O monge tatuado

Segue aqui um dos posts mais esperados… um dia tatuando com o monge tatuado.

Bem, para começo de conversa… o caminho para se chegar até o monge, o Ton, já é por si só uma aventura. Tem que querer muito tatuar e também contar com um pouco de sorte. Rômolo, Jonathan e eu pegamos uma van até uma cidade há 40min distante de Chaing Mai chamada Sunpatong. O Rômolo já havia tatuado. Pedimos para a motorista nos deixar num posto policial que há na cidade. Quando entramos lá, ninguém falava inglês. Apontei para o policial o endereço em que eu queria chegar (estava escrito em tailandês) e mostrei o telefone do monge (que também não fala inglês). Fiz uns sinais para dar a entender que eu queria ligar para o monge e o policial acabou telefonando. Felizmente ele conseguiu falar com o Ton, porque algumas vezes havíamos tentado ligar antes e ninguém havia atendido. Então o policial fez uns gestos indicando que o monge nos buscaria e que poderíamos ficar ali esperando. Como todo bom posto policial de filme, eles tinham donuts! Nos ofereceram os doces e umas melancias enquanto aguardávamos o Ton… 1h, 2h… Muay Thai rolando solto na TV. O policial pediu de novo o telefone do monge, ligou pra ele, e sei lá porque no momento seguinte estávamos dentro de um carro de polícia, com um policial que não falava inglês mas que estava nos levando para o templo Tung Keang no vilarejo Tung Satok. Inclusive o próprio policial não sabia como chegar lá, parou num templo antes que não era o que procurávamos, falou no rádio, até que finalmente encontramos o templo. Gente… muito longe mesmo, por um caminho de terra… difícil chegar a pé. Como íamos voltar? Não fazíamos idéia, mas pelo menos estávamos lá.

O monge estava meditando. Ele estava num pequeno templo, todo amontoado com coisas, com umas fotos dele tatuando pessoas, várias estátuas budistas, é uma pira! O monge é todo tatuado e fumou pelo menos uns dois cigarros enquanto estávamos lá.

A princípio, apenas eu ia tatuar, mas quando o monge perguntou (por gestos) quem ia tatuar, o Jonathan surpreendentemente disse que também ia. O monge nos deu um livro cheio de desenhos. Não entendemos nada, não sabíamos o que era aquele livro, se ele queria que a gente escolhesse ou o que quer que seja, já que estava tudo escrito em tailandês. De repente o monge aparece com um ipad e uma voz de mulher falando em inglês… Que surreal! Ela perguntou se tínhamos alguma dúvida e disse que o monge tinha escolhido para nós um gao yord, uma tatuagem sagrada que traz sorte a quem a carrega. Geralmente é tatuada na nuca. Não achei explicações em português, mas esse site dá uma boa idéia do que é o gao yord.

A tatuagem é feita com bambu, e supostamente dói menos que a maquininha, mas como foi minha primeira tatuagem não tenho parâmetros para comparar. Sentei-me no chão diante do monge. Respirei fundo. O monge tem um “assistente” cujo trabalho é basicamente esticar a pele da pessoa, e Jonathan também foi chamado para completar a tarefa. Primeiro senti ele riscando as minhas costas. Depois pedriam para eu cruzar os braços e assim iniciou-se a sessão.
Definitivamente não é uma dor insuportável, dá para aguentar mas incomoda, claro. Enquanto ele tatuava, ia sussurrando alguma espécie de mantra, isso me deixou mais calma e eu tentei meditar para reduzir à dor ao mínimo. O Jonathan que esticava minha pele, disse que sentia como se ela estivesse sendo costurada.
Durante o tempo todo não falei nenhuma palavra, nem me movi. Estava totalmente concentrada. Em alguns momentos, com a meditação, a dor diminuía. Foi tudo muito rápido, cerca de 25 minutos e não sangrou praticamente nada. Vale lembrar que o monge não cobra valor algum, antes de ir embora você recebe um envelope e coloca a quantia que desejar. O valor é doado ao templo.

Depois que tudo terminou, uma sensação muito, mas muito boa mesmo me invadiu. Sentei-me no tapete diante das imagens de Buda e fiquei ali tentando entender o que se passava dentro de mim. Um turbilhão de emoções que até agora não sei explicar. Eu só estava muito feliz por estar viva.
Enquanto isso Jonathan tatuava. Depois que ele terminou, o monge fez um ritual, colocou uma máscara em nós enquanto falava algumas palavras e recebemos uma medalhinha.
Depois disso nos meteram em uma caminhonete e nos deixaram de novo no posto policial. Pegamos uma van até Chiang Mai e eu estava – e ainda estou – me sentindo totalmente diferente depois dessa experiência. Sempre fui uma pessoa cética em muitos aspectos, mas aconteceu uma coisa durante essa viagem que me levou a fazer a tatuagem, motivos pessoais. Tem alguns significados muito especiais para mim e um deles é me lembrar de uma atitude que quero levar para o resto da minha vida: não ter medo.

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17 respostas em “O monge tatuado

  1. Nossa amiga, inexplicável ler esse post. Muito legal, tô muito feliz por você e também por poder acompanhar essa sua viagem de pertinho. Tó até divulgando no Twitter seu blog porque tá um máximo, te amo! ❤

    • Que linda re!!!!! ❤ ❤ aonde vc esta agora? ja voltou pra london? nosso voo de volta passa por la, quem sabe nao conseguimos esticar uns dias e te fzr uma visitinha… bjinhosss

  2. Ola! Parabens pelo blog! Esta incrivel! Estou para a asia em julho por 4 meses e os posts estao ajudando muito no planejamento!!! Vc tem o contato deste monge!? Estava querendo fazer isso, mas nao tinha aisa nenhuma recomendacao confiavel! Obrigada e boa viagem! Beijo Julia

  3. Po… Arrepiei aqui.. Sensacional a experiencia.

    A alguns anos quero fazer uma tatoo sak yant. Estou indo a tailandia no ano que vem. Vc tem o contato desse monge?

    obrigado

  4. Você tem mais informações sobre esse monge? Estou indo em Fevereiro para Tailândia e gostaria de realmente fazer uma tatuagem assim, feita por um monge mesmo. Obrigado

  5. Estou a ler cada passinho desta viagem pois é precisamente o que nós vamos fazer para o ano…estamos a apontar para Fev 13… largar tudo e ir viajar até o dinheiro acabar:)!!!
    Pensamos mudar alumas coisas claro mas aqui encontrei informação preciosa!!! E como amantes de tatuagens que somos gostaria de saber como se encontra esse monge? Voçês encontraram como? Ele é especial por lá ou quê?
    Beijo grande

    • Fiquei pensando nisso tb! Vou para a tailandia em novembro, e estou louca para fazer uma tatoo sak yant, mas meu marido ta receoso de dar alguma coisa e estragar a trip… O lance da higiene, como e?

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