Chiang Mai: O dia que dirigimos na mão inglesa

Antes de mais nada, uma curiosidade. Aqui na Tailândia, os templos são conhecidos como Wats (se pronuncia Vat). Dia desses eu, Rô e Kelly, na livraria, achamos um livro que se chamava “What´s what in a Wat”. Um trocadilho bem bobo que nos proporcionou horas de diversão repetindo essa frase. Traduzido seria: “O que há em um Wat”. Feita essas considerações, prossigamos.

Antes de ir para Chiang Mai, contatei uma tailandesa, a Aimee, pelo Couch Surfing para sairmos para jantar na sexta. Ela respondeu que estava com um amigo brasileiro e que podíamos nos juntar a eles. Acabou que conhecemos o Gustavo e ficamos mais amigos dele do que dela. O Gus é carioca, há uns 8 meses com o pé na estrada e foi empatia à primeira vista. Sei que estava todo mundo bêbado noite dessas e resolvemos que íamos alugar umas scooters no dia seguinte para ir em uns templos nas montanhas (mesmo metade de nós nunca ter dirigido uma scooter na vida). Estávamos Rô, Gustavo, Kelly, Jonathan e Stijn (acreditem, a pronúncia é mais fácil do que a escrita) um holandês que conhecemos em Chiang Mai. Daí que começamos a pirar que éramos uma gangue e que tínhamos que criar um nome, tipo “Hell´s Angel” e como íamos visitar uns Wats… pegou o nome da gangue: What´s what in a Wat, com direito à sinal de mão.
Pois bem. Dia seguinte fomos todos pimpões alugar as scooters. Algumas lojas não deixaram porque não tínhamos experiência, óbvio, mas depois de uma procura que não durou muito finalmente achamos um lugar. A dona era bem gente boa e deixou cada um de nós testar as scooters dando uma volta no quarteirão. Desastre total. A Kelly caiu (de leve), eu travei quando cheguei na avenida principal, enfim.. O Stjn deu a idéia de alugarmos um jipe, 800 bahts por 24h. Escolhemos um jipe incrível no cartaz da parede, novinho, moderno… e a dona da loja aparece 15 minutos depois dirigindo isso:
Bem mais carismático, não acham? O carro estava caindo aos pedaços, mas todos morreram de amores por ele na hora. Gustavo sabia onde ficavam os templos, foi de moto na frente e nossa gangue foi seguindo no jipe atrás. Os meninos nunca tinham dirigido com mão inglesa, mas parece que não é difícil. Difícil é dirigir num trânsito tailandês. Então Stjin, que mora em Amsterdam e não tem um trânsito muito diferente do de Chiang Mai, começou dirigindo e depois os meninos se revezaram no volante.

Para as montanhas, baby!

Wat Phra That Doi Suthep
Mais conhecido como Doi Suthep, esse templo fica numa montanha de mesmo nome. Pela estrada de curvas sinuosas, dirige-se cerca de 15km a partir de Chiang Mai. Para entrar no templo é preciso subir uma escada com 309 degraus. Para os mais preguiçosos, ouvi falar de um bondinho ao preço de 30 bahts, mas não prestei atenção se havia mesmo isso lá. enfrentamos as escadas.
Antes de subir as escadas há várias barraquinhas (claro) vendendo aqueles souvenirs de sempre… e comidinhas. Compramos um docinho misterioso de uma senhorinha cega… aliás, a senhorinha não só era cega como também não falava inglês, então imagina a cena da gente tentando comprar dela. Muito fofa!
O docinho era feito dentro de um bambu e você tinha que descascá-lo… Dentro tinha sticky rice com aqueles feijõezinhos japoneses.
O templo é bastante usado pelos locais, apesar de vermos alguns turistas lá… Mas os tailandeses realmente vão lá para rezar, fazer oferendas e ser benzidos pelos monges.
Muito bonito mesmo. Quando entro em um templo, sinto uma atmosfera muito mais leve do que quando entro em uma Igreja Católica e sinto uma atmosfera um pouco mais triste. Os templos são alegres, coloridos, com espaços abertos, brilhantes… e isso me dá uma sensação melhor do que sentar no banco de uma Igreja fechada com imagens de sofrimento ao meu redor. Não estou discutindo ou criticando nenhuma religião, até porque me considero agnóstica, só estou descrevendo como me sinto dentro de um templo, e essa sensação é de paz e contemplação. Me sinto realmente em um lugar sagrado.
Depois disso pegamos a estrada de volta e fomos para um outro templo que o Gustavo queria nos levar. Peço desculpas porque não faço idéia do nome do templo. Logo na entrada um monge se aproximou. Ele tinha cerca de 21 anos se não me engano e um nome de pronúncia bem difícil, algo como “Mess”, vamos assim chamá-lo. É estranho ver uma pessoa tão jovem e da nossa idade sendo um monge… ainda mais quando ele atende o celular no meio da conversa…rs… Eu já tinha ouvido falar que os monges gostavam de conversar com os estrangeiros para treinar o inglês, então super dei corda, ainda mais que não é todo dia que você tem a oportunidade de poder conversar com um monge né?
O Mess nos mostrou os arredores do templo, mas esse era diferente de tudo que tínhamos ido até então, havia meio que um córrego que descia pelas pedras e as construções estavam totalmente em harmonia com a natureza. Passamos um bom tempo lá conversando, tirando dúvidas… e ele bem interessado em nos mostrar as coisas, muito querido!
À noite resolvemos nos engajar numa causa maior: distribuir abraços grátis durante a feira noturna em Chiang Mai. Ai meu Deus, nunca achei que eu fosse fazer isso. Nem o Rômolo. Mas foi a maior diversão do mundo. Abraços internacionais. E uma ótima oportunidade para fazer um estudo cultural, como os tailandeses e alemães tem aversão a dar um abraço. Escrevemos abraços grátis em várias línguas, e o cartaz foi ficando mais cheio conforme as pessoas que passavam pela rua davam por falta de abraços grátis escrito na língua mãe. Para mim o momento top foi quando um italiano perguntou de onde eu era e quando eu disse: “Brasil” ele começou a cantar e fazer coreografia: “Nossa, nossa, assim você me mata! Ai se eu te pego, ai, ai, se eu te pego!” kkkk Essa praga de música segue a gente até do outro lado do mundo!
No dia seguinte continuamos a nossa saga zen e passamos por um treinamento num centro de meditação por 24 horas, acompanhe no próximