Pelos museus de Miss Saigon

A história do Vietnã é longa, mas numa versão bem resumida encontramos o país durante a Colonização francesa e vemos a luta vitoriosa do Vietnã para se tornar independente. Vem o Tratado de Geneva que divide o país em dois (norte e sul). O norte comunista liderado por Ho Chi Minh, Estados Unidos se metem no meio apoiando o Sul e aí temos a Guerra do Vietnã (ou Guerra Americana, como os vietnamitas chamam) que dura cerca de 15 anos. No fim Estados Unidos retiram suas tropas e temos a vitória do Norte quando Saigon finalmente se rende. O resultado é uma fronteira “psicológica” que dura até hoje, onde Norte e Sul não se bicam.

Se na Tailândia temos fotos do Rei espalhadas por tudo quanto é canto, no Vietnã Ho Chi Minh é o herói. Apelidado de Tio Ho, sua imagem pode ser vista nos mais diversos pontos de Saigon.
Visitamos 2 museus na cidade para nos aprofundarmos na História do país, que como tudo que envolve guerras, é bem triste.

War Remnants Museum
Entrada: 15.000 dongs
Eu não manjo de Guerras e a única coisa que sei é que odeio todas elas. Mas não deixa de ser impressionante ver um tanque de guerra de perto pela primeira vez.
Bem na entrada do museu você pode ver caças e tanque de guerras americanos usados durante a Guerra do Vietnã. O Museu não é dos mais intuitivos, não tem uma ordem para se iniciar a visita e possui muitas placas e fotos por todas as paredes, excesso de informação. Com um pouco de paciência você acaba criando seu lógica. O Museu não explica exatamente como a Guerra do Vietnã começou, mostra mais recortes da Guerra.

Obviamente que o Museu é totalmente tendecioso puxando toda a bola para o Vietnã. Não vou discutir quem estava certo ou errado durante a guerra porque realmente não sou especialista no assunto, mas confesso que saí de lá com uma enorme simpatia por Ho Chi Minh. A minha seção preferida foi a sala Requiem, com uma coleção de fotos documentárias tiradas por 134 jornalistas durante a Guerra. Há também uma sala que documenta as consequências do Agente Laranja. O Agente Laranja era uma arma química que os Americanos usaram durante a Guerra, eles espalhavam essa fumaça no ar com helicópteros para afastar os vietcongs que se escondiam nas florestas com o objetivo de acabar com a cobertura e comida deles. Sei que por causa dessa merda até hoje crianças nascem com deformidades, milhares de pessoas morreram, as fotos são horríveis, nem consegui ver tudo até o fim, saí de lá chorando. Esse quadro que vimos no museu de Belas Artes representa exatamente o que essa merda toda fez:
Até me arrepia ver isso. Na verdade não sei se sou a pessoa certa para falar sobre o Museu. Tenho o coração mole, vocês sabem. Logo que sai da sala sobre o Agente Laranja eu estava chorando e dei de cara com a Josefine, uma argentina que estava conosco visitando o museu aquele dia. Ela estava também com os olhos vermelhos e disse que não tinha conseguido terminar de ver as outras salas do Museu. Bem, sei que no final também não consegui. Ainda tinha a sala com os Crimes de Agressão e Condições dos Prisioneiros na Guerra. Foi muito para mim.

Ho Chi Minh Museum
Entrada: 10.000 dongs
Bem nas margens do Rio Saigon fica o belo Ho Chi Minh Museum. Com esse nome é óbvio que o Museu é inteiramente dedicado ao Tio Ho. Bem, no dia em que fomos estava um puta calor – para variar – e nós nos perdemos no caminho andando por muito tempo no sol escaldante. Quando cheguei lá a última coisa que eu queria ver era Museu…rs… Mas o Rô aproveitou bastante, ele visitou todas as salas e leu todos os textos enquanto eu fiquei me abanando sentada no banquinho. O Museu é bem confuso na minha opinião, milhões de textos espalhados, mas o Rô adorou, então vai de cada um. Sei que até eu que não visitei o Museu direito saí amando o Tio Ho!!!

Aconteceu uma coisa bem engraçada, eu estava lá sentada no meu banquinho quando vejo o Rômolo no meio de um monte de estudantes vietnamitas batendo foto com ele. “Socorro Nã, elas não param de tirar foto comigo”. Daí as meninas vieram para cima de mim: “Oh… beautiful girl!” me fizeram levantar, e posar para mil fotos com elas, sério, momento celebridade. Pior que na hora eu estava realmente cansada e tive que ficar fazendo V de vitória com a mão para posar na foto hahaha, depois as meninas ainda quiseram entrevistar a gente. Da próxima vez só com hora marcada na agenda! rs…

Fine Arts Museum
Entrada: 10.000 dongs
Exatamente o que espero quando visito um Museu de Belas Artes. O museu oferece um belo panorama de artistas vietnamitas contemporâneos e possui inúmeras obras que retratam o período da Guerra. No dia em que fomos as salas com as artes das civilizações mais antigas estava fechada para reformas. Uma pena. Super recomendo esse museu, é um dos melhores que já visitamos durante a nossa viagem.

Saigon tem muito a oferecer em termos de cultura e história, boas comidas, pessoas amáveis, ruas arborizadas, prédios modernos, cidade agradável – tirando o trânsito. Um mix de antigo e moderno. Você vê as mulheres com os icônicos chapéus triangulares andando de bicicleta, vira a esquina e se depara com construções gigantes. Saigon nos pegou de jeito e com certeza é o tipo de cidade que me faria vestir a camisa: I love Vietnam!

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