin e as Longmen Caves… e isso para mim já valeu a viagem!

Shaolin Temple
Essa história do Monastério Shaolin é um mistério! Alguns dizem que o templo original não era ali… outros dizem que era. Verdade ou não o templo já foi destruído e reconstruído a perder as contas e as paredes do berço do Kung Fu Shaolin ainda cheiram a tinta fresca.
Resolvemos ir até lá de forma independente, sem tour. Viajar independente é bom, mas tem o lado ruim, e o lado ruim se mostra realmente ruim quando você está na China e não consegue se comunicar com ninguém. Fomos até a rodoviária da cidade e lá na bilheteria dissemos que queríamos comprar um bilhete de ônibus até o Shaolin Temple. Tranquilo. O fato é que os ônibus as vezes tem que encher para poder sair, e tivemos que esperar quase 1h até que isso acontecesse. Daí tudo bem. O ônibus começou a andar super devagar, quebrou no meio do caminho. Esperamos um pouco e já trocamos para um outro ônibus caindo aos pedaços, mas ok, o importante era chegar…rs…

E chegamos!Lá estávamos nós diante do lendário – e obviamente turístico – templo Shaolin. Eu esperava tanto desse lugar que acabei achando super sem graça. Tudo feito sob medida para os turistas.

Fomos ver uma apresentação gratuita que está inclusa no ticket, os “monges” mostrando suas habilidades. Decepcionante. Parecia um show bizarro de circo decadente. Impressiona, mas parecem cachorrinhos desafiados a exibir suas habilidades. Fiquei com pena deles.

O templo Shaolin em si é como mais outros templos da China que estávamos cansados de ver. Cadê os monges treinando? Não vimos nada disso. Reza a lenda que os verdadeiros monges Shaolin treinam isolados nas montanhas que cercam o belo complexo. Até dá para entender, ia ser meio difícil treinar com esse monte de gente circulando por ali.

Já meio desanimados preparávamos para dar meia volta e no fim da tarde vem a reviravolta. Finalmente o que queríamos ver: os alunos treinando. Gente, quero muito ter filhos assim!!!
A multidão de alunos praticando nas quadras é de arrepiar. Coisa de filme.

Acabamos encontrando o Andrei, um brasileiro que conhecemos no hostel. Ele tinha ido com um tour até lá e resolveu abandonar o grupo porque disse que foi uma merda, com o guia falando em chinês e passando super rápido pelos lugares. Fica a dica: Indo independente você pode passar pequenos perrengues, mas indo de tour pode ser uma furada maior ainda. E sabe a coisa mais engraçada: a maioria dos turistas já tinha ido embora quando os alunos começaram a treinar, isso foi por volta das 16h.

No fim das contas valeu pelo fim da tarde. Para ir embora é só voltar à estrada onde o ônibus te largou na ida e ir até uma das vans que ficam ali paradas dizendo: “Luoyang?” Só cuidado para não perder a última van que deve sair por volta das 17h, confirme isso!

Longmen Caves
Outro ponto famoso em Luoyang, sua menina dos olhos, são as Longmen Caves.
Um exemplo de bela arte budista, o complexo conta com cerca de 100.000 estátuas distribuídas dentro de cavernas esculpidas nas montanhas de calcário, na beira do Yi River. O tamanho das esculturas varia entre 25mm e 17 metros. Muitas das estátuas não tinham cabeça, saqueadas por japoneses, roubadas em outras épocas… os depredamentos ocorreram por diversas razões e em diversas épocas. E o que sobra não é pouca coisa…
Essa é uma das atrações que podem decepcionar quem está esperando muito, mas sinceramente…. eu não sabia o que esperar e por isso me impressionei. Esculturas fabulosas que te fazem sentir pequeno.
Na margem oposta do rio é possível ter uma visão mais geral das cavernas, como um belo formigueiro.
Há muito mais coisa para se ver nesse complexo, pequenas trilhas que te levam a outras cavernas, templos… Bem fácil de se chegar aí, tem um ônibus que sai de Luoyang e para ali na entrada, basta perguntar no seu hostel aonde pegar. As comidas dentro do complexo tem um preço absurdo, pagamos muito caro na água porque estava um calor insuportável. Já na saída há mais outras opções de restaurantes, com preços ainda salgados, claro. O jeito foi se virar com bolachinhas, rs…
Por fim, vou afirmar pela primeira vez que a graça não estava na cidade em si, mas nos seus arredores, Luoyang foi uma cidade de atrações muito pontuais. A China tem coisa pra ver que não acaba mais, ficamos 40 dias no país mas há atrações ali para uma vida toda. Próxima parada: fomos conferir Pingyao, uma autêntica cidade antiga chinesa.
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Desenhos do Incrível caderno de Viagens do Rômolo!