Lijiang: a Disney da China

Lijiang é linda, possivelmente uma das cidades mais bonitas que já visitei na vida. Quem me dera só eu pensar assim, já que assim concordam comigo as cerca de 5 milhões de pessoas que visitam a cidade anualmente. Dividindo isso por um ano, dá uma média de quase 14.000 pessoas por dia. É assustador.

Sério, não tenho nada contra cidades turísticas, uma das minhas preferidas, Hoi An no Vietnã, era cheia de turistas, mas Lijiang… Fomos para lá pensando passar uns 4 dias e não aguentamos, depois da segunda noite resolvemos sair rapidinho de lá.

Repito: a cidade é linda! Becos charmosos, canais trespassando a cidade, pontes “antigas”…

Ei, não se deixem enganar pelas nossas fotos! Foi pura sorte encontrar esses momentos vazios de Lijiang!

…e lojas e mais lojas de souvenir, KFC e Pizza Hut. A chuva mole que não parava, estava impossível andar nas ruas com aquele monte de gente e de guarda-chuvas.

Posso continuar sendo reclamona? Lijiang é tão bonita que parece fake. Aliás, parece não: é totalmente fake. A minha impressão é de que eu estava andando num parque temático chinês, numa daquelas vilinhas montadas do Hopi Hari. Isso é um problema muito sério da China os caras estão destruindo o país inteiro com essa ânsia de se modernizar o mais rápido possível, e o que é antigo e ainda está de pé é por conta do turismo. Isso quando eles não destroem o que é antigo para reconstruir no lugar algo que pareça mais antigo e bonito. As vezes passávamos por algum lugar e brincávamos: “Olha, eles estão construindo uma nova cidade antiga!”. É engraçado que quando começamos a viagem tínhamos uma imagem do país que ao final da viagem mudou totalmente. País comunista? Aham! O Brasil deve ser mais comunista que a China, nunca estive em um lugar tão capitalista! Leiam esse artigo muito esclarecedor do Vista Chinesa da Folha de São Paulo: O passado chinês não é mais como era antigamente.

Chega de reclamar? Lijiang é base dos Naxi, uma das minoria étnicas na China, o último povo que ainda usa hieróglifos para sua linguagem escrita. Absurdamente bonito. E mais fácil do que os caracteres chineses, não?
Aconteceu uma coisa muito bizarra lá. Eu e o Rô estávamos andando na rua imaginando como seria o mundo se a língua universal fosse o português. Ficamos imaginando como seria conversar com alguém que não tivesse o português como a língua nativa, como teríamos que falar mais devagar para a pessoa conseguir nos entender direito. Não deu 10 minutos escutamos alguém perguntando: Vocês são brasileiros? – cara, era um chinês! Ele tinha morado por 1 ano em Porto Alegre e falava português tão bem que se ele não tivesse falado eu teria achado que o menino era brasileiro. Até usava umas gírias, falando “tipo”. Fiquei chocada. Ele disse que havia aprendido português porque era mais fácil encontrar empregos que pagassem bem (me conta aonde!). Daí combinamos de nos encontrar na frente do moinho à noite, ele disse que tinha mais duas amigas chinesas que falavam português. E para encontrar ele à noite com aqueles mil chineses na frente do Moinho? Impossível! Ah, amei o nome brasileiro escolhido por ele: Kaká!

Comer barato em Lijiang é uma tarefa difícil, só dar uma andadinha para fora da Old Town que você encontra aquelas deliciosas cestinhas com 10 dumplings por 5yuans. Nos hospedamos no Panba Hostel, uma graça, pagando 120yuans pelo quarto duplo. Ele fica bem distante daquela bagunça do centro velho, mas uns 5 minutos andando e você já cai de novo dentro da muvuca.

Lijiang, você é linda, mas…. Beleza não põe mesa!

Pois é… no fim as lembranças que ficaram de Lijiang foram os turistas!

Desenhos do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo. (clique na imagem para ver detalhes)
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DICAS:

De Dali para Lijiang foram cerca de 4h, pagamos 50yuans e compramos o bilhete no Panba Hostel mesmo. Ao chegar em Lijiang o ônibus vai te deixar na Estação de Ônibus na parte nova da cidade. Pegue o ônibus número 11 bem em frente à estação para chegar à Old Town.

Como fico com peso na consciência de falar mal das cidades… aqui vai um post com uma imagem positiva de Lijiang do blog amigo Viagem Afora!

Adorável Dali

Assim como Yangshuo e Lijiang, Dali é mais uma daquelas lindas cidadezinhas turísticas chinesas onde vale a pena dar uma parada para quebrar as longas jornadas pela China. Chove chuva na China, e assim passamos dois dias limitados aos arredores da cidade – o que não é má coisa.

As casas da minoria étnica Bai são um trabalho de delicadeza com belas pinturas nas paredes e os canais que cortam a cidade são um charme à parte.

Vale lembrar que Dali é dividida em duas áreas: Xiaguan (Dali New City) e Dali Old Town. Xianguan é super sem graça e provavelmente onde o ônibus vai te deixar. Saindo da rodoviária pegue o ônibus número 8 por 1yuan que te deixará dentro da Old Town. Outra opção é pegar um taxi por cerca de 40 yuans. Nos hospedamos na ótima Friends Guesthouse pagando 100 yuans num quarto duplo.

Dica para o almoço barato: A partir do South Gate e seguindo até a Ren Min Lu vire à direita para encontrar diversos restaurantes pé sujo bons e baratos. Alguns desses restaurantes deixam os alimentos frescos (e os animais vivos) para que o cliente possa escolher.
Uma coisa que vou sentir falta da China é comer os dumplings no café da manhã.
Em Dali finalmente pegamos um frio que me obrigou a comprar um casaco quente e a usar minhas calças jeans pela primeira vez desde que saímos do Brasil. Coisa de 14º. Fico feliz por não tê-la despachado em Hong Kong. O Rô finalmente pôde usar o casaco feito sob medida em Hoi An.

Tempo frio em Dali só tem uma receita: Muito chá e sopa para esquentar.
Desenhos diretamente do Incrível Caderno de Viagens do Rômolo.

Longsheng: Na espinha do Dragão

De Yangshuo pegamos um ônibus (cerca de 15 yuans) até Guilin, numa curta viagem de cerca de 2h. É bem fácil encontrar esse ônibus, basta ir até o terminal de ônibus de Yangshuo e dizer: Guilin, que eles te guiam até o lugar certo. Chegando em Guilin passamos a noite no Ming Palace, sem dúvidas o melhor hostel que já ficamos até hoje. O ambiente era uma delícia, cheia de poltroninhas, sinuca e jogos chineses. Foi aí que aprendemos a jogar Mahjong, umas espécie de jogo de baralho chinês, mas com peças estilo dominó. Fiquei super feliz, porque outro dia eu e o Rô estávamos assistindo um filme de kung fu na TV onde os personagens jogavam esse jogo e eu estava super curiosa. E bem, finalmente aprendemos.

Olha os pandas no vício do Mahjong…

O legal é assistir filmes com Mahjong depois e entender o que está rolando… Vimos depois o bizarro filme Kung Fu Mahjong. Garanto que não precisa de legendas para achar engraçado (no You Tube tem o filme completo em cantonês).


Também havíamos comprado um xadrez chinês para aprender a jogar pelo caminho e conhecemos um casal de chineses que se deu ao trabalho de nos ensinar… Bem, descobrimos que esse é o melhor jeito de passar o tempo na China. Sei que toda vez que falamos para os chineses que sabemos jogar esses jogos eles ficam: 1. muito chocados; 2. rindo da nossa cara.

Rômolo concentrado no clássico Brasil x China

Bem, fomos até Guilin com o único objetivo de ir até o Dragon´s Backbones Terraces que fica a cerca de 3h de lá. O Dragon Backbone´s Terraces consiste numa área com campos de arroz incríveis, foram construídos durante a disnatia Ming há cerca de 500 anos atrás.

Para chegar de Guilin até Longsheng County (o município onde ficam os  terraços) foi uma tremenda dor de cabeça. Se locomover na China realmente não é fácil. Em Longsheng há diversos vilarejos onde você pode se hospedar na região dos terraços, sendo Ping An o mais famoso. Nós queríamos ficar em Dazhai, já que todos diziam que Ping An era super turístico, lotado e em um lugar não tão bonito quanto Dazhai. Fomos até a Southern Guilin Bus Station (também conhecida como Qintan Bus Station) para comprar o tal do ônibus, pagamos cerca de 30yuans. No meio do caminho paramos em um lugar e tivemos que trocar de ônibus. Pagamos mais 7 yuans e dissemos que queríamos descer em Dazhai. Bem, o ônibus simplesmente largou apenas eu e o Rô numa bifurcação na estrada e continuou o rumo para Ping An, e a única palavra que a mulher disse antes de nos largar foi: Bus. Ficamos ali, no meio de placas chinesas sem saber o que fazer. Tentamos parar alguns ônibus, mas ninguém parava. Depois tentamos parar um carro e ninguém falava inglês. O outro carro que parou queria cobrar 80yuans pela carona. Pensa no desespero dessa pessoa. Cara, fiquei com muita raiva na hora, é até engraçado lembrar agora… Eu comecei a chutar uma ponte e gritar: Eu odeio a China!!!!!!! hahaha… bem, até que paramos um carro e usamos o Phrasebook no iPod do Rô para dizer: “Eu estou perdido”. Subimos no carro, o cara fez uma ligação no celular que eu achei super suspeita. Ele começou a subir a montanha e eu morrendo de medo, pensando: “Ai meu Deus… ele vai nos sequestrar e ligou para avisar alguém que está com uns gringos no carro!”. Bem, mil pensamentos passando mas não tínhamos outra opção. Por fim, ele nos deixou na entrada de Ping An e sem cobrar nada. Ufa. Acho que temos assistido muito filme de máfia chinesa.

Querer sair da rota dá nisso, fomos parar justamente em Ping An. Depois descobrimos que haviam nos largado na bifurcação para esperar outro ônibus. Mas tudo bem, o vilarejo é bem amável e com muitas opções de hospedagem e restaurantes, chegamos lá sem nada reservado. Entramos em um hotel que parecia ser legal mas era muito caro… a menina que falava inglês e era super simpática disse que podíamos ficar no hotel do tio dela ali do lado que custava 80yuans. O hotel era todo de madeirinha – como todos os outros da região – e tinha uma vista bem bonita dos campos de arroz. Parece que todos os hotéis por lá são no mesmo estilo, a média de preço é uns 100 yuans. Não posso recomendar esse hotel porque o nome estava em chinês, e na verdade não era propriamente um hotel… era mais uma casa mesmo com alguns quartos onde ninguém falava inglês, então íamos sempre no hotel da menina para pedir informações.

Bem, uma nota: Se você quer viajar pela China na Primavera vai pegar muita chuva em algumas regiões, parece que grande parte da chuva que cai durante todo o ano, cai nos meses de maio e junho. Dia sim, dia não estamos pegando chuva. Nosso dia de chegada lá: garoa e neblina. Os campos totalmente cobertos por nuvens. Mas gostamos do clima da cidade e resolvemos que íamos ficar lá descansando por duas noites.
No dia seguinte a neblina continuava da nossa janela, mas fomos persistentes. Pegamos os guarda-chuvas e resolvemos fazer uma das trilhas que rodeavam o vilarejo. As trilhas são bem fáceis, caminhos de pedras com inúmeras subidas e descidas, mas bem tranquilo. Você também pode descolar um mapa da região caso queira fazer trilhas mais longas, como a de Ping An até Dazhai que leva cerca de 5h. Depois de andar e subir bastante, tivemos a recompensa. O céu deve ter ficado com dó da gente e abriu suas cortinas para um espetáculo que dificilmente será esquecido.
Acho que a neblina deu um ótimo toque, não? Bem, ficamos lá na cidade, comemos o delicioso arroz no bambu, tomamos muito chá, assistimos TV no nosso quarto enquanto a neblina crescia lá fora… e mesmo que o tempo não estivesse tão bom, tivemos o privilégio de vislumbrar a Espinha do Dragão em uma de suas melhores formas.

Desenhos diretamente do maravilhoso Caderno de Viagens do Rômolo.
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DICAS:

Para voltar a Guilin há dois ônibus diários turístico que vão direto até a cidade partindo em dois horários: 10h e 14h. Preço: 50yuans.

Para chegar até Longsheng de Guilin é meio chatinho, usamos esses links para pesquisar a melhor forma:

http://wikitravel.org/en/Longsheng#Get_in

Paga-se 80 yuans para poder entrar nos vilarejos do Dragon´s Backbones Terraces.

Os terraços mudam de cor a cada estação. Amarelo no outono, verde no verão, cobrem-se de neve no inverno e viram espelhos de água na primavera.

Chazim para aquecer o coração.

Entre as montanhas de Yangshuo

Alguns me considerarão de coração leve por me apaixonar demais, mas é culpa minha se Yangshuo é assim?

Às margens do pitoresco Li River que passa pela cidade.

Foi assim em Bangkok, foi assim em Hoi An, foi assim em Hong Kong e agora meu coração bate mais forte quando penso em Yangshuo. Ahhh, era isso mesmo que eu imaginava quando eu pensava: A China. Eu olhava para Yangshuo e pensava: Para de ser linda assim! Para!!! Meus olhos ardem!!!

Encravada no meio de montanhas e com cerca de 300.000 habitantes, Yangshuo  é um tesouro precioso. À noite as ruas se enchem de turistas: 99% chineses. Mas muita gente mesmo, quantidade nível 25 de março. Na primeira noite fiquei assustada e voltamos para o refúgio do nosso hotel. Mal sabia eu que a massa de turistas chineses seria uma constante nas próximas semanas.

Alguém contou 1,3 bilhão aí?

Yangshuo é notadoriamente conhecida pelas paisagens pitorescas nos arredores da cidade. Fazendo trekking ou de bicicletinha, está tudo a um passo da força das suas pernas. Alugue uma bike por 10 yuans o dia e chore de emoção enquanto pedala.

No primeiro dia resolvemos fazer um circuito que levava até a Dragon Bridge. Uma viagem onde a atração principal estava no caminho, e não no destino final.

Quando alcançamos a Dragon Bridge resolvemos pegar um dos famosamente turísticos Bamboo Boats (não pague mais que 150 yuans por duas pessoas). Colocamos nossas bikes no barco e descemos rio abaixo o caminho de volta em direção a um vilarejo próximo à Yangshuo. A paisagem é incrível, e não tenho mais palavras. Mas tenho imagens: Põe na tela Produção!
No meio do caminho os barqueiros disseram que podíamos nadar, caímos no rio com roupa e tudo. Sei que na hora em que estávamos lá na água, nadando com as americanas que tínhamos conhecido, no meio daquele rio com aquelas montanhas… foi o mais puro sentimento da felicidade!

Dia seguinte pedalamos até a Moon Hill (15 yuans de entrada), estacionamos as bikes na entrada e subimos uma trilha bem fácil – porém cansativa – pelas escadas, dura cerca de meia hora. Certifique-se de que você tem água suficiente. A montanha com um buraco no meio oferece uma vista encantadora da região.
Uma coisa que fez eu me sentir muito mal: em dias de movimento fraco, umas velhinhas sobem com você a montanha só para chegar no topo e te vender a água por 5 yuans. Dá muita dó. Havia uma senhorinha corcunda de uns 80 anos subindo 800 degraus no tempo abafado para ganhar menos de 1 dólar. Vimos um belga que não quis comprar água (também não era obrigação dele) e a velhinha ficou muito puta porque ela o tinha seguido até o topo, saiu xingando  de tudo quanto é nome.

Depois disso fomos para as tais cavernas com banho de lama e hot springs. Há duas cavernas, uma é fake e a outra é a original. Adivinha em qual fomos parar? Na fake, claro. Pagamos 100 yuans para ter uma experiência das mais desagradáveis. A caverna era assustadora, gelada, escorregadia e feia…  só valeu pelo banho nas águas quentes, que reza a lenda, é artificialmente aquecida. Certifique-se de que você vai para a caverna certa ou vai acabar na Moon Water Cave que está entre os nossos Top Furadas da Viagem. Quando for comprar o ingresso, peça para vê-lo antes, e confirme se está escrito Moon Water Cave. Se estiver, fuja.

Voltando para a cidade, vale a pena experimentar duas especialidades locais: O pato na cerveja e o caracol (ou escargot) recheado.

Olha, sinceramente, tem tanta coisa para fazer nos arredores de Yangshuo que dá para passar uma semana fácil ali… mas partimos em direção à Guilin para alcançar os famosos Terraços de Arroz: O Dragon Backbone´s Terraces. Vamos?
Desenhos diretamente do maravilhoso Caderno de Viagens do Rômolo.
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DICAS:
– Não vou indicar o hotel que ficamos em Yangshuo porque tivemos um pequeno desentendimento chato com os funcionários de lá. Longa história.

– Chegando na rodoviária de Yangshuo, pense duas vezes antes de pegar um taxi: a rodoviária é bem no centro, provavelmente você consegue chegar no seu hotel andando.

Chegando no chefão: A China!

Tá vendo essa carinha fofa aí em cima? Não se deixe enganar não! A China não é nível fácil na hora de viajar, esqueça a receita de bolo do Sudeste Asiático!

As vezes eu e o Rô gostamos de brincar que o mundo é um video-game e que cada país é uma fase que temos que passar. Uma vez o Marcos, um amigo brasileiro que conhecemos em Chiang Mai, disse que a Índia era a graduação para os mochileiros. Bem, se o mundo é um video-game, arrisco a me dizer que a China é a fase final: com chefão.

Fomos até o China Resources Building em Hong Kong para tirar nosso visto. Há três tipos de visto: O regular que demora de 3 a 4 dias, o Express, que demora de 2 a 3 dias e o Rush que sai de um dia para o outro. Pagamos astronômicos HK$ 720 e tiramos o Rush, caso contrário íamos acabar com nossas carteiras se ficássemos alguns dias a mais em Hong Kong esperando pelo visto regular. Os horários de funcionamento da Embaixada são das 9h até o 12h e depois das 14h até às 17h. Chegamos lá umas 11h30 e começamos a preencher aquelas páginas todas do formulário, são muitas mesmo. Sei que estava quase dando meio-dia e eles precisavam fechar para o almoço, os guardinhas começaram a apressar a gente. Entreguei o formulário do jeito que estava, acho que deixei várias informações incompletas…rs… bem, o visto saiu de qualquer jeito. Pedimos para a moça 2 meses de permanência no nosso visto e ela disse: “Nossa, mas para que vocês querem ficar tanto tempo na China?”. E ganhamos um mero 1 mês que tivemos que estender.

Nunca achamos que a China ia ser fácil, mas também não desconfiávamos que seria tão difícil. Nosso objetivo era ir até Yangshuo na província de Guangxi. Saindo de Hong Kong pegamos um metrô até Hung Hom Station e de lá pegamos um trem até Guangzhou (2h de viagem – HK$ 190) fazendo todos os trâmites de atravessar a fronteira (mais infos sobre esse trem aqui). Chegamos em Guangzhou cansados, eram quase 20h e resolvemos dormir na cidade. E para sair da estação de trem? Ninguém falava absolutamente nada de inglês e não fazíamos idéia de onde estávamos. Bem, fiz uma mímica bem ridícula de metrô, mas que deu certo, um chinês logo nos indicou o caminho. Descemos na estação Taojin, tudo o que tínhamos era o nome de um hotel indicado pelo Lonely Planet. O hotel não tinha vagas. Uma mochila pesada, cansaço, fome, uma rua sem outros hotéis e totalmente perdidos num lugar onde ninguém falava inglês: a doce combinação do desespero. Sorte que ocasionalmente aparecem muitos anjos no nosso caminho e vimos um cara ocidental na rua. Bem, ele conhecia um hotel ali perto e finalmente pudemos descansar as nossas colunas. Fechamos a noite comendo numa Pizza Hut com um lindo cardápio em inglês.

Próximo dia o plano era o seguinte: Pegar um trem até Guilin e de lá um ônibus até Yangshuo, já que a linha de trem não passa por Yangshuo. Fomos até a estação de trem para comprar dois bilhetes  e voltamos para o hotel com dois guarda-chuvas. Primeiro quero lembrar que Guangzhou é a cidade que assiste a maior migração humana do mundo na época do Ano Novo Chinês. Segundo, devo dizer que a cidade tem 12 milhões de habitantes. Já imaginou como é a estação de trem numa sexta-feira? Agora pensa que está tudo escrito em chinês e que não encontramos nenhum balcão de informação. Também havíamos ido em dois ATMs sem conseguir sacar dinheiro. Pesadelos. Ah, e a chuva torrencial que começou justifica a volta com dois guarda-chuvas.

Eu digo com sinceridade que já estava pensando: “Aaaaaahhh quero voltar para Hong Kong! Vamos desistir da China e ir para a Malásia!”. Mas depois também pensei: “Perai… isso não vai ficar assim. Depois desses 3 meses não serei derrotada tão facilmente.” Vou poupar vocês da nova busca que se seguiu, da chuva que não parava, da nossa busca à uma agência de viagens… voltamos à estaca zero. Desistimos do trem e resolvemos que íamos de ônibus, fomos até o terminal ao lado da estação de trem e abençoado seja o balcão de informações em inglês. As atendentes escreveram tudo em mandarim num papelzinho e só tivemos que apresentá-lo para finalmente conseguir comprar os bilhetes.

Não sei se quem tem boca vai à Roma, mas quem tem papéizinhos com inscrições em Mandarim chega em qualquer lugar. E assim foi, tudo o que queríamos pedíamos para os funcionários do hotel escrever para nós. Coisas bobas do tipo: “Quero ir até a rodoviária”  ou “Sem pimenta, por favor!”. Chamamos esses papéis escritos para nós de Os Incríveis Papéizinhos Mágicos!

Além de mímica acho interessante aprender a fazer os números em chinês com as mãos, que pode ser bem útil. Os sinais as vezes sofrem pequenas variações de acordo com a região, mas esses de baixo são um padrão bem comum.
Também usamos um aplicativo no iPod, o Phrasebook do Lonely Planet que embora não seja dos melhores do mundo foi bem útil em diversas ocasiões, quando usamos ele para escrever “Estou perdido” num dia em que fomos largados no meio de uma estrada foi uma dessas ocasiões, mas isso fica para um futuro post! Com ele também já conseguimos pedir guardanapos e descobrir se a cerveja era de garrafa. Seguimos na incrível China, um país com muito mais surpresas do que a minha imaginação poderia alcançar!

Obrigado a você que escreveu um bilhete-amigo para nós!!!

Ilustração por Rômolo.

Macau e as férias no Brasil

Aiai, Macau, que carinho! Tiramos nossas férias de Ásia nos dois dias em que passamos por Macau. Um pinguinho de Brasil no nosso caminho, já que Macau é nosso primo distante e ex-colônia de Portugal. Macau não se deixa ficar: os hotéis são escassos e caríssimos!!! Depois de muito procurar encontramos um na bela Rua da Felicidade n°71, foram cerca de $60 por um quarto de casal no Hotel Kou Va (eles não tem website), o mais caro que já pagamos na nossa viagem. Valeu a pena.

Matamos a saudade de ler placas em português
de comer os pastéizinhos de nata que havíamos provado em Portugal
de andar nas calçadas portuguesas que vemos em Sampa e até de comer feijão e uma boa carne num dos muito restaurantes portugueses da cidade. Inclusive recebemos boas recomendações de um restaurante brazuca, o Yes Brazil (Endereço: Travessa da Fortuna 6-A), mas infelizmente não tivemos a chance de provar.

Não se deixe enganar: apesar de todas as indicações de que se fala português por lá, nenhum chinês é capaz de pronunciar a palavra “obrigado” sem trocar o “R” pelo “L”. O português fica mesmo só nas placas e nomes das lojas.
Macau tem o excelente Museu de Macau por onde você pode começar a sua visita à cidade. Foi ótimo poder descansar nossos cérebros e poder ler todas as legendas em português no museu que contava um a história da cidade de uma forma que prendia a atenção.

Para comer não faltam opções, na Travessa de São Domingos você encontra excelentes cafés e restaurantes portugueses… cheios de portugueses e brasileiros. Foi bem estranho estar de novo num ambiente onde todos entendiam o que você estava falando. Recomendo o bife à Lisboa do Ou Mun Café que chega derretendo! Agora, se você é como eu e não pode ficar muito tempo sem feijão sem ter um piripaque, o Boa Mesa pode ser uma boa opção. Só tenho a impressão de que o Pedro, o dono português, não curte muito brasileiro, rs… ele fez várias piadinhas sem graça conosco. Bem, você pode simplesmente ignorá-lo e saborear a “feijoada”. Apesar do nome, não é bem uma feijoada como nós conhecemos, mas sim um feijão que não deixa de ser bem bom. De sobremesa? Um dos inúmeros pasteizinhos de nata que são vendidos em todos os cantos do Centro Histórico.

Macau é ótimo para se andar à toa no Centro Histórico, a calçada e as construções em estilo português são realmente muito bonitas.

As belas Ruínas da Igreja de São Paulo

Esse é o lado A da cidade, o lado B são os Cassinos que fazem Macau ser conhecida pelo ótimo apelido de “Las Vegas da Ásia”. Não dá para escapar. De qualquer ponto alto da cidade não tem como deixar de ver as bizarras construções de mau gosto dos cassinos.
Fomos conferir de perto né? Não jogamos, mas visitamos o extravagante Cassino Lisboa. Só chineses lá dentro jogado. É um clima bem interessante e vale a pena ir só para dar uma olhadinha. Eu até estava cogitando apostar uns HK$ 10 num jogo, mas quando vi que na mesa não rolava menos que HK$ 100… melhor deixar pra lá né! Para os mais iniciantes e que não se importam de perder algumas moedinhas há os clássicos caça-níqueis. Bom, não sei, é meio estranho porque só tem chinês lá… você não vê um gringo nas mesas, me senti meio intimidada rs…

Fora da parte histórica da cidade Macau chama atenção pelos edifícios gigantes e brilhantes.
Macau tem também um ótimo Museu de Artes caso você tenha perdido o Museu de Artes de Hong Kong. É possível ver os mesmos artistas em ambos os Museus.

Eu não queria ter ido embora de Macau, mas pagar $60 a noite por um quarto… não dá né… $60 equivalem a 3 noites em Hong Kong ou 6 noites no sul da Tailândia ou 10 noites em Hoi An… ou – uau! – 20 noites no nosso antigo hostel em Chiang Mai! Tem muita gente que acha Macau sem graça, daí vale a pena fazer uma day trip de Hong Kong até Macau. É bem fácil, de Hong Kong é só pegar um ferry que em cerca de 1h você está lá. Lembrando também, que assim como Hong Kong, Macau é e não é da China. Então você tem que fazer todos os trâmites de imigração, carimbar o passaporte e etc… A moeda são as patacas, mas todo mundo aceita dólar de Hong Kong, então nem trocamos o nosso dinheiro. Vá já para Macau comer feijão! (Antes que a cidade seja engolida pelos cassinos!).

Foto sugestiva…

Hong Kong

No dia em que pousamos em Hong Kong, demos a sorte de estar numa quarta-feira. E se quarta-feira é dia de feijoada em São Paulo, em Hong Kong é dia de cavalo!!!

Happy Valley
Paga-se HK$10 para se ter acesso ao jóquei, o Happy Valley, e a graça é perder os escrúpulos e cair na jogatina apostando nos prováveis cavalos campeões.

Bem, ainda tínhamos uns meses pela frente, não podíamos nos dar a tanto luxo… mas quando se começa, é difícil parar, e eu e o Rô apostávamos uns HK$10 por corrida jurando sempre que ia ser a última vez. Bem, essa última vez durou pelo menos 5 vezes e contou com apenas um acerto (que ainda foi palpite de um senhorzinho experiente que conhecemos por lá).
Nunca tínhamos apostado numa corrida de cavalo antes e não sabíamos por onde começar. Dentro do jóquei você encontra uns papéizinhos explicando como fazer ou você pode pedir ajuda para os solícitos funcionários. Pegue sua cerveja, cruze os dedos e acompanhe com emoção a corrida de cavalos!

Rômolo na tensão: “Será que o Sunshine Kid vai ganhar dessa vez?”

Avenida das Estrelas
Não pode visitar a Calçada da Fama em Hollywood porque não conseguiu o visto americano? Esqueça isso e venha para a Avenida das Estrelas em Honk Kong! Localizada na beira-mar de Kowloon, você pode não encontrar seu Brad Pitt ou Angelina Jolie, mas vai se deparar com as mãozinhas eternizadas de Bruce Lee, Jackie Shan e Jet Lee.
A Avenida das Estrelas é cafona? É sim, mas não deixa de ser divertido tirar uma foto ao lado do Bruce Lee. Ou melhor: ver as pessoas tirando uma foto ao lado do Bruce Lee.

Ah, e tem a vista que mesmo com tempo ruim não consegue ficar feia.
Os Museus

Os Museus são um capítulo à parte em Hong Kong, e poderiam ser a perdição financeira para essa dupla de viajantes se não existisse o Hong Kong Museum Pass! Por HK$30 você compra o ticket semanal que te dá o direito de visitar uma imensa lista de museus da cidade – que não são poucos – dentro do período de de 7 dias. Nesse link você fica a par de todas as suas possibilidades. Abaixo coloco os preços separados dos Museus caso você não compre o HK Museum Pass.

Museum of History
Preço: HK$30
Esse museu é incrível, e tão grande que passamos uma tarde inteira nele e ainda não conseguimos terminá-lo. Super bem feito e pensado nos mínimos detalhes, o Museu se leva a sério quando propõe contar toda a História de Hong Kong e começa com pedras e achados arqueológicos. Dedique mais tempo às seções que tratam da Guerra do Ópio e de como Hong Kong se tornou colônia britânica.

Museum of Science

Preço: HK$25
Diversão dos pequenos e por que não? Dos grandes também! Disputando espaço com as crianças é possível passar um bom tempo no museu da Ciência com todas aquelas engenhocas demonstrando experiências científicas, Físicas e o que mais você imaginar. Nossa parte preferida: a sala de espelhos!
Museum of Space

Preço: HK$10
Se você é fascinado por tudo o que vem do espaço, o Museum of Space é para você. Mostra curiosidades sobre naves espaciais, sobre o sistema solar, estrelas e possui os tradicionais experimentos interativos desenvolvidos na medida para crianças.

Museum of Arts

Preço: HK$10
Será karma? Só porque nós amamos visitar Museus já nos deparamos com uns 4 onde algumas seções estavam fechadas! Desta vez conseguimos visitar a exposição sobre caligrafia e porcelana chinesas. As seções sobre arte tradicional e contemporânea estavam fechadas! =( Deixo para vocês a tarefa de escrever sobre o Museum of Arts! 😉

Se você já fez compras por todos os shoppings da cidade, fez caminhadas pela Ilha de Lantau e visitou o Buda Sentado, apostou num cavalo e perdeu, visitou todos os museus e acha que já esgotou todas as possibilidades de Hong Kong… vá ver o super emocionante Noon Day Gun.

Brincadeiras à parte, o Noon Day Gun não tem nada de emocionante, mas diariamente, pontualmente ao meio dia, um senhor aciona o canhão que pode ensurdecer quem mais estiver perto. Não é super imperdível nem faz bem para os ouvidos, mas se você estiver dando uma passadinha em Causeway Bay no horário do almoço… por que não? =)