Pondo a China na balança

Eu confesso: eu não estava preparada para Beijing. Também vou confessar outra coisa: Quando chegamos em Beijing nós não aguentávamos mais a China! Nunca sentimos tanta vontade de ir para casa. A curiosidade dos chineses em relação a nós já não era mais tão engraçada. Era chato saber que o tempo todo éramos foco de atenção, embora em Beijing tenha sido mais tranquilo. Não aguentávamos mais a comida, pela primeira vez durante todos esses meses fizemos refeições no Mc Donalds, ou seja: olha o nível da situação. Já estávamos bem cansados de tentar nos comunicar. Sabe a comparação que eu faço? A de um relacionamento que vai às mil maravilhas no início e depois de alguns meses você começa a perceber os defeitos, a achar tudo um sebo. =(

Esse foi o nosso problema: conhecemos a China demais. Não me arrependo. Na verdade ainda quero muito voltar para China, quero conhecer outras regiões mais distantes, quero ver outras coisas que não tivemos tempo de ver… A China, é incrível! Mas cansa um pouquinho, rs… O nosso outro problema foi ter deixado Beijing para o fim, depois de ter rodado por tantos templos, nem o Summer Palace nem a Cidade Imperial tiveram um sabor especial, foi um sabor de “mais um”. Nem o Temple of Heaven escapou dessa, estávamos tão bodeados de templos que resolvemos pular o coitado. Mas…

Mas. Tivemos grandes momentos inesperados em Beijing. Visitar o 798, o famoso distrito de arte, foi uma surpresa muito agradável. Fazer um hiking na Muralha, numa parte mais afastada foi para mim um dos ápices da China. Há quem diga que a Muralha é só um muro, mas… que muro!

Em Beijing nos hospedamos primeiro no Leo Hostel. Odiei. Muito barulhento, clima de balada desde cedo, banheiros fedidos mas localização ótima, fomos a pé desde lá até a Cidade Proibida, sem contar que os hutongs ao redor são ótimos e o transporte público também é bem servido. Depois acabamos nos mudando para o (esqueci o nome haha =/) hostel em que a Mari e o Fe – um casal muy querido de brasileiros que conhecemos em Chengdu – estavam. A companhia deles foi ótima, agora para quem está viajando sozinho… não recomendo ficar lá, a área social é muito pobre, meia-noite você é expulso do barzinho, ou seja: totalmente o oposto do Leo Hostel!

Os dias em Beijing foram agitados, sabe tanta coisa para fazer que no fim você não consegue fazer nada? Vocês podem ter me achado reclamona hoje, mas vão ver nos próximos posts que no fim conseguimos tirar o máximo proveito de Beijing, o ponto final de uma viagem de 45 dias pela China!

Pingyao: de volta ao passado

Já repararam que nas últimas cidades que visitamos na China eu digo que chegamos sem expectativas? Em Pingyao o sentimento pré-viagem foi mais forte ainda. Eu relutei até o último momento para ir. Achei que Pingyao ia ser exatamente como Lijiang, cidade lotada de turistas e sem personalidade, achei que ia me irritar. Eu queria ir para Shanghai, achei que ia ser mais interessante, e como sempre… A China surpreende!

Pingyao foi muito delícia, Pingyao era de verdade: não eram casas reconstruídas, eram realmente restos de uma época que podia deixar o mais loiro dos turistas com nostalgia de um passado totalmente distante de sua cultura.

Vimos umas caminhonetes bem loucas nas ruas com 3 rodas… eu e o Rô achamos que a cidade tem um estilo cyber-punk, uma cidade de futuro decadente.

Entre uma Ferrari e um desses eu acho que fico com o de 3 rodas hein!

A cidade tem uma paleta toda acinzentada e empoeirada, ruelas estreitas e tijolos aparentes.

Ficamos 3 dias em Pingyao, fazendo… nada! Andando, escrevendo, bebendo breja e comendo. Um clima amistoso paira na cidade, bandinha tocando, lanternas vermelhas penduradas…

Morri! Essa é a menina mais linda da China!

Bem, tudo isso estou falando da parte da cidade que fica dentro das muralhas, onde carros não entram e as ruas se enchem de turistas… mas não tantos turistas quanto em Lijiang, então está aprovado!

Pagando 120yuans, você recebe um ticket com validade de 2 dias e que dá acesso à cerca de 18 construções históricas – além do rolê por cima da muralha que cerca a cidade. Já disse que estávamos cansados de visitar essas coisas, né? Dispensamos, e ficamos com as ruas cor de barro para nós.

Onde nos hospedamos

Harmony Guesthouse
Esta guesthouse fica numa bem preservada casa antiga, e essa é a graça do negócio… Nossa cama era de pedra com um colchão em cima, exótico, não? Apesar do quarto ser bem pequeno pelo preço (preços: a partir de 75 yuans por pessoa em quarto privado), foi uma experiência interessante, mas não imperdível. Antes que vocês me achem louca por ter dormido numa cama de pedra, aqui vai uma foto do nosso quarto para vocês entenderem melhor do que estou falando… rs…
Pingyao foram os doces momentos de respiro antes de entrarmos de cabeça em Beijing: o último destino de nossa viagem pela China.
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Desenhos diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo!