Luoyang e um tiquinho de kung fu


Chegamos em Luoyang depois das 5h do trem que vinha de Xian, e depois de tanto tempo sem andar de taxi, resolvemos nos dar ao luxo de tomar um e escapar daquele stress-básico-nem-sempre-gostoso de achar o transporte público.

Ficamos no Luoyang Yi Jia International Youth Hostel, nada demais, nada de menos. Apenas OK. Luoyang foi uma cidade que definitivamente me irritou. Eu não sei, estava muito calor mesmo, muita poluição… não me senti bem lá. Mas afinal, estávamos lá para ver o Monastério Shaolin e as Longmen Caves… e isso para mim já valeu a viagem!

Shaolin Temple
Essa história do Monastério Shaolin é um mistério! Alguns dizem que o templo original não era ali… outros dizem que era. Verdade ou não o templo já foi destruído e reconstruído a perder as contas e as paredes do berço do Kung Fu Shaolin ainda cheiram a tinta fresca.
Resolvemos ir até lá de forma independente, sem tour. Viajar independente é bom, mas tem o lado ruim, e o lado ruim se mostra realmente ruim quando você está na China e não consegue se comunicar com ninguém. Fomos até a rodoviária da cidade e lá na bilheteria dissemos que queríamos comprar um bilhete de ônibus até o Shaolin Temple. Tranquilo. O fato é que os ônibus as vezes tem que encher para poder sair, e tivemos que esperar quase 1h até que isso acontecesse. Daí tudo bem. O ônibus começou a andar super devagar, quebrou no meio do caminho. Esperamos um pouco e já trocamos para um outro ônibus caindo aos pedaços, mas ok, o importante era chegar…rs…

E chegamos!Lá estávamos nós diante do lendário – e obviamente turístico – templo Shaolin. Eu esperava tanto desse lugar que acabei achando super sem graça. Tudo feito sob medida para os turistas.

Fomos ver uma apresentação gratuita que está inclusa no ticket, os “monges” mostrando suas habilidades. Decepcionante. Parecia um show bizarro de circo decadente. Impressiona, mas parecem cachorrinhos desafiados a exibir suas habilidades. Fiquei com pena deles.

O templo Shaolin em si é como mais outros templos da China que estávamos cansados de ver. Cadê os monges treinando? Não vimos nada disso. Reza a lenda que os verdadeiros monges Shaolin treinam isolados nas montanhas que cercam o belo complexo. Até dá para entender, ia ser meio difícil treinar com esse monte de gente circulando por ali.

Já meio desanimados preparávamos para dar meia volta e no fim da tarde vem a reviravolta. Finalmente o que queríamos ver: os alunos treinando. Gente, quero muito ter filhos assim!!!
A multidão de alunos praticando nas quadras é de arrepiar. Coisa de filme.

Acabamos encontrando o Andrei, um brasileiro que conhecemos no hostel. Ele tinha ido com um tour até lá e resolveu abandonar o grupo porque disse que foi uma merda, com o guia falando em chinês e passando super rápido pelos lugares. Fica a dica: Indo independente você pode passar pequenos perrengues, mas indo de tour pode ser uma furada maior ainda. E sabe a coisa mais engraçada: a maioria dos turistas já tinha ido embora quando os alunos começaram a treinar, isso foi por volta das 16h.

No fim das contas valeu pelo fim da tarde. Para ir embora é só voltar à estrada onde o ônibus te largou na ida e ir até uma das vans que ficam ali paradas dizendo: “Luoyang?” Só cuidado para não perder a última van que deve sair por volta das 17h, confirme isso!

Longmen Caves
Outro ponto famoso em Luoyang, sua menina dos olhos, são as Longmen Caves.
Um exemplo de bela arte budista, o complexo conta com cerca de 100.000 estátuas distribuídas dentro de cavernas esculpidas nas montanhas de calcário, na beira do Yi River. O tamanho das esculturas varia entre 25mm e 17 metros. Muitas das estátuas não tinham cabeça, saqueadas por japoneses, roubadas em outras épocas… os depredamentos ocorreram por diversas razões e em diversas épocas. E o que sobra não é pouca coisa…
Essa é uma das atrações que podem decepcionar quem está esperando muito, mas sinceramente…. eu não sabia o que esperar e por isso me impressionei. Esculturas fabulosas que te fazem sentir pequeno.
Na margem oposta do rio é possível ter uma visão mais geral das cavernas, como um belo formigueiro.
Há muito mais coisa para se ver nesse complexo, pequenas trilhas que te levam a outras cavernas, templos… Bem fácil de se chegar aí, tem um ônibus que sai de Luoyang e para ali na entrada, basta perguntar no seu hostel aonde pegar. As comidas dentro do complexo tem um preço absurdo, pagamos muito caro na água porque estava um calor insuportável. Já na saída há mais outras opções de restaurantes, com preços ainda salgados, claro. O jeito foi se virar com bolachinhas, rs…
Por fim, vou afirmar pela primeira vez que a graça não estava na cidade em si, mas nos seus arredores, Luoyang foi uma cidade de atrações muito pontuais. A China tem coisa pra ver que não acaba mais, ficamos 40 dias no país mas há atrações ali para uma vida toda. Próxima parada: fomos conferir Pingyao, uma autêntica cidade antiga chinesa.
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Desenhos do Incrível caderno de Viagens do Rômolo!

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Xian e seus Guerreiros

É engraçado como as vezes chegamos em uma cidade com uma imagem na cabeça e no fim somos surpreendidos por outras coisas menores. Em Chengdu, por exemplo, só esperávamos ver os pandas e no fim a cidade se mostrou muito mais do que apenas isso. Sem expectativas maiores, partimos para Xian em busca dos Guerreiros de Terracota e descobrimos uma cidade repleta de cheiros, de misturas e sabores.

Xian possui uma grande comunidade mulçumana, o Muslim Quarter é ideal para dar uma checada nessa exótica mistura de chineses mulçumanos. Um calor, aquela fumaça das comidas subindo no fim da tarde, as pessoas enchendo as ruas, eu amei!
Absolutamente viciados no roujiamo, uma sopa que você acha em tudo quanto é restaurante. É feita com massa de pão cozida, carne de carneiro e noodles: o sabor supremo do bem estar!
Pegando o ônibus 306 (7yuans) a partir do estacionamento de ônibus próximo à estação de trem em Xian chega-se fácil até os Guerreiros de Terracota. Os Guerreiros de Terracota foram descobertos há pouco tempo, em 1974, e são apenas uma parte de um projeto megalomaníaco que envolve o imperador Qin. Diz a lenda que a idéia do Imperador – responsável pela unificação da China – era continuar seu reinado pós-vida, e para isso mandou construir um exército completo – incluindo cavalos – para comandar quando passasse dessa pra melhor. Uau, melhor mesmo! Até hoje as escavações continuam e estima-se que haja cerca de 7.000 guerreiros no total, detalhe: em tamanho real e com a sutileza de cada rosto ser totalmente diferente um do outro.
Agora preciso me desculpar por ter usado o efeito miniatura em algumas fotos, hehe…
Se você acha que vai tirar foto se apoiando no guerreiro-amigo, esquece. Você só pode obeservá-los da parte de cima do galpão. Para ver de pertinho, só com as peças expostas no museu do complexo ou no Shaanxi History Museum.
Uma dica válida para visitar os Guerreiros de uma forma interessante é visitar os poços (ou pits) de forma inversa: Primeiro o Pit nº 3, depois o 2 e deixe a cereja do bolo por último: o Pit nº 1! Assim você vai se surpreendendo gradualmente.
Vamos esclarecer algumas coisas: Depois de viajar 4 meses, infelizmente nem tudo parecia mais novidade para nós. Muitas vezes chegávamos em uma cidade e não visitávamos todas as atrações turísticas, andar pela cidade já estava bom. Já estávamos um pouco saturados de templos chineses, pagodas ou feirinhas noturnas do Sudeste Asiático, portanto não visitamos (por dentro) a Bell Tower, a Drum Tower, o Big Goose Pagoda, nem demos a volta por cima da muralha de Xiaan de bicicleta – coisa que eu até teria feito se não fosse o calor de mais de 30°. Mas claro que não podíamos deixar de visitar o Shaanxi History Museum, dito um dos melhores museus da China.

