Chiang Mai: De olhos bem fechados

Continuando nossa saga zen, fomos fazer um mini retiro num centro de meditação. Foi minha primeira experiência e foi um tanto bizarro. Vou explicar como funciona. Descobrimos pelo Lonely Planet um templo chamado Wat Suan Dok. Eles oferecem um “workshop” de meditação com duração de 24h – começa na tarde da terça – e outro de 4 dias – na última semana do mês. É possível fazer uma reserva por e-mail ou por telefone, mas nós resolvemos ir lá pessoalmente um dia antes. Paga-se 500 bahts pelo curso de 2 dias e 1000 bahts pelo curso de 4 dias, você dorme no Centro e todas as refeições estão inclusas. Vou abrir um parênteses aqui para explicar essa questão dos valores. Até o ano passado não se pagava para fazer esse workshop pois o o templo era apoiado pelo governo. Esse ano, exclusivamente, o governo não deu suporte, então passaram a cobrar esses valores para que o curso pudesse continuar.

Tente reservar sua vaga com antecedência, apesar de que o Marcos não tinha reservado, chegou no dia e conseguiu fazer também. Nesse link você pode encontrar mais informações. É preciso usar roupas brancas, sem transparência e largas. Se você não tiver roupas brancas, pode comprar lá na hora uma calça e uma camiseta por 300bahts. Preços extorsivos para um templo, mas os monges precisam viver não é mesmo? Agora, o que eu recomendaria é ir em qualquer feirinha um dia antes e comprar roupas por preços mais módicos. No fim, a roupa do templo foi um ótimo souvenir e certamente servirá de pijama em muitas ocasiões, haha!

Deixamos nossas mochilas no hostel e levamos apenas uma mochilinha com itens de higiene, escova de dentes, toalha e papel higiênico. Não esqueça do papel higiênico, porque lá não tem. Também deixei de lado a máquina fotográfica e quando chegamos lá descobrimos que eles mesmos tiram as fotos e põem no site.

Bem, você chega no Wat Suan Dok na terça às 13h, faz todos os trâmites, preenche formulário, paga, etc… Daí fomos para uma sala onde nosso “mestre” ia fazer uma pequena introdução ao Budismo. Surpresa: era um cara de 24 anos, gatinho e super engraçado! Me senti num stand-up comedy budista enquanto ele falava. Detalhe que no meio da palestra, o celular dele tocou com aqueles pops americanos, todo mundo morreu de rir. Coisas que você realmente não espera de um monge. Só sei que ele foi super bacana e depois da palestra pegamos uma van e fomos para o Centro de Meditação.

Chegando lá, era um lugar muito bonito, cheio de natureza, calmo, tranquilo… Nos dividimos em dupla e eu fiquei no mesmo quarto que a Kelly. Para nossa surpresa o quarto era muito bom, até bem melhor que o hostel que ficamos em Chiang Mai, cobertor, chuveiro com água quente, espaçoso… os monges sabem mesmo o que é bom! 😉 Vestimos nossas roupas brancas e as cenas seguintes foram muito bizarras… Imagina umas 30 pessoas, um lugar bonito, todos vestidos de branco, andando em silêncio. Parecia coisa do filme do Chico Xavier. Ou ainda que estávamos num hospital todos doentes, ou que estávamos numa clínica de recuperação para ex-viciados. Tenso.
Daí começamos o nosso treinamento… Fomos proibidos de conversar enquanto estivéssemos lá, ao estilo Comer, Amar e Rezar. Mas muita gente não respeitou isso, você passava na frente dos quartos e ouvia umas meninas dando gargalhadas. Inclusive para mim foi difícil porque estávamos com amigos lá, eu tentei, mas as pessoas conversavam comigo e não tinha como não responder. Acho que se eu voltasse lá iria sem conhecer ninguém, para tentar ficar em silêncio mesmo e me concentrar nos meus pensamentos.

Durante esse tempo aprendemos alguns cantos, aprendemos sobre budismo, aprendemos a meditar sentado, em pé e deitado… Claro que deitado é o melhor que tem. Quando o monge nos ensinou essa modalidade, muita gente caiu no sono. Eu estava lá, super concentrada, maior silêncio, quando escuto um puta ronco do meu lado… Quando olhei era uma amiga minha! Ai meu Buda, o que faço? Acordo ou não acordo? Só que o ronco estava muito nítido, todo mundo estava escutando porque o silêncio era pleno, resolvi dar uma chacoalhada nela. Ela acordou assustadíssima e aí ferrou de vez, tive um ataque de riso e tive que me controlar para não gargalhar no meio de todo mundo meditando. Aí já desencanei de terminar essa meditação. Depois fomos jantar e a comida era vegetariana e bem boa… Os monges não podem comer depois do meio dia, mas como somos iniciantes, não só jantamos como pudemos repetir os pratos. Cafézinho, achocolatado, chá e água à disposição o tempo todo, garanto que fome ninguém vai passar.

9h30 da noite: Hora de dormir. Mas como se é tão cedo? Simples, usei a meditação deitada, não deu 15 minutos capotei. Finalmente aprendi algo para me ajudar a dormir mais rápido.

5h00 da manhã: Soa o gongo. Se você não acorda com o gongo geral, eles vão até a sua porta e ficam batendo o gongo até você acender a luz. Terrível! Foi o que aconteceu com a gente…rs… Fomos à sala de meditação, fizemos os cantos, praticamos yoga e fomos comer o café da manhã. Antes de cada meditação tínhamos que repetir juntos algo como:

Nós precisamos contemplar antes de comer a comida
Então ela não será comida pela beleza
Então ela não será comida por prazer ou diversão”
etc…

Não sei se vocês sabem, mas quando o assunto é comida, o Budismo diz: “Coma para viver, não viva para comer”. A comida é apenas para manter o corpo funcionando e ponto, não importa se é boa ou não, só tem que cumprir o seu papel. Nada de comer por gula, apenas o mínimo necessário. O problema é que a comida lá era bem boa, não tinha como deixar de repetir, eu tentei, mas vocês sabem né… o estômago fala mais alto que o coração sempre as vezes.

Assim seguimos o dia meditando, à tarde todos se sentaram juntos e cada um relatou sua experiência ao meditar.

Algumas pessoas se sentiram calmas, outras perturbadas, e aqui relato a minha experiência. Achei muito, muito, mas muito difícil mesmo meditar sentada. Minha cabeça ficava pulando de um pensamento para outro, tive muita dificuldade em tentar me concentrar e ficar na mesma posição (embora mudar de posição seja permitido). Para mim chegou a ser claustrofóbico ficar fechada dentro da minha mente, parada, e de olhos fechados. Tive muita dor de cabeça. Na meditação em pé não consegui me concetrar de jeito nenhum, preciso praticar mais essa. E na meditação deitada eu quase dormia e essa não era a intenção quando fazíamos durante o dia. Acho que vou conseguir atingir um estado de tranquilidade maior quanto mais eu praticar, mas no começo é bem difícil mesmo.

Bom, 15h da quarta-feira, a van nos pegou para nos levar de volta aos nossos respectivos hotéis. Qual era o assunto da van? As experiências que cada um teve? A dificuldade em manter silêncio? Nada disso! Era o monge gatinho! A mulherada falando que era impossível se concentrar com um monge com aqueles músculos bem definidos haha…

Depois disso ainda apliquei a meditação para dormir em algumas ocasiões e principalmente para diminuir a dor quando fiz minha primeira tatuagem na Tailândia, mas isso já são outras histórias… Aguardem o próximo post! =)

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5 respostas em “Chiang Mai: De olhos bem fechados

  1. Ai Nãzinha… morro com seus posts! Melhor parte você falando que parecia Chico Xavier/Rehab. HAHAHAHA

    Sigo stalkeando seu bloguinho e te amandinho. ;]

    :*

    • Hahaha valew Ca… lembrou que quando vc foi para a Irlanda começou o blog e depois nunca mais neh..rs.. bjinhossss ❤

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