De pacotão pelo Mekong

Bem, eu e o Rô definitivamente não somos adeptos de tours pagos, mas dessa vez não teve jeito. Estávamos em Saigon e a forma mais prática de se visitar a famosa região do Delta do Mekong era através de um pacote. Pagamos $18 pelo tour de dois dias com a Agência Tuan Travel. Sei lá por que achamos que talvez déssemos sorte e o tour não fosse como todos os outros. Bem, não demos, lá estávamos nós navegando pelo Mekong e fazendo parada de 15minutos num lugar para ver os locais fazendo quadros com casca de concha, depois 20min para turista bater foto segurando colméia e enrolando uma cobra no pescoço… Depois eu estava dando uma olhada no folder da agência e em um dos pacotes que eles oferecem estava escrito: “Você poderá dizer “Hello” para os locais!” Ai. Dói.

Enfim… se nem tudo foi como esperávamos não deixamos de ter nossos bons momentos nesse meio tempo. Conto aqui para vocês como foram nossos dois dias de oficialmente turistas, com direito a adesivinho da agência colada na camiseta!

Pegamos o ônibus às 8h30 da manhã em Saigon e depois de duas horas de viagem chegamos a My Tho, uma das cidades na beira do Mekong. De lá pegamos um barco e fizemos diversas paradas rápidas e turísticas, como as que já citei no começo do post. O cúmulo do constrangimento foi assistir a uma “apresentação” de música dos locais enquanto provávamos umas frutas. Super desanimado. Pelo menos as frutas estavam boas.

Não vou negar que as paisagens ao longo do Mekong são encantadoras, tirando essas paradas fakes que fazemos no caminho. É muito lindo isso, ver de perto toda as vilas que brotam nas margens do Mekong e como a vida de todas as pessoas gira em torno dele.
Bem, a parte mais legal do dia foi andar nos barquinhos pelos canais estreitos do rio, cheio de vegetação em volta. Só que isso foi muito rápido, nem deu tempo de entrar no clima. Quer dizer, o que deveria ter sido o ápice do dia não durou nem 15 minutos.
Durante o dia conhecemos um casal muito gente boa: o Lawrence nasceu no Brasil e foi para Londres com 11 meses de vida, mas a mãe dele era de Portugal, portanto ele falava português super bem. O Lawrence é casado com a Diana, uma colombiana, então passamos o dia inteiro do tour com eles, o que salvou um pouco o nosso dia.

Mas o que salvou nosso dia definitivamente, foi quando – continuando o tour – pegamos o ônibus para passar a noite em Can Tho. Valeu a pena só por passar a noite na cidade que tem uma graça de beira-rio (eu e as beira-rios né…rs…). Bem, essa noite eu e o Rômolo decidimos que íamos comemorar nosso aniversário de 3 anos de namoro e comer num restaurante bacana. Queríamos algo bem na beira do rio e logo avistamos um restaurante que parecia um barco. “Nossa, eles tem até colete salva-vidas para tornar a experiência mais real!” eu pensei.
Sei que no fim da noite lá estávamos nós no meio do rio jantando e tomando cerveja, com direito a apresentação de mágico e cantores…rs… O restaurante era de fato um barco, e quem quisesse ir embora antes dele ancorar de novo tinha que pegar um mini barco para voltar para o porto. Só haviam locais comendo lá, eu e o Rô viramos atração, para variar, o povo perguntando de onde nós éramos, as tiazinhas mexendo nos dreads do Rômolo…rs… Se o barco estiver ancorado, não perca a oportunidade de jantar nele. Não é tão caro, gastamos uns $25 no total comendo muitos frutos do mar e tomando muita cerveja. O barco-restaurante se chama Nhà Hàng Du Thuyên, acho que ele parte do porto às 19h e volta às 22h.

No dia seguinte acordamos às 6 da manhã, tomamos o café da manhã e fomos para o que considero o ponto alto do nosso tour: o Mercado Flutuante de Cai Rang.
Centenas de barcos carregados de frutas e legumes, é lá que muitos locais vão para fazer compras – de barco, claro.
Não espere nada turístico, barcos vendendo souvenirs ou coisas do tipo, os barcos estão lá para os locais, não para os turistas. Alguns barcos se aproximaram para vender água e frutas, eles amarravam os barcos no nosso e você podia até pular para o outro barco para comprar.

Vai um abacaxi aí?

Depois disso nada demais… voltamos para nosso hotel e tínhamos 1h livre para almoçar. Eu e o Rô fomos num restaurante ali do lado com uma espanhola e um italiano que conhecemos, o cardápio parecia a Arca de Noé: Cobra, rato, sapo… Eu fui de cobra, o italiano foi de rato.
Cobra tem gosto de que? Não sei explicar, tinha muito curry no meu prato. Mas você tem que mastigar bastante. Se não me engano era uma cobra d’água, porque vi um aquário lá no restaurante cheio de cobras vivas. Com certeza eu repetiria! Já o rato… experimentei um pedacinho e fiquei com nojinho… quem sabe na próxima!

É, fazendo o balanço final o tour não foi de todo mal, incorpore um jantar num barco e uma cobra no almoço, e pronto: você tem uma bela justificativa para visitar o Delta do Mekong de pacotão!
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Dicas:
Brincadeiras à parte, se eu pudesse fazer de novo faria a trip por conta própria, iria até Can Tho e descolaria um barco lá, custa mais ou menos $5 a hora do barco. 😉

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