Chegando no chefão: A China!

Tá vendo essa carinha fofa aí em cima? Não se deixe enganar não! A China não é nível fácil na hora de viajar, esqueça a receita de bolo do Sudeste Asiático!

As vezes eu e o Rô gostamos de brincar que o mundo é um video-game e que cada país é uma fase que temos que passar. Uma vez o Marcos, um amigo brasileiro que conhecemos em Chiang Mai, disse que a Índia era a graduação para os mochileiros. Bem, se o mundo é um video-game, arrisco a me dizer que a China é a fase final: com chefão.

Fomos até o China Resources Building em Hong Kong para tirar nosso visto. Há três tipos de visto: O regular que demora de 3 a 4 dias, o Express, que demora de 2 a 3 dias e o Rush que sai de um dia para o outro. Pagamos astronômicos HK$ 720 e tiramos o Rush, caso contrário íamos acabar com nossas carteiras se ficássemos alguns dias a mais em Hong Kong esperando pelo visto regular. Os horários de funcionamento da Embaixada são das 9h até o 12h e depois das 14h até às 17h. Chegamos lá umas 11h30 e começamos a preencher aquelas páginas todas do formulário, são muitas mesmo. Sei que estava quase dando meio-dia e eles precisavam fechar para o almoço, os guardinhas começaram a apressar a gente. Entreguei o formulário do jeito que estava, acho que deixei várias informações incompletas…rs… bem, o visto saiu de qualquer jeito. Pedimos para a moça 2 meses de permanência no nosso visto e ela disse: “Nossa, mas para que vocês querem ficar tanto tempo na China?”. E ganhamos um mero 1 mês que tivemos que estender.

Nunca achamos que a China ia ser fácil, mas também não desconfiávamos que seria tão difícil. Nosso objetivo era ir até Yangshuo na província de Guangxi. Saindo de Hong Kong pegamos um metrô até Hung Hom Station e de lá pegamos um trem até Guangzhou (2h de viagem – HK$ 190) fazendo todos os trâmites de atravessar a fronteira (mais infos sobre esse trem aqui). Chegamos em Guangzhou cansados, eram quase 20h e resolvemos dormir na cidade. E para sair da estação de trem? Ninguém falava absolutamente nada de inglês e não fazíamos idéia de onde estávamos. Bem, fiz uma mímica bem ridícula de metrô, mas que deu certo, um chinês logo nos indicou o caminho. Descemos na estação Taojin, tudo o que tínhamos era o nome de um hotel indicado pelo Lonely Planet. O hotel não tinha vagas. Uma mochila pesada, cansaço, fome, uma rua sem outros hotéis e totalmente perdidos num lugar onde ninguém falava inglês: a doce combinação do desespero. Sorte que ocasionalmente aparecem muitos anjos no nosso caminho e vimos um cara ocidental na rua. Bem, ele conhecia um hotel ali perto e finalmente pudemos descansar as nossas colunas. Fechamos a noite comendo numa Pizza Hut com um lindo cardápio em inglês.

Próximo dia o plano era o seguinte: Pegar um trem até Guilin e de lá um ônibus até Yangshuo, já que a linha de trem não passa por Yangshuo. Fomos até a estação de trem para comprar dois bilhetes  e voltamos para o hotel com dois guarda-chuvas. Primeiro quero lembrar que Guangzhou é a cidade que assiste a maior migração humana do mundo na época do Ano Novo Chinês. Segundo, devo dizer que a cidade tem 12 milhões de habitantes. Já imaginou como é a estação de trem numa sexta-feira? Agora pensa que está tudo escrito em chinês e que não encontramos nenhum balcão de informação. Também havíamos ido em dois ATMs sem conseguir sacar dinheiro. Pesadelos. Ah, e a chuva torrencial que começou justifica a volta com dois guarda-chuvas.

Eu digo com sinceridade que já estava pensando: “Aaaaaahhh quero voltar para Hong Kong! Vamos desistir da China e ir para a Malásia!”. Mas depois também pensei: “Perai… isso não vai ficar assim. Depois desses 3 meses não serei derrotada tão facilmente.” Vou poupar vocês da nova busca que se seguiu, da chuva que não parava, da nossa busca à uma agência de viagens… voltamos à estaca zero. Desistimos do trem e resolvemos que íamos de ônibus, fomos até o terminal ao lado da estação de trem e abençoado seja o balcão de informações em inglês. As atendentes escreveram tudo em mandarim num papelzinho e só tivemos que apresentá-lo para finalmente conseguir comprar os bilhetes.

Não sei se quem tem boca vai à Roma, mas quem tem papéizinhos com inscrições em Mandarim chega em qualquer lugar. E assim foi, tudo o que queríamos pedíamos para os funcionários do hotel escrever para nós. Coisas bobas do tipo: “Quero ir até a rodoviária”  ou “Sem pimenta, por favor!”. Chamamos esses papéis escritos para nós de Os Incríveis Papéizinhos Mágicos!

Além de mímica acho interessante aprender a fazer os números em chinês com as mãos, que pode ser bem útil. Os sinais as vezes sofrem pequenas variações de acordo com a região, mas esses de baixo são um padrão bem comum.
Também usamos um aplicativo no iPod, o Phrasebook do Lonely Planet que embora não seja dos melhores do mundo foi bem útil em diversas ocasiões, quando usamos ele para escrever “Estou perdido” num dia em que fomos largados no meio de uma estrada foi uma dessas ocasiões, mas isso fica para um futuro post! Com ele também já conseguimos pedir guardanapos e descobrir se a cerveja era de garrafa. Seguimos na incrível China, um país com muito mais surpresas do que a minha imaginação poderia alcançar!

Obrigado a você que escreveu um bilhete-amigo para nós!!!

Ilustração por Rômolo.

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4 respostas em “Chegando no chefão: A China!

  1. Bem. Como escrever algo diante desta maravilha de ezperiencias. Nao quwro ser repetitivo. Mas comecei a ler o blog a 2 dias e estou me sentindo drogado. Nao fico um minuto sem ler.parabens por tudo e obrigado pelas ezperiencias compartilhadas. Quem sabe um dia nao nos falamos. A nossa duvida? Vcs largaram o emprego para ficar os 4 meses e meio.? Abracos fernando e talita

  2. Caramba Nã, imaginei o sufoco na hora em que nenhuma alma falava um mísero ingles com vcs… Poxa… deve ter dado um pequeno desespero mesmo. Mas agora o gostinho de ter conseguido é ainda maior, não?? rs. Continuo me deliciando com os posts!

  3. estamos querendo ir em Yangshuo eu e meu noivo, foi ai que descobri, esse blog.Simplismente adorando as narracoes, rs nao querendo ser repetitiva, mais as frases sao demais, tipo ” va pra Macau comer feijao!!! amei!! rss

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