Luoyang e um tiquinho de kung fu


Chegamos em Luoyang depois das 5h do trem que vinha de Xian, e depois de tanto tempo sem andar de taxi, resolvemos nos dar ao luxo de tomar um e escapar daquele stress-básico-nem-sempre-gostoso de achar o transporte público.

Ficamos no Luoyang Yi Jia International Youth Hostel, nada demais, nada de menos. Apenas OK. Luoyang foi uma cidade que definitivamente me irritou. Eu não sei, estava muito calor mesmo, muita poluição… não me senti bem lá. Mas afinal, estávamos lá para ver o Monastério Shaolin e as Longmen Caves… e isso para mim já valeu a viagem!

Shaolin Temple
Essa história do Monastério Shaolin é um mistério! Alguns dizem que o templo original não era ali… outros dizem que era. Verdade ou não o templo já foi destruído e reconstruído a perder as contas e as paredes do berço do Kung Fu Shaolin ainda cheiram a tinta fresca.
Resolvemos ir até lá de forma independente, sem tour. Viajar independente é bom, mas tem o lado ruim, e o lado ruim se mostra realmente ruim quando você está na China e não consegue se comunicar com ninguém. Fomos até a rodoviária da cidade e lá na bilheteria dissemos que queríamos comprar um bilhete de ônibus até o Shaolin Temple. Tranquilo. O fato é que os ônibus as vezes tem que encher para poder sair, e tivemos que esperar quase 1h até que isso acontecesse. Daí tudo bem. O ônibus começou a andar super devagar, quebrou no meio do caminho. Esperamos um pouco e já trocamos para um outro ônibus caindo aos pedaços, mas ok, o importante era chegar…rs…

E chegamos!Lá estávamos nós diante do lendário – e obviamente turístico – templo Shaolin. Eu esperava tanto desse lugar que acabei achando super sem graça. Tudo feito sob medida para os turistas.

Fomos ver uma apresentação gratuita que está inclusa no ticket, os “monges” mostrando suas habilidades. Decepcionante. Parecia um show bizarro de circo decadente. Impressiona, mas parecem cachorrinhos desafiados a exibir suas habilidades. Fiquei com pena deles.

O templo Shaolin em si é como mais outros templos da China que estávamos cansados de ver. Cadê os monges treinando? Não vimos nada disso. Reza a lenda que os verdadeiros monges Shaolin treinam isolados nas montanhas que cercam o belo complexo. Até dá para entender, ia ser meio difícil treinar com esse monte de gente circulando por ali.

Já meio desanimados preparávamos para dar meia volta e no fim da tarde vem a reviravolta. Finalmente o que queríamos ver: os alunos treinando. Gente, quero muito ter filhos assim!!!
A multidão de alunos praticando nas quadras é de arrepiar. Coisa de filme.

Acabamos encontrando o Andrei, um brasileiro que conhecemos no hostel. Ele tinha ido com um tour até lá e resolveu abandonar o grupo porque disse que foi uma merda, com o guia falando em chinês e passando super rápido pelos lugares. Fica a dica: Indo independente você pode passar pequenos perrengues, mas indo de tour pode ser uma furada maior ainda. E sabe a coisa mais engraçada: a maioria dos turistas já tinha ido embora quando os alunos começaram a treinar, isso foi por volta das 16h.

No fim das contas valeu pelo fim da tarde. Para ir embora é só voltar à estrada onde o ônibus te largou na ida e ir até uma das vans que ficam ali paradas dizendo: “Luoyang?” Só cuidado para não perder a última van que deve sair por volta das 17h, confirme isso!

Longmen Caves
Outro ponto famoso em Luoyang, sua menina dos olhos, são as Longmen Caves.
Um exemplo de bela arte budista, o complexo conta com cerca de 100.000 estátuas distribuídas dentro de cavernas esculpidas nas montanhas de calcário, na beira do Yi River. O tamanho das esculturas varia entre 25mm e 17 metros. Muitas das estátuas não tinham cabeça, saqueadas por japoneses, roubadas em outras épocas… os depredamentos ocorreram por diversas razões e em diversas épocas. E o que sobra não é pouca coisa…
Essa é uma das atrações que podem decepcionar quem está esperando muito, mas sinceramente…. eu não sabia o que esperar e por isso me impressionei. Esculturas fabulosas que te fazem sentir pequeno.
Na margem oposta do rio é possível ter uma visão mais geral das cavernas, como um belo formigueiro.
Há muito mais coisa para se ver nesse complexo, pequenas trilhas que te levam a outras cavernas, templos… Bem fácil de se chegar aí, tem um ônibus que sai de Luoyang e para ali na entrada, basta perguntar no seu hostel aonde pegar. As comidas dentro do complexo tem um preço absurdo, pagamos muito caro na água porque estava um calor insuportável. Já na saída há mais outras opções de restaurantes, com preços ainda salgados, claro. O jeito foi se virar com bolachinhas, rs…
Por fim, vou afirmar pela primeira vez que a graça não estava na cidade em si, mas nos seus arredores, Luoyang foi uma cidade de atrações muito pontuais. A China tem coisa pra ver que não acaba mais, ficamos 40 dias no país mas há atrações ali para uma vida toda. Próxima parada: fomos conferir Pingyao, uma autêntica cidade antiga chinesa.
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Desenhos do Incrível caderno de Viagens do Rômolo!

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3 respostas em “Luoyang e um tiquinho de kung fu

  1. Que tudo essa viagem de vocês!É tão bom viver;mesmo que temporariamente;em novos ares né?Quero fazer um tour desse também só que pela Europa ..Como é viajar pela Ásia sabendo apenas inglês?Acho que pra mim seria meega difícil sem falar que iria me perder muitas vezes.

    • Oi Lari, viajar pela Ásia falando inglês é mais do que tranquilo, você ficaria surpresa com a quantidade de tailandeses que falam inglês. Problemas mesmo só tivemos na China, onde nos comunicávamos à base de mímica e bilhetinhos, hehe…

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