Buscando o caminho de volta

Depois de viajar esses meses descobri que o difícil não era partir: era voltar. Como seria esse choque, essa mudança de uma vida sem rotina, uma vida de descobertas diárias para a mesma vida que eu tinha antes, uma vida de trabalhos chatos, de stress, de frustração?

Perai, quem disse que eu ia voltar ao ponto zero?

Minha vida é o que eu quero. Essas conversas sobre a volta eram bem recorrentes com outros viajantes. No fundo dá um medo mesmo. E nos primeiros meses da viagem eu confesso que eu estava MORRENDO de medo de voltar. Estava tudo tão perfeito que acordar daquele sonho me assustava. Eu tinha pesadelos constantes em que eu voltava para casa e entrava em depressão. Acho que pensei tanto sobre isso com antecedência que fui me acostumando cada vez mais: eu ia ter que voltar sim, arranjar uma casa e um emprego para pagar o aluguel.

O que ajudou muito foi o fato de não termos gastado tanto nessa viagem quanto achávamos: eu tinha dinheiro para me sustentar por algum tempo sem trabalhar. E quero dizer aqui que eu realmente não havia considerado muito a grana da volta, mas hoje vejo isso como parte importante do planejamento. Você nunca sabe quanto tempo vai demorar para arranjar um novo emprego, então é bom ter alguma garantia, um dinheiro para poder fazer algum curso de atualização por exemplo.

Minha volta foi muito melhor do que eu esperava, lembro com uma saudade boa de todos os momentos que passamos, orgulhosa, satisfeita, feliz, com a certeza de que cumpri uma missão importante em minha vida. Felicidade é estar aonde você gostaria de estar e estou muito bem na minha amada São Paulo. Mas também tivemos essa grande mudança de eu ter saído da casa dos meus pais e voltado para morar com o Rô, então a volta para o Brasil foi como uma nova viagem, uma experiência nova.

As primeiras velhas novas impressões de Sampa…

As primeiras velhas novas impressões de Sampa…

Aprendi a redescobrir a cidade, ver com novos olhos, viajar dentro da minha própria cidade. Alugamos um apê no centro e agora a casa está aberta para CouchSurfers… Couch Surfing é muito bom não só para quem é recebido, mas também para quem recebe. É uma forma sim de continuar viajando, tenho vontade de explorar cada vez mais a cidade e poder compartilhar com quem vem visitar. Moro em São Paulo desde que nasci, mas só esse ano subi na Torre do Banespa, comprei pão dos monges no Mosteiro São Bento e fiz uma das aulas de dança gratuitas que sempre rolam na Galeria Olido. Só agora.

Tenho muitos amigos, muitos mesmo que sofreram demais com a volta. Alguns não encontraram emprego ainda [atualização: todos os amigos que conheci na viagem já estão trabalhando de novo ;] , outros encontraram mas estão achando muito difícil ter que lidar com a rotina… são reclamações das mais variadas, mas não há como prever o que pode acontecer. Também há outras amigos que estão satisfeitos de estarem de volta em casa, e assim como nós reservando energias para a próxima viagem… claro!

Se você voltar, você provavelmente estará voltando porque quer… quem quer ficar com o pé na estrada sempre acaba dando um jeito de se manter, de fazer contato, arranjar bicos… quantas pessoas não conheci que faziam isso? Seus desejos devem te guiar, você deve dirigir a sua vida de um jeito que faça você se sentir bem. Tenha paciência que isso é uma das coisas que só o tempo vai resolver.

Vai voltar, volte, mas venha com o coração aberto… sofrer pode fazer parte da volta sim. Mas você sabe que para daqui uns anos vai olhar para tras e ver que esse tempo que você passou viajando, valeu muito mais do que um ano que você poderia ter passado naquele emprego que você achava uma merda.

Viajando pela minha cidade…

Viajando pela minha cidade…

Uma vez fui assistir um filme que se chamava assim: “Viajo porque preciso, volto porque te amo.” Essa frase se encaixou com a minha (nossa) viagem. Eu preciso viajar. Eu nunca mais vou parar, tenho certeza. Viajar assim é um caminho sem volta, droga das mais pesadas. E eu vou voltar também. Porque também amo São Paulo, amo as pessoas que estão aqui, amo as esquinas da minha cidade, amo o Brasil, amo os brasileiros, amo ter um lugar fixo e agora eu consigo amar e viver uma vida de não-viagem. O que é temporário afinal, minha vida quando estou fixa ou minha vida quando eu viajo? E enfim, descubro que eu não preciso catalogar nada, que as duas vidas se alimentam porque estão interligadas. Eu não aguentaria passar o resto da minha vida viajando sem parar assim como não aguentaria passar o resto da minha vida trabalhando com férias de um mês. Revelação: minha vida pode ser o que eu quiser. Eu faço os meus caminhos.

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2 respostas em “Buscando o caminho de volta

  1. Adorei conhecer o blog! Achei pelo site do Ricardo Freire pesquisando sobre minha viagem à Ásia agora em fevereiro. Vamos à Tailândia e Cingapura! Estamos super felizes e empolgados pela escolha do destino. Um beijo e boa sorte na vida em SP!
    Nati

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