O Museu é gratuito caso você apresente algum documento de identificação (passaporte) – isso é ótimo, mas por outro lado, causa uma fila absurda na bilheteria. A recomendação é a de sempre: Chegue cedo para evitar as multidões. Acordar cedo? Sempre tentamos, nunca conseguimos. Por isso acompanhamos os milhões de turista que lotam o museu, de fato. O Museu é bom embora seja meio carente de mais explicações em inglês. O problema mesmo é ter que ficar disputando à tapa um lugarzinho para apreciar as peças. Cansa mesmo. E depois da cagada que fizemos de ir andando do hostel até o Museu – que é bem longe – ficou mais cansativo ainda. Pegue um ônibus ou um metrô, meu amigo, economize sua energia! O Museu foi bom para complementar com o que já tínhamos visto dos Guerreiros de Terracota.

Ficamos num quarto compartilhado por 45yuans (cada) no ótimo Xiangzamen Hostel. Embora a cerveja tenha o preço extorsivo de 15 yuans por uma long neck (!) a localização era muito boa dentro da Old Town. Pegamos um compartilhado porque os preços dos quartos de casal nos hostels da Old Town eram muito caros, por volta dos 150 yuans. O hostel era bem bonito mesmo, todo antigo, lindo, cheio de sofás e mesas, bem gostoso. Percebemos que quanto mais nos aproximávamos de Beijing, mais caras as coisas iam se tornando.

De lá tínhamos 2 opções para sair da cidade até Luoyang: o speed train que demorava 2h e custava cerca de 125yuans ou o trem normal, no hard seat que custava 55yuans. Algo deve ter batido na minha cabeça porque eu disse: “Aventura! Vamos testar o hard seat!”. 5 horas de viagem e lá estávamos nós amaldiçoando a aventura…rs… Tá, não foi tão mal, os bancos não eram de madeira mas também não reclinavam. O Rô quase não podia esticar a perna (aliás, raros momentos em que ele pode esticar as pernas). Pelo menos conhecemos um chinês bem legal que falava inglês super bem e tornou nossa viagem mais curta. Mas hoje em dia eu teria ido de speed train, só para ver qual que é…rs…

Já começamos a nos agarrar nas rebarbas do fim da viagem: Templo Shaolin e as Longmen Caves a seguir!
* Uma curiosidade sobre o desenho acima: as vezes o Ro pegava algumas coisas aleatórias na rua para colar no caderno, como esses dois adesivos acima (o em vermelho e o outro em preto) com os caracteres chineses e o número de telefone que foram encontrados colados em algum semáforo, não lembro. Quando os chineses pegavam o caderno dele para ver as ilustrações e viam esses adesivos ficavam muito chocados, colocando a mão na boca. Alguns inclusive até tentaram arrancar o adesivo do caderno, dizendo: “Not good, not good!”. Bem, por fim descobrimos que se trata de um adesivo oferecendo vários serviços considerados ilegais, um deles é “entramos em sites proibidos”, rs…

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Desenhos do post diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo.

