E a rotina?

Passar por 5 cidades em 2 semanas não pode ser saudável. Assim aconteceu no Vietnã e após 2 meses e meio viajando as baterias descarregaram. Mas não acabaram. De modo algum significa que quero voltar para casa agora. Meu coração ainda bate forte quando penso nas viagens de caminhão pela África, nas casinhas brancas da Grécia, nas cerejeiras em flor do Japão ou até nos papéis de origami que eu gostaria de comprar para meu pai na Coréia do Sul. Tem muito mundo aí fora esperando por mim. Mas… pelo momento… temos que recarregar as baterias, e isso significa pegar menos estrada, diminuir o ritmo. Aliás, não estamos de férias, estamos vivendo. De férias você quer fazer mil coisas ao mesmo tempo, visitar todas as atrações, andar, andar, andar… e não é assim que funciona numa viagem longa. A verdade é dura: viajar não enjoa, mas cansa.

Sinto falta da minha família, dos amigos, da comida, de falar português numa mesa de bar, mas não sinto falta de estar num trabalho que eu odiava. Ter várias “casas” em diversos países me encanta, poder comer comidas que nunca vi, a doçura de pessoas boas que conhecemos ao longo da estrada. Conhecemos pessoas muito interessantes. Conversamos sobre a Guerra do Vietnã com um vietnamita veterano de guerra, conhecemos mais sobre o judaísmo conversando com o nosso amigo israelense Lior, sobre as manias loucas dos americanos com o Jonathan, sentimos o frio de Aberdeen com a Kelly e o gosto dos kebabs da Turquia com o Onder. Viajar não é somente conhecer os países pelos quais passamos mas também sentir o gosto de outros que ainda não estivemos. Viajar é muito louco e altamente recomendável. Viajar bagunça sua cabeça numa bagunça saudável.

Eu já sinto, dentro de mim, que algo mudou. Não sei muito bem o que é, não entendo ainda, mas sei que é bom. Sinto que vivi nesses últimos 2 meses e meio uma experiência que de outra forma teria me tomado alguns anos. Meus conceitos mudaram, minha mente se abriu, meu paladar se expandiu, minhas relações com as pessoas, meus preconceitos, meus gostos… Tudo mudou. Espero que isso seja só o começo.

Baterias recarregando…

Hoi An: Paixão à primeira vista


Algumas cidades despertam alguma coisa em mim que eu realmente não sei explicar. Vai muito além das palavras, posso tentar dizer que cada passo na cidade é um prazer. Até então eu só sentia isso pelo Rio de Janeiro e por Olinda, mas uma pequena cidade na costa do Vietnã acaba de entrar para a seleta lista.
Eu estou apaixonada por Hoi An. A cada esquina virada, a cada café iluminado, cada lanterna acesa, eu sentia uma pontada no meu coração. Hoi An também me deixou triste assim que cheguei, porque eu já sabia que um dia teria que partir. E diferente do Rio e Olinda, Hoi An está a muitas milhas de casa.
Hoi An é o simples prazer de se estar numa cidade, sem esperar absolutamente nada, sem ter nada programado em vista. As casinhas amarelas com suas lanternas acesas à noite, o rio com seus barcos graciosos, os mais charmosos cafés e restaurantes que eu já vi, sua ruelas estreitas, suas bicicletas. Se eu escrevo como se estivesse apaixonada é porque realmente estou.
Hoi An também é famosa por suas costureiras e estilistas. Eles fazem qualquer peça que você quiser sob medida, sério, qualquer coisa que você imaginar, e isso em 24h. Acabei fazendo um shortinhos por $10 e o Rô uma jaqueta super estilosa por $36, mas vale barganhar! Não tenho um lugar para recomendar, quando chegar lá você vai ver literalmente uma loja do lado da outra com as costureiras te puxando. Eu pensei: “Meu Deus, vou gastar todo dinheiro aqui em roupas e comida!”.
Falando em comida… se eu tivesse que fazer a versão do Comer, Amar e Rezar, escolheria Hoi An para por meus pratos na mesa. A cidade tem sabores únicos e inesquecíveis, como o fried wonton e o lao cao! Mas esses vão ficar para a seção Comidinhas do Vietnã. Um dos nossos lugares preferidos para tomar café e desenhar era o Cargo Club. Depois dos bolos da minha tia Tomi, são os melhores bolos que já comi na vida!

Assim como as roupas, parece que tudo na cidade está feito sob medida para os turistas, mas quem se importa? Hoi An pode ser o que quiser.
Alguns lugares na cidade só podem ser acessados se você comprar um ticket por 90.000 dongs, mas nós pulamos isso e ficamos com o resto da cidade. Noite dessas estávamos andando pelas ruas quando ouvimos uma música. Um homem tocava piano dentro de uma casa e uma roda de crianças cantava algo em vietnamita. Eu e o Rô sentamos lá na esquina, escutando aquela música, vendo as pessoas passando na rua…Senti uma energia muito boa.

Um dos muito templos em estilo chinês pela cidade.

Quando o calor apertava tínhamos duas opções: piscina do hotel ou praia! No segundo dia pegamos umas bicicletas ($1 o aluguel) e Rômolo, Lior – um israelense que conhecemos – e eu fomos pedalando até An Bang beach por 2,5km. Prepare-se para ser abordado pelos vendedores ambulantes de 5 em 5 minutos… e compense a encheção de saco mergulhando nas águas frias do Mar do Sul da China. Também é possível pedalar cerca de 5km até Cua Dai Beach.
É lindo! Hoi An foi passar os dias sonhando.

As famosas lanternas de Hoi An.

_____
Dicas: Na hora de comprar roupas você não deve deixar mais que 50% do valor do produto como depósito. Normalmente eles entregam em 24h. Depois disso você volta para fazer os últimos ajustes ou para pagar o restante! 😉

Onde ficamos: Thien Trung Hotel
Era um quarto ok, meio escuro, o wifi só funcionava na recepção. Pagamos $10 por um quarto com ventilador, com ar-condicionado era $12. O bom é que tinha piscina, mas parece que muitos outros hotéis em Hoi An também tem essa facilidade. A mulher que nos recepcionou era muito fofa, mas se você clicar no link no nome do hotel também poderá ver as críticas no Trip Advisor. A localização era ótima, apenas alguns minutos de caminhada até o centrinho. Nessa mesma rua você pode encontrar outras opções.

Dalat e Nha Trang

Campos do Jordão está para São Paulo, assim como Gramado está para o Brasil, assim como Dalat está para o Vietnã. A Cidade de Inverno, A Cidade das Flores, a Cidade da Eterna Primavera, a Pequena Paris. Com direito à Torre Eiffel.
É o que eu digo, para que viajar para Paris? Você tem o Arco do Triunfo em Vientiane, baguetes maravilhosas em Luang Prabang, a Catedral de Notre Dame em Saigon e agora a Torre Eiffel em Dalat. E tudo por um quinto do preço do original. 😉

Chegamos em Dalat depois de 4horas de viagem desde Ho Chi Minh, fomos largados na rua às 6h da manhã, todos os hotéis fechados, fizemos nossa cama na rua no melhor estilo mendigo-chic. Quando andávamos na cidade no primeiro dia, sol quente, eu de shorts, Rômolo de bermuda, pensa na cena: Todo mundo na cidade andando com touquinha de frio, luvas, casacos com pelinhos, botinhas. Todas as lojas vendendo moletons, meias, protetores de orelha (!), luvas. Eu falei: “Esses caras só podem estar brincando né? Acho que eles querem pensar que faz frio aqui…” Ao cair da noite eu já calava a minha boca e já cogitávamos a aquisição de casacos para as nossas mochilas. Tomávamos um café e saía fumaça da nossa boca. Aliás, finalmente eu tomei sopa no frio! Durante a viagem eu estava evitando, porque 40graus e sopa não ornam para mim. E o Rômolo lá, suando! Em Dalat tudo começou a fazer sentido.

Dalat é o destino de inverno para muitos vietnamitas… Ou pelo menos o que eles consideram ser inverno. Tá, não faz calor à noite, mas faz um frio de inverno de São Paulo, vamos dizer, precisa de protetor de orelha? Mesmo assim gosto de ver o empenho das pessoas na rua do que deve ser a única oportunidade delas poderem vestir roupas de frio… hehehe…

A cidade é uma graça, diferente de qualquer outro lugar que pode ser encontrado no Vietnã. As ruas são ladeiras. Ladeiras! Desde o Brasil eu não via ladeiras. Sei que isso pode parecer normal, mas ladeiras e igrejas ainda são atração depois de uma overdose de templos e ruas planas.
Muitas casinhas são naquele estilo que você encontra em Campos do Jordão e Gramado, estilo triangularzinho, a cidade faz jus ao apelido de Cidade das Flores e não economiza na hora de enfeitar as ruas.
Além de muitos jardins espalhados pela cidade, há também um lago artificial com pedalinhos em formato de cisne por $3 a hora. Ah, esqueci de dizer, Dalat também é considerada uma cidade romântica e destino para muitos casais vietnamitas em lua de mel. Nesse meio tempo em que estivemos lá vimos pouquíssimos turistas ocidentais.

Há uma rua cheia de cafés confortáveis na rua Le Dai Hanh, e para falar a verdade nós fomos para Dalat para descansar de Ho Chi Minh, passamos 3 dias só de bobeira, comendo bolinhos, tomando café, curtindo a garoa e lembrando como não era tão ruim passar frio! Minha indicação para um café na beira da lagoa: Blue Water Restaurant. Não é na pegada de preços para mochileiros, mas a vista do lago é revigorante.

Visitamos também a Crazy House (35.000 dongs a entrada) que é uma espécie de casa com arquitetura de Alice no País das Maravilhas. Vale a pena ir se não tiver mais nada para fazer na cidade, é curiosinha, vamos dizer.
Dalat também é ponto estratégico para fazer passeios a partir da cidade e dizem que os trekkings lá são incríveis. Mas com a garoinha ficamos pela cidade mesmo. Uma coisa bem legal é que aos sábados e domingos eles fecham as ruas para os carros das 19h às 22h, na parte do centro. Então você vê as pessoas invadindo as ruas, meninada brincando de skate, jogando peteca, corrida de carrinhos de controle remoto, algo que toda cidade decente deveria ter.

E da geladeira saltamos direto para o fogão. De Dalat fizemos uma viagem de 5h até Nha Trang com o objetivo de pegar um trem no mesmo dia para Danang e seguir depois de ônibus para Hoi An. Complicado. A estrada é maravilhosa, a mais linda que já passamos, montanhas, rios e plantações. Se fizer essa rota vale a pena ir durante o dia. O ônibus, ao chegar em Nha Trang, passou pela praia, que outra decisão poderíamos ter tomado?
Enquanto passávamos pela beira-mar o Ro começou: “Poxa… a praia é tão bonita… olha que dia lindo… talvez a gente pudesse dormir aqui…” eu disse: “Ro, não precisa tentar me convencer, já estou totalmente convencida!” Se fomos para Dalat com a desculpa de descansar de Ho Chi Minh, a desculpa da vez era descansar de Dalat.

Não me perguntem as atrações da cidade, ficamos dois dias ali estirados na areia, os coqueiros fazem sombras que impressionariam qualquer pessoa.
A noite fomos na feirinha noturna que é uma graça. Nha Trang é mega turístico, tem tanto russo lá que chegamos a ver cardápios escritos em vietnamita e russo. E em inglês?

No último dia em Nha Trang resolvemos nos dar um pouco de luxo e por $4 alugamos duas espreguiçadeiras na Louisianne Brewhouse. Alugando a espreguiçadeira você podia usar também a piscina, mas precisa de piscina? O Mar do Sul da China é geladinho, diferente do mar do Golfo da Tailândia, refrescante!
Mas perai, vocês estão achando que estamos muito chiques para sermos mochileiros, né? O restaurante era super caro. Para economizar fomos obrigados a almoçar lagosta por $5 dos vendedores ambulantes da praia.
Trabalho duro!

De pacotão pelo Mekong

Bem, eu e o Rô definitivamente não somos adeptos de tours pagos, mas dessa vez não teve jeito. Estávamos em Saigon e a forma mais prática de se visitar a famosa região do Delta do Mekong era através de um pacote. Pagamos $18 pelo tour de dois dias com a Agência Tuan Travel. Sei lá por que achamos que talvez déssemos sorte e o tour não fosse como todos os outros. Bem, não demos, lá estávamos nós navegando pelo Mekong e fazendo parada de 15minutos num lugar para ver os locais fazendo quadros com casca de concha, depois 20min para turista bater foto segurando colméia e enrolando uma cobra no pescoço… Depois eu estava dando uma olhada no folder da agência e em um dos pacotes que eles oferecem estava escrito: “Você poderá dizer “Hello” para os locais!” Ai. Dói.

Enfim… se nem tudo foi como esperávamos não deixamos de ter nossos bons momentos nesse meio tempo. Conto aqui para vocês como foram nossos dois dias de oficialmente turistas, com direito a adesivinho da agência colada na camiseta!

Pegamos o ônibus às 8h30 da manhã em Saigon e depois de duas horas de viagem chegamos a My Tho, uma das cidades na beira do Mekong. De lá pegamos um barco e fizemos diversas paradas rápidas e turísticas, como as que já citei no começo do post. O cúmulo do constrangimento foi assistir a uma “apresentação” de música dos locais enquanto provávamos umas frutas. Super desanimado. Pelo menos as frutas estavam boas.

Não vou negar que as paisagens ao longo do Mekong são encantadoras, tirando essas paradas fakes que fazemos no caminho. É muito lindo isso, ver de perto toda as vilas que brotam nas margens do Mekong e como a vida de todas as pessoas gira em torno dele.
Bem, a parte mais legal do dia foi andar nos barquinhos pelos canais estreitos do rio, cheio de vegetação em volta. Só que isso foi muito rápido, nem deu tempo de entrar no clima. Quer dizer, o que deveria ter sido o ápice do dia não durou nem 15 minutos.
Durante o dia conhecemos um casal muito gente boa: o Lawrence nasceu no Brasil e foi para Londres com 11 meses de vida, mas a mãe dele era de Portugal, portanto ele falava português super bem. O Lawrence é casado com a Diana, uma colombiana, então passamos o dia inteiro do tour com eles, o que salvou um pouco o nosso dia.

Mas o que salvou nosso dia definitivamente, foi quando – continuando o tour – pegamos o ônibus para passar a noite em Can Tho. Valeu a pena só por passar a noite na cidade que tem uma graça de beira-rio (eu e as beira-rios né…rs…). Bem, essa noite eu e o Rômolo decidimos que íamos comemorar nosso aniversário de 3 anos de namoro e comer num restaurante bacana. Queríamos algo bem na beira do rio e logo avistamos um restaurante que parecia um barco. “Nossa, eles tem até colete salva-vidas para tornar a experiência mais real!” eu pensei.
Sei que no fim da noite lá estávamos nós no meio do rio jantando e tomando cerveja, com direito a apresentação de mágico e cantores…rs… O restaurante era de fato um barco, e quem quisesse ir embora antes dele ancorar de novo tinha que pegar um mini barco para voltar para o porto. Só haviam locais comendo lá, eu e o Rô viramos atração, para variar, o povo perguntando de onde nós éramos, as tiazinhas mexendo nos dreads do Rômolo…rs… Se o barco estiver ancorado, não perca a oportunidade de jantar nele. Não é tão caro, gastamos uns $25 no total comendo muitos frutos do mar e tomando muita cerveja. O barco-restaurante se chama Nhà Hàng Du Thuyên, acho que ele parte do porto às 19h e volta às 22h.

No dia seguinte acordamos às 6 da manhã, tomamos o café da manhã e fomos para o que considero o ponto alto do nosso tour: o Mercado Flutuante de Cai Rang.
Centenas de barcos carregados de frutas e legumes, é lá que muitos locais vão para fazer compras – de barco, claro.
Não espere nada turístico, barcos vendendo souvenirs ou coisas do tipo, os barcos estão lá para os locais, não para os turistas. Alguns barcos se aproximaram para vender água e frutas, eles amarravam os barcos no nosso e você podia até pular para o outro barco para comprar.

Vai um abacaxi aí?

Depois disso nada demais… voltamos para nosso hotel e tínhamos 1h livre para almoçar. Eu e o Rô fomos num restaurante ali do lado com uma espanhola e um italiano que conhecemos, o cardápio parecia a Arca de Noé: Cobra, rato, sapo… Eu fui de cobra, o italiano foi de rato.
Cobra tem gosto de que? Não sei explicar, tinha muito curry no meu prato. Mas você tem que mastigar bastante. Se não me engano era uma cobra d’água, porque vi um aquário lá no restaurante cheio de cobras vivas. Com certeza eu repetiria! Já o rato… experimentei um pedacinho e fiquei com nojinho… quem sabe na próxima!

É, fazendo o balanço final o tour não foi de todo mal, incorpore um jantar num barco e uma cobra no almoço, e pronto: você tem uma bela justificativa para visitar o Delta do Mekong de pacotão!
____
Dicas:
Brincadeiras à parte, se eu pudesse fazer de novo faria a trip por conta própria, iria até Can Tho e descolaria um barco lá, custa mais ou menos $5 a hora do barco. 😉

Pelos museus de Miss Saigon

A história do Vietnã é longa, mas numa versão bem resumida encontramos o país durante a Colonização francesa e vemos a luta vitoriosa do Vietnã para se tornar independente. Vem o Tratado de Geneva que divide o país em dois (norte e sul). O norte comunista liderado por Ho Chi Minh, Estados Unidos se metem no meio apoiando o Sul e aí temos a Guerra do Vietnã (ou Guerra Americana, como os vietnamitas chamam) que dura cerca de 15 anos. No fim Estados Unidos retiram suas tropas e temos a vitória do Norte quando Saigon finalmente se rende. O resultado é uma fronteira “psicológica” que dura até hoje, onde Norte e Sul não se bicam.

Se na Tailândia temos fotos do Rei espalhadas por tudo quanto é canto, no Vietnã Ho Chi Minh é o herói. Apelidado de Tio Ho, sua imagem pode ser vista nos mais diversos pontos de Saigon.
Visitamos 2 museus na cidade para nos aprofundarmos na História do país, que como tudo que envolve guerras, é bem triste.

War Remnants Museum
Entrada: 15.000 dongs
Eu não manjo de Guerras e a única coisa que sei é que odeio todas elas. Mas não deixa de ser impressionante ver um tanque de guerra de perto pela primeira vez.
Bem na entrada do museu você pode ver caças e tanque de guerras americanos usados durante a Guerra do Vietnã. O Museu não é dos mais intuitivos, não tem uma ordem para se iniciar a visita e possui muitas placas e fotos por todas as paredes, excesso de informação. Com um pouco de paciência você acaba criando seu lógica. O Museu não explica exatamente como a Guerra do Vietnã começou, mostra mais recortes da Guerra.

Obviamente que o Museu é totalmente tendecioso puxando toda a bola para o Vietnã. Não vou discutir quem estava certo ou errado durante a guerra porque realmente não sou especialista no assunto, mas confesso que saí de lá com uma enorme simpatia por Ho Chi Minh. A minha seção preferida foi a sala Requiem, com uma coleção de fotos documentárias tiradas por 134 jornalistas durante a Guerra. Há também uma sala que documenta as consequências do Agente Laranja. O Agente Laranja era uma arma química que os Americanos usaram durante a Guerra, eles espalhavam essa fumaça no ar com helicópteros para afastar os vietcongs que se escondiam nas florestas com o objetivo de acabar com a cobertura e comida deles. Sei que por causa dessa merda até hoje crianças nascem com deformidades, milhares de pessoas morreram, as fotos são horríveis, nem consegui ver tudo até o fim, saí de lá chorando. Esse quadro que vimos no museu de Belas Artes representa exatamente o que essa merda toda fez:
Até me arrepia ver isso. Na verdade não sei se sou a pessoa certa para falar sobre o Museu. Tenho o coração mole, vocês sabem. Logo que sai da sala sobre o Agente Laranja eu estava chorando e dei de cara com a Josefine, uma argentina que estava conosco visitando o museu aquele dia. Ela estava também com os olhos vermelhos e disse que não tinha conseguido terminar de ver as outras salas do Museu. Bem, sei que no final também não consegui. Ainda tinha a sala com os Crimes de Agressão e Condições dos Prisioneiros na Guerra. Foi muito para mim.

Ho Chi Minh Museum
Entrada: 10.000 dongs
Bem nas margens do Rio Saigon fica o belo Ho Chi Minh Museum. Com esse nome é óbvio que o Museu é inteiramente dedicado ao Tio Ho. Bem, no dia em que fomos estava um puta calor – para variar – e nós nos perdemos no caminho andando por muito tempo no sol escaldante. Quando cheguei lá a última coisa que eu queria ver era Museu…rs… Mas o Rô aproveitou bastante, ele visitou todas as salas e leu todos os textos enquanto eu fiquei me abanando sentada no banquinho. O Museu é bem confuso na minha opinião, milhões de textos espalhados, mas o Rô adorou, então vai de cada um. Sei que até eu que não visitei o Museu direito saí amando o Tio Ho!!!

Aconteceu uma coisa bem engraçada, eu estava lá sentada no meu banquinho quando vejo o Rômolo no meio de um monte de estudantes vietnamitas batendo foto com ele. “Socorro Nã, elas não param de tirar foto comigo”. Daí as meninas vieram para cima de mim: “Oh… beautiful girl!” me fizeram levantar, e posar para mil fotos com elas, sério, momento celebridade. Pior que na hora eu estava realmente cansada e tive que ficar fazendo V de vitória com a mão para posar na foto hahaha, depois as meninas ainda quiseram entrevistar a gente. Da próxima vez só com hora marcada na agenda! rs…

Fine Arts Museum
Entrada: 10.000 dongs
Exatamente o que espero quando visito um Museu de Belas Artes. O museu oferece um belo panorama de artistas vietnamitas contemporâneos e possui inúmeras obras que retratam o período da Guerra. No dia em que fomos as salas com as artes das civilizações mais antigas estava fechada para reformas. Uma pena. Super recomendo esse museu, é um dos melhores que já visitamos durante a nossa viagem.

Saigon tem muito a oferecer em termos de cultura e história, boas comidas, pessoas amáveis, ruas arborizadas, prédios modernos, cidade agradável – tirando o trânsito. Um mix de antigo e moderno. Você vê as mulheres com os icônicos chapéus triangulares andando de bicicleta, vira a esquina e se depara com construções gigantes. Saigon nos pegou de jeito e com certeza é o tipo de cidade que me faria vestir a camisa: I love Vietnam!

Goood morning Vietnam!

Olhando essa foto:
E essa foto:
Você diria que é a mesma cidade? Assim é Saigon, atualmente chamada de Ho Chi Minh, cheia de contrastes. Chegamos na cidade depois da pior viagem que já fiz na minha vida. Saímos de Kampot no Camboja às 9h30 da manhã em uma van super apertada… Cruzamos a fronteira do Camboja com o Vietnã sem maiores extorsões já que já tínhamos tirado o visto em Sihanoukville ($46 – demora 1 dia para ficar pronto, fizemos na agência do Utopia). Chegamos em uma cidade próxima à borda e tivemos que esperar 1h30 até o mini-bus chegar, foi aí que começou a nossa penura. O motorista dirigia loucamente pelas ruas, com velocidade de estrada. Assim, você via as crianças brincando nas calçadas, as motos tentando se desviar num espaço mínimo… passei a viagem inteira achando que um acidente ia acontecer a qualquer momento. Daí abri o Lonely Planet para ver se eles diziam algo sobre isso e bem na seção “Ônibus”: Motoristas usam as ruas como rodovias. Não é surpresa o fato de acidentes serem comuns. Óoootimo eu pensei! E fui rezando para todos os deuses com a certeza de que um dia riria desse momento. Depois que eu vi o cobrador fumando dentro do ônibus pensei: Deixo nas mãos dos céus mesmo. Depois chegamos em Can Tho e trocamos por outra van e lá se foram mais 4h até Saigon, acabamos chegando lá meia-noite. Bem, sobrevivemos e eu ainda não estou rindo daquele momento.

A loucura dos motoristas de ônibus também se estende ao trânsito da própria cidade. Saigon tem aproximadamente 10milhões de habitantes e 5 milhões de motos, preciso dizer mais alguma coisa? Basta imaginar a 25 de março num sábado de manhã, mas com todas as pessoas que estão na rua montadas em motos.
Para atravessar é o mesmo de sempre: Raramente tem semáforo (ou sinaleiro para os curitibanos hehe) então você tem que literalmente se jogar na frente dos carros. Não estou brincando. Eu achava que nunca encontraria trânsito pior que o de Saigon, mas já fui advertida que o trânsito daqui é relax perto do de Hanói. Aiai, o que nos espera?

Trânsito até na placa!

Embora a experiência tenha sido um pouco estressante por causa do trânsito, nos apaixonamos por Ho Chi Minh. A cidade é bem limpa, tem uma boa infra-estrutura para turistas e acho que nunca fomos tão bem tratados pelas pessoas em toda a nossa viagem. Não sei, parece que o pessoal vai com a nossa cara, por onde passamos fomos muito bem acolhidos.

Nos hospedamos na região da Pham Ngu Lao com milhares de opções de preços de hospedagem. A maior parte das atrações podem ser vistas em uma caminhada tranquila a partir dessa área.

Notre Dame Cathedral
Bem, uma Igreja raramente é considerada uma super atração, mas depois de uma overdose de templos ao longo dos últimos 2 meses chega a ser estranho se deparar com uma delas, geralmente tão familiares aos nossos olhos. Estava fechada quando visitamos, mas parece que missas ocorrem aos domingos de manhã.

Ben Thanh Market
Existe uma frase muito conhecida aqui no Sudeste Asiático que diz: “Same, same but different” (Igual, igual, mas diferente). Bem, essa frase se aplica a muitas coisas e o Ben Thanh é uma delas… Mais um mercadinho vendendo souvenirs, comida, frutas… Como ele está em um ponto estratégico, próximo à várias atrações, almoçamos umas duas vezes lá, a comida custa em torno de $2.
Bem bom ficar dando umas voltas sem pressa e apreciar as cenas cotidianas do mercado.
Cong Vien Van Hoa Park
Para dar um tempo na loucura da cidade, vale passar um tempo nesse parque super bem cuidado. O Golden Dragon Water Puppet Theatre fica ali próximo, com apresentações do tradicional teatro de marionetes na água (?!). Deixamos para conferir isso em Hanói.

23/9 Park
Outro ponto para dar uma pausa em Ho Chi Minh, o parque é um ponto de refúgio no meio de todas as motocicletas zumbindo alucinantes ao redor. Paramos lá um dia para ver a galera jogando peteca e dois estudantes se aproximaram. Ficamos um tempo batendo papo com eles, parece que vão lá para treinar inglês. Quando falamos que éramos do Brasil um dos meninos comentou sobre o café. Uau! Primeira pessoa que não falou sobre os jogadores de futebol!!!

Beira-rio
Devo confessar que tenho uma queda por beira-rios. São sempre minha parte preferida nas cidades. Mas se você estivesse andando pelo calçadão do Saigon River e visse essa cena, também não ia cair de amores?
Saigon pode ser realmente estressante as vezes, mas talvez por peso na consciência ela ofereça tantos pontos para revezar o caos do trânsito com momentos de paz. Além disso, é um prato cheio para quem gosta de História, mas deixo os museus para um capítulo a parte… No próximo post nadaremos pela História do Vietnã e conheceremos Tio Ho, o bom velhinho… nos vemos! =)

Choque Camboja

Adoro essa seção do blog! Chegou o momento de mostrarmos os fatos mais curiosos a respeito do país e que fazem nossos miolos entrar em parafuso!

Mulheres de pijama

Elas estão por todos os lugares… servindo no restaurante, vendendo água na barraquinha, andando de moto na rua… São as mulheres de pijama!

Like a zombie!

Bem, gosto não se discute, mas todo mundo concorda que nada pode ser mais confortável do que um pijama. Sinto uma ponta de inveja, eu também quero trabalhar de pijamas em São Paulo! Engraçado que parece que para dormir elas não usam pijamas, segundo um amigo me contou, mas sim vestidos que são a cara da balada!

Mulheres sem biquini

Perai… sem biquini, mas não peladas! Se por um lado os pijamas são a roupa do dia a dia, a roupa do dia a dia é a roupa de banho. Para que complicar? Se você for numa praia ou num rio (e isso também vimos na Tailândia e no Laos) você vai ver os locais entrando com a roupa inteira no mar. E quando eu digo roupa inteira, não é bermudinha de tactel, é calça jeans e camisa social!
Insetos
Bem, eu já contei como foi a experiência de comer o tradional embrião de pato no Camboja… agora, por que não um insetinho de petisco? Estávamos outro dia andando por umas barraquinhas quando um local maluco nos parou numa barraquinha cheia de insetos, e claro que ele queria que a gente experimentasse. Desde o começo da viagem eu estava me preparando psicologicamente para comer, mas nunca tinha coragem… bem, não ia perder a chance agora né… De entrada umas larvinhas para abrir o apetite:

Sem pimenta para mim, por favor!

Avaliação: textura macia, meio salgadinho, me lembrou bastante o camarão.

E para fechar eu comi… esse… negócio… ai meu Deus, o que é isso?
Por favor, se alguém souber, não me contem! O gosto em si não era ruim, parecia meio salgadinho, crocante… mas confesso que o psicológico pesou e quando engoli senti que talvez as perninhas pudessem ter ficado presas nos dentes. Morri!

O Trânsito (claro!)

Tenho a impressão de que tem alguma coisa errada nessa foto...

O trânsito do Sudeste Asiático ainda é uma coisa com a qual não consegui me acostumar. O trânsito em Phnom Penh é terrível, pior do que o tailandês… e pelo que ouvi falar o do Vietnã é pior do que os dois juntos. Famílias inteiras na moto carregando bebês, crianças dirigindo motos, tudo pode ser transportado, galinhas vivas, porcos, plantas…

Fried rice with chicken chegando...

Ufa, ainda bem que ele lembrou do capacete!

Dirigir na contramão é mais do que normal, aliás, a direção da pista fica mesmo a seu critério. Presenciei um acidente na rua certa vez, onde um cara que estava com a filha de 2 anos caiu da moto. Mas o fato é: por ser tão caótico, eles acabam dirigindo mais devagar, então as batidas acabam não sendo tão mortais como as que costumamos ver no trânsito “mais organizado” de São Paulo. Um belo paradoxo a ser estudado.

Karaoke no busão

Acho que se você perguntar para 10 cambojanos o que eles mais apreciam numa viagem de ônibus todos vão responder: Karaoke no busão. Já 10 entre 10 gringos responderão que a coisa mais irritante ao viajar de ônibus pelo Camboja é: Karaoke no busão.

Imagine a cena, você entra no ônibus feliz porque vai poder dar uma cochilada ou uma relaxada, abre seu livro, liga seu iPod, dorme, que seja… quando para seu pavor a TV ´é ligada e uma caixa de som ligada no último volume reproduz as últimas pérolas da música cambojana… acompanhada das legendas em cambojano para você poder acompanhar, claro!
Pode parar tudo o que você está fazendo, não tem como se concentrar. Não é um som ambiente, é um som para te manter acordado por 7h, 10h ou quanto quer que seja o tempo que sua tortura trip vai levar. Os clips são todos iguais, uma mulherzinha chorando porque o namorado foi embora. Outras formas de tortura que você também pode encontrar na TV em péssimo e alto volume:
– Stand ups cambojanos – todo mundo vai rir, menos você.
– Filmes chineses baratos dublados em cambojano – ao estilo Tela Class do Hermes e Renato

Escolham seus assentos e divirtam-se!

Cortes de cabelo ao vivo
Para fechar, uma foto de uma placa que me deixou intrigada… sugestões?
Nos vemos no Vietnã! – se o firewall me permitir 😉