Kampot: uma surpresa no Camboja

Quando o Ro, a Kelly e eu descemos da van em Kampot, nós pensamos: “Que porr* estamos fazendo aqui?” Olhamos ao redor e a cidade tinha cara de cidade de interior com nada para fazer. Sem contar que chegamos na véspera do Ano Novo no Camboja, então o que já estava meio morto, ia continuar assim pelos próximos dias. Nada de fogos de artifício, aqui é tudo em família. Não me perguntem como fomos parar lá, nós simplesmente queríamos sair de Sihanoukville e fomos parar em Kampot.

Taí a prova de que as vezes um hotel agradável, com funcionários agradáveis, podem tornar sua experiência num lugar melhor. Encontramos o Magic Sponge Guesthouse no caminho, estamos em um quarto compartilhado bem agradável no topo da casa por apenas $3 cada um, não tem divisória da varanda com os quartos, é tudo aberto, cada cama tem seu mosquiteiro, muito agradável. O dono é um americano ótimo que faz de tudo para nos deixar confortável, cerveja a R$0,50 no happy hour, mesa de sinuca, sala de dvd, por que não? Estou assistindo Big Bang Theory de novo e isso me faz sentir em casa! rs…

Aqui cada rotatória da cidade tem um monumento… Tem um monumento aos trabalhadores de sal, um monumento ao durian (uma espécie de fruta parecida com a jaca) e um monumento ao número 2000, dentre outros (com uma gaivota em cima).
Não me perguntem por quê. A cidade é bem pequena e em menos de um dia você já viu tudo de importante que tinha para ver…rs… tem uma beira rio charmosa com barzinhos e restaurantes.

Sinto que toda vez que andamos de bicicleta tenho dias inesquecíveis na cidade… nossa, acabei de me dar conta disso. Andamos de bicicleta em Chiang Mai e foi incrível, um dos meus dias preferidos no Laos foi quando alugamos uma bike em Don Det e com certeza nosso segundo dia em Kampot acaba de entrar para essa seleta lista. Tenho um amigo que está viajando pelas Américas de bike (!) e é bem isso que ele diz no blog: quando você está de bike você tem muito mais chances de entrar em contato com a vida local, muito mais chance de conhecer as pessoas, de provar do lugar. E assim aconteceu. Resolvemos pedalar até Phnom Ch’nork Caves (8km) para conhecer as cavernas. O caminho não foi dois mais agradáveis quando estávamos na estrada, muita poeira, os ônibus loucos buzinando e o calor de sempre… Nos perdemos um pouco e finalmente encontramos as tais cavernas.
A molecada cobrou $1 de entrada e perguntaram se queríamos um guia. Aceitamos e dois molequinhos nos guiaram pelas entranhas das cavernas.

Eu nunca tinha ido numa caverna antes. Não numa desse tamanho, com morcegos e tudo mais. Estava super abafado, o óculos do Ro não desembaçou nenhum minuto, coitado. Algumas partes eram bem escuras… e com isso eu quero dizer que você vai precisar de uma lanterna bem boa. Acho válido ir com os moleques, porque a caverna tem uns buracos que você nunca ia pensar em se meter… alguns túneis claustrofóbicos por onde passamos agachados, algumas pequenas escaladas em paredes íngremes… aventura! O nosos pequeno guia nos informou que costumava existir um templo naquela caverna, mas que Pol Pot destruiu tudo. Também disse que o avô dele se escondeu lá por um tempo durante o período do Khmer Rouge. Era engraçado que ele parava a gente em alguns pontos e falava: Olha, essa pedra tem formato de elefante, aquele buraco tem formato de coração, aquela parede tem formato de leão… o cúmulo foi quando ele apontou um buraco e disse: “Olha, tem o formato do número 8!” ¬¬ Tudo para fazer a caverna parecer interessante…rs…
Como não fui em outras, achei essa bem interessante… mas gostei mais pelo fato de me sentir dentro de uma aventura subindo e me esgueirando por todas as pedras… rs…

Demos uma caixinha para os meninos e seguimos de bicicletinha para visitar o tal do Secret Lake. As paisagens de campo ao longo do caminho são de deixar o queixo caído, plantações de arroz, lagoas, vacas cruzando seu caminho, mulheres trabalhando na lavoura, tudo de um verde brilhante. Ah, e quando você passa pelos vilarejos pode se preparar para ouvir toda a molecada gritando: “Hello! Hello!”

Passávamos por um vilarejo e uns locais pularam na nossa frente no meio da estrada. Nos fizeram largar as bikes e nos puxaram para dentro da casa. Era uma festa de Ano Novo! Passaram um pó branco na nossa cara, deram várias coisas bizarras para a gente beber, tiraram mil fotos com a gente, foi muito divertido! Sei que a festinha deles consiste em ficar dançando em volta de uma mesa com flores, como eu já tinha viso antes em Phnom Penh. Não entendo o significado disso, mas acho muito bonito o fato de ser uma dança simples, bonita e ninguém quer parecer sexy fazendo movimentos sensuais, é totalmente puro e – por que não – divertido!
Foi bem engraçado, entramos no espírito e ficamos lá dançando em volta da mesa, toda vez que a música acabava a gente falava que ia embora e eles insistiam: Só mais uma, só mais uma! rs… E vendo aquele povo ali todo feliz, todo mundo se divertindo e celebrando o ano novo não tem como lembrar do Khmer Rouge e se emocionar ao ver como a alegria deles é autêntica. Eles tentavam arranhar um pouco do inglês, mas nada como a língua universal dos gestos. As pessoas mais felizes não necessariamente tem o melhor de tudo, mas fazem o melhor de tudo que encontram pelo caminho.” (Anônimo)

Enfim, saímos da festinha com um refri cada um e seguimos para o Secret Lake… que afinal, não é mais tão secreto assim.

Acho que desde a caverna pedalamos mais uns 6km até lá, então o lago com a água refrescante veio bem a calhar.

Essa foi nossa última parada no Camboja, e Kampot sem dúvida foi a cidade que me deu uma visão mais autêntica a respeito do país. Acho que esse dia resume tudo o que penso sobre o Camboja: lugares incríveis e as pessoas mais amáveis do mundo! Partimos agora para o Vietnã, que segundo diz o senso comum: “pessoas rudes, comida boa”. Será? Conto nos outros posts se o firewall do Vietnã permitir que eu me expresse pelo WordPress. 😉 Aliás… Feliz Ano Novo!

"As pessoas mais felizes não necessariamente tem o melhor de tudo, mas fazem o melhor de tudo que encontram pelo caminho."

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Dicas:
– Se for pegar a estrada de bike para visitar as cavernas e o lago, leve um óculos de sol, um chapéu e um lenço para o nariz. É muita poeira!
– O ticket da van de Sihanoukville para Kampot custou $6 e levamos cerca de 2h.
– As pessoas não visitam Kampot tanto pela cidade (que não deixa de ser charmosa) mas mais pelas atrações que você pode visitar ao redor, plantações de pimenta e a Bokor Mountain por exemplo.

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