Leshan e O Grande Chefão

De Chengdu fomos para Leshan unir o útil ao agradável: Renovar o visto chinês e visitar o incrível Buda Gigante Sentado!
Pegamos um bus em Chengdu (por sorte a estação de bus ficava na esquina do nosso hostel!) e pagamos 48 yuans para cerca de 2h de viagem. Foi difícil pesquisar antes um hostel na cidade – não encontramos nenhum. O Rô ficou me esperando na porta de um hotel que parecia caro enquanto fui caçar o Post & Telecommunication Hotel indicado pelo Lonely Planet, descobri que estava fechado! Quando voltei, o Rô já tinha engatado um papo com o segurança do hotel em que ele estava me esperando. O Tao foi nosso anjo. Ele falava um inglês excelente, sugeriu para que ficássemos  naquele mesmo hotel onde ele trabalhava e no fim passamos a noite lá mesmo, 150 yuans o quarto de casal. A recepcionista não falava inglês, mas o Tao que era segurança falava. Bizarro. Foi ele quem nos deu todas as direções da cidade, onde tirar o visto e talz… Ele foi maravilhoso, salvou nossas vidas mesmo, sem ele teríamos passado uns 3 dias em Leshan tentando descobrir e resolver tudo.

Espero que se vocês ficarem no Nanfang Hotel vocês tenham a chance de conhecer o Tao, ele é tão legal que vou parar de elogiá-lo. Seguimos. Fomos até o Public Security Bureau tirar o visto, foi tranquilo, levamos o papel que pedimos no hotel -com a ajuda do Tao – comprovando que estávamos hospedados lá, preenchemos uns papéis e pronto. No dia seguinte o visto estava pronto por 160 yuans. Putz, não lembro se foi isso mesmo que pagamos.

Enquanto a renovação do nosso visto corria pelos corredores burocráticos da China, fomos ver o Big Boss, ou melhor: O maior Buda sentado do mundo!
Mesmo no meio daquela fila interminável de chineses – não vimos nenhum outro ocidental – me emocionei por estar ali. Lembrei-me de quando eu vi a foto daquele Buda pela primeira vez e agora eu estava lá. Lindo demais, esculpido naquela montanha e uns matinhos crescendo pelo corpo, e quando penso na idade daquele Buda – cerca de 1200 anos – eu realmente me sinto privilegiada por estar ali vendo tudo com os próprios olhos. Uma escultura do mundo.

Aquelas filinhas básicas da China

A entrada para o complexo onde está o Buda é 90 yuans. É possível também alugar um daqueles barcos atolados de turistas só para passar na frente do Buda. Dispensável. Aliás, o que era mais sensacional: da janela do nosso quarto no hotel dava para ver o Buda bem de longe. Andando pelas margens do rio na cidade, mais precisamente na rua Binhe Lu, você também será presenteado com uma cena dessas: o Buda camufladinho.
O complexo onde fica o Buda é cheio de outras coisas, Museu, Pagoda, Templo. Faça suas orações e peça para a fila diminuir!
Estávamos eu e o Rô andando meio perdidos por ali quando chegaram uns 3 chineses: “Ah, acho que eles querem treinar inglês! – disse o Rô. Três segundos depois apareciam mais 20 e todos queriam tirar fotos com a gente. O que eu mais gosto de viajar é essa comunicação louca, você pode passar horas “conversando” sem uma língua em comum. Esse grupo de estudantes nos adotou e ficou acompanhando a gente até a saída. Gosto muito dos chineses. Acho eles engraçados.

O Rô sendo assediado…

Já chega, né?

Somos quase o Brad Pitt e a Angelina Jolie da China. NOT. hahaha

Sobre a cidade de Leshan em si, não tenho muito o que falar já que só passamos 1 noite lá. Mas vou dizer: Não acho que toda a cidade precisa ter grandes atrações para se tornar atraente. Parar na rua, ficar na praça comendo semente de girassol, tentar comprar um espetinho de carne, tentar se comunicar com as pessoas já é uma atração. Ou um pesadelo se você estiver muito cansado, rs…

Ficar na beira do rio vendo os chineses nadarem foi uma atração em Leshan.

Conseguem encontrar o Buda aqui?

Depois disso voltamos para Chengdu e pegamos um trem para Xian, uma visitinha aos Guerreiros de Terracota. E pensar que eu fiquei puta quando não consegui vê-los anos atrás na exposição que rolou na Oca em São Paulo…

Alguém se arrisca a descobrir qual é a dessa placa?

Chengdu apresenta: os Pandas!


Chorou? Não chora não porque vocês ainda nem viram a foto que fecha esse post. Não dá vontade de sequestrar?

Vamos ao que viemos: Ver os pandas em Chengdu. O ônibus público só começava a circular às 8h da manhã (2yuans) e apesar de sair bem da porta do nosso hostel, demorava uma hora para chegar lá. Queríamos chegar cedo, porque diz a lenda, é o período do dia em que eles estão mais em ação. Fomos com o nosso hostel, por 100 yuans (ingresso incluso) a van sai do hostel 7h da manhã, volta às 11h e o melhor: sem guia!!! Eles simplesmente te largam lá e você faz seu próprio rolê voltando para o estacionamento no horário combinado. Achei que valeu a pena, e achei o tempo suficiente para ver e até encher o saco de ver pandas…rs… brinks… Jamais vou enjoar de pandas! Os pandas são…


Preciso falar mais? Não dá para ser mais fofo do que isso, é o cúmulo da fofura mundial!!! Amei!!!  Bem, não dá para levar um inteiro, o Rô me deu um imã de geladeira de panda de presente haha! Não podemos nos esquecer dos pandinhas vermelhos…
Sabe que esses pandinhas me são familiares? Ah, lembrei! rs…
Bem, se você quiser ir até o Giant Panda Breeding Research Base, o ingresso custa cerca de 60 yuans. Chegue cedo ou você verá mais chineses do que pandas.
Amei Chengdu. Era muito gostoso passear de bobeira durante o dia e voltar no fim da tarde para o nosso hostel mara. Nossas bobeirinhas:

Wenshu Temple
preço: 5 yuans

O templo é uma graça, ficar andando por ali vendo as manifestações de fé. Mesmo quando vemos os grupos turísticos com os guias ensinando como “manifestar a fé”, tipo, aonde colocar incenso, como fazer reverência… Dá pra acreditar?
Fica em mais uma daquelas “novas ruas antigas” (como já falei em post anterior), mas você vê que é tudo novinho, meio pega-turista. Pode ser legal entrar no clima dessas ruas fakes – embora muitas vezes me sinta no Hopi Hari hehe.

Big & Small Alley
ou Kuanxiangzi e Zhai Xiang Zi
Bem, outro “novo bairro antigo”, numa versão mais chiquezinha… dá para ver que lá tem uns restaurantes mais carinhos e arrumadinhos… mas eu e o Rô sempre achamos nosso noodles por 7yuans em qualquer beco perdido. Só não economizamos na hora de comprar um sorvete por 30 yuans. Muito bom para dar uma refrescada no calor da China que começou a pegar forte depois que saímos de Shangri-La.

São momentos como esse que me fazem gostar dos chineses! rs…

Jinling Night Market

“Quero ir para o bochicho!” anunciei naquela noite, horas antes de me arrepender de estar na Jinling Night Market sendo esmagada por 1bilhão de chineses. Sacanagem. Era um sábado, o lugar é uma graça com todas aquelas lanterninhas, construções (ou imitações?) de estilo antigo, milhões de lojinhas, centenas de barraquinhas e zilhões de chineses. Se você não foi para Lijiang, poderá ter sua noite de Lijiang aqui – turística.

Uma coisa que tem me surpreendido muito na China é a grandeza, riqueza e modernidade de algumas cidades. Claro que a China é um país com grande desigualdade social (e isso soa tão Brasil!) mas quando você vai para essas cidades (“pequenas” até para os padrões chineses, com 4 milhões de habitantes) eu fico absolutamente chocada de como tudo é novo, recém-construído e mais: limpo! Todo mundo tem essa idéia de que a China é um país sujo né? Pois o que eu pude observar vai totalmente contra essa idéia. Quer dizer… os chineses ainda tem hábitos que consideramos “sujos” como escarrar no chão. Também via muitas pessoas jogando lixo em qualquer lugar, na estação de trem, comendo banana e jogando a casca na rua… Mas ao mesmo tempo vejo gente limpando o chão toda hora, as paredes na cidade todas limpas e fortes campanhas de “reeducação” do tipo: “Ei, não cuspa, não jogue lixo no chão!”. Vejo as grandes cidades seguindo por um ótimo caminho. E a desigualdade social… bem, já vimos esse filme né? Aliás, ainda estamos vendo.

Bem, deixamos Chengdu com a certeza de que a cidade não foi só Pandas… Cada vez mais perto do Brasil!

Segundo meus amigos essa foto é apelativa!

Chengdu além dos Pandas

Amei tanto Shangri-la que cheguei a falar para o Rô: bem, agora é o fim da viagem mesmo. Na verdade disse isso porque sabia que a partir daí só iríamos para cidades grandes e eu estava com muita preguiça de ter que lidar com isso. Quando abri o guia e vi que Chengdu tinha 4milhões de pessoas pensei: “Preguiça eterna! Bem, vamos lá só para ver os pandas mesmo!”. Vocês sabem: Chengdu está para os Pandas assim como o Rio de Janeiro está para o Cristo Redentor. Mal sabia eu que quase 1 semana depois estaria me despedindo do staff do hostel com lágrimas nos olhos.

Chegamos em Chengdu sem pretensões nenhuma e demos a sorte de ter escolhido o Traffic Inn Hostel, que ficou no páreo com o Ming Palace como melhor hostel da trip. O hostel era incrível, sem palavras mesmo, tem que ir lá para se hospedar. Aulas de dumplings, videoteca pra relaxar… Eu e o Rô estávamos no Economia Mode On, achando os quartos duplos dos hostel na China extremamente caros, então o jeito era se hospedar nos dorms. Nada mal!

Ainda sem pretensão nenhuma fomos dar uma volta pelo People´s Park onde se diz ser possível encontrar ótimas casas de chá. Já na entrada demos de cara com os incríveis caligrafistas de água.
Eles usam esses pincéis gigantes que absorvem água e escrevem no chão. Meia hora depois e o trabalho já evaporou. Não importa. Fica escrito na memória.

Depois disso fomos atrás da nossa casa de chá e apreciamos xícaras e mais xícaras com a perfeita combinação de sementes de girassol. Sementes de girassol. Que vício.

Uma vez estávamos pedalando em Shangri-la, morrendo de fome, fizemos uma parada perto de umas mulheres que haviam feito um stop de carro na beira dos campos de arroz, uma delas nos ofereceu as tais sementes de girassol. Lembro que a primeira vez que comemos não sabíamos direito o que fazer, do tipo, engolimos a casca ou não? Hoje em dia devo dizer que comemos sementes de girassol com uma desenvoltura que chega a ser maquinal. Acho que um dia vou ter que escrever um capítulo sobre as sementes de girassol. São incríveis. Volta para a realidade Ana Carolina.
E a realidade infelizmente é o que posso chamar de Top Momento Trash Da Minha Vida Ridícula: Pagar 30yuans para um chinês limpar os meus ouvidos. Se os chineses fazem eu quero fazer!!! Enquanto ele fazia o fio de metal vibrar dentro do meu ouvido num som ensurdecedor eu repensava nesse meu conceito de querer viver as experiências locais – incluindo a limpeza de ouvidos.

Underground minha gente!

E já que pagar para limpar os ouvidos pode soar tão bizarro, fica registrado aqui outra curiosidade encontrada no surreal People’s Park juntamente com os caligrafistas de água:
Se os caracteres chineses não despertam curiosidade, eu explico: nos deparamos com corredores e mais corredores com esses papéis pendurados. São papéis de pessoas que buscam namorada/o. Ou melhor: maridos e esposas. Em cada papel consta informações sobre o interessado como idade, profissão, altura, peso… e parece que as mães vão lá para negociar o casamento dos filhos. Num país onde há 18 milhões a mais de homens do que mulheres e onde permanecer solteiro é uma desonra, casamento é coisa séria. E acontece isso: varais para casamento e noivas cadáveres. Nunca ouviu falar das noivas cadáveres chinesas? Leia aqui uma matéria super interessante sobre o assunto.

Outra coisa que não esperávamos: que Chengdu pudesse lembrar tanto a Avenida Paulista… sem os paulistanos! Vocês não acham?
Ei, consegui fazer um post sobre Chengdu sem Pandas!!! Podem aguardar que Pandas transbordarão no próximo post, eu prometo!

Porra mãe! Também quero tirar foto com a Panda!

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Ilustrações do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo!

De bem com Shangri-la

Ainda das nossas aventuras em Shangri-la.

Pegamos as bikes e resolvemos dar uma volta ao redor do Napa Lake. São cerca de 30km a volta completa e a volta pela rodovia tem uma subida matadora. O lago nessa época não está no seu ápice, mas ainda assim havia água. Amo pedalar escutando música no iPod.
Estávamos pedalando há 1h30 quando fomos interceptados por um tiozinho num ticket office. Ele queria cobrar 50yuans por cabeça para podermos pedalar em volta do lago. Dei uma de louca, fingi que não estava entendendo nada e no fim vencemos o tiozinho pelo cansaço, rs… Lembre-se de levar água e comidinhas para o caminho, já que não é possível encontrar absolutamente nada para comprar.
No nosso último dia em Shangri-la resolvemos visitar o famoso Ganden Sumtseling Stompa, um dos mais famosos monastérios do sudoeste da China. Uma chinesa disse que havia uma entrada na lateral do monastério onde podíamos entrar sem pagar os 85yuans extorsivos cobrados na entrada. Tenha dó né… pagar 85yuans para entrar num monastério! Tudo bem que era lindo, mas dizem os monges que a grana nem vai para o monastério, vai para o turismo da cidade. Bem, fomos pela entrada free.
As pinturas nas paredes são absurdas e a vista lá do alto a coisa mais linda do mundo. É tudo absolutamente perfeito. Algumas partes estavam em reforma.
De volta à cidade, dias muito tranquilos. Ficamos hospedados no N´s Kitchen & Lodge (120 yuans quarto duplo) onde a energia elétrica acabava pelo menos 3 vezes por dia por causa dos preparativos para a festa de comemoração da fundação da cidade. Detalhe que a luz só acabava na nossa rua. Mas tudo bem, eles tem um sanduíche mais do que excelente de carne de iaque, acho que a melhor carne que comemos durante a viagem competindo com o memorável bife à Lisboa em Macau. A carne de iaque em Shangri-la está para a carne de lhama na Bolívia, de-li-ci-o-sa.

Todos os dias por volta das 19h, íamos até a Dancing Square onde os locais formam uma roda e ficam dançando até a noite, por pura diversão.
Dançar junto com eles foi uma das experiências mais legais que tive nessa viagem, nessa cidade linda e com o céu colorindo devagarinho. Sim amigos, 20h da noite o céu ainda é azul. Culpa do Partido Comunista que adotou um único fuso horário para um país que deveria ter 4 zonas de tempo diferentes.

No meio da cidade tem um templo e no meio uma roda dourada. É preciso girá-la 3 vezes mas isso só é possível com a ajuda de todo o mundo porque ela é super pesada. Suponho que um desejo deva ser feito. Poderia ter desejado que aqueles dias em Shangri-la nunca acabassem.
E a vista, pouco feia?
Essa cidade me passou uma energia muito boa, sensações positivas, já está guardada no meu peito como o amor de um marinheiro que foi embora e me deixou no cais esperando pela volta.
Traímos o movimento! Compramos uma passagem de avião para voar de Shangrila até Chengdu. Se não tivéssemos feito isso teríamos que pegar um ônibus de volta a Lijiang, de lá outro ônibus para KunMing e de lá um trem até Chengdu. Só aí iam mais uns dias brincando e a diferença de valor não era tão grande, pagamos $100 por cada passagem comprando 3 dias antes. Aliás, descobrimos o excelente site CTrip para comprar passagens baratas na China. Nossa, mas quanta justificativa só para dizer que compramos uma passagem de avião. Mas é verdade, tem mochileiro que te olha torto se você contar que não vai fazer um trecho por terra, rs…
Voando, voando, vamos até a Terra dos Pandas!

_____ Desenhos do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo.

Fui pra lá: Shangri-la!

Em Lijiang fomos até a estação de ônibus e por 70yuans compramos nossa passagem de ônibus para Shangri-la. Muita lama e um acidente no meio do caminho fez nossa viagem durar cerca de 5h em vez das 4h usuais, mas a construção de uma nova via expressa promete aliviar a estrada para os futuros viajantes. Mas tudo bem, além da paisagem do caminho ser incrível, o nosso ônibus tinha uma ótima seleção de filmes trash chineses, contando com o Missão Impossível 3.

Havia uma paisagem no meio do caminho…

Chegar na cidade foi um alívio, o número de turistas é infinitamente menor comparando com Lijiang. Até alguns anos Shangri-la era chamada Zhongdian, mas numa jogada de marketing e numa tentativa de se tornar um pólo turístico como Lijiang, a cidade mudou seu nome para Shangri-La, a cidade mística do livro Horizonte Perdido de James Hilton. A cidade está no caminho para se tornar a nova Lijiang com as inúmeras lojinhas de souvenir, restaurantes e cafés carinhos na Old Town, mas ainda está longe de atrair as enormes multidões de Lijiang. Ainda bem. Acho que um dos principais fatores é a altitude: os 3.200 metros acima do nível do mar podem ser um empecilho para muitos turistas. Nunca para mim! Compro uma máscara de oxigênio, mas não saio de Shangri-la!

A old town é bem pequena e acho que em um dia já é possível dar a volta inteira nela. As casas são diferentes de tudo o que já vi na minha vida. Isso que eu gosto na China, cada cidadezinha que chegamos tem suas particularidades e isso me mostra como o ser humano pode ser tão diverso e criativo, mesmo dentro de um mesmo país.
Shangri-la é linda com um pézinho no Tibet. É como se entrassemos em um outro país. As crianças com os rostos queimadinhos, os artesanatos coloridos, o vento gelado, me lembrou muito a Bolívia que é um dos países que mais gosto no mundo.

No lugar da lhama o iaque, por sinal dois animais muito saborosos – e me desculpem por pensar em comida quando falo em animais! =(

Iaque… hummm delicioso! Digo! Lindo!

Estávamos andando pela cidade quando resolvemos entrar em um Museu que viemos a descobrir: o tema era a Grande Marcha comunista enaltecendo os Guardas Vermelhos. Fiquei absolutamente chocada ao ver como a História é distorcida, não dá para ler as explicações sem sentir raiva. Isso me lembrou o dia em que estávamos num quarto compartilhado em KunMing e começamos a conversar com um chinês. Ele disse: Nossa, mas eu não entendo porque estrangeiros precisam de permissão para entrar no Tibet. Quer dizer: os caras não fazem absolutamente a menor idéia do que acontece no Tibet,  na China ou fora da China. A informação é totalmente controlada e a História é distorcida ao bel-prazer do Partido Comunista. Ouvi dizer que a programação da TV tem um atraso de 9 segundos que é o tempo suficiente para a censura tirar o canal do ar caso haja algo contraditório ao Partido.

Bem, Shangri-la foi uma das minhas cidades preferidas da viagem e achei que um post já mostrando tudo sobre Shangri-la não seria justo… Tem que rolar uma strip-tease, mostrando tudo aos pouquinhos… Já tiramos algumas peças de roupa de Shangri-la, no próximo post vemos a cidade toda nua, especialmente para vocês! 😉
Desenhos do post diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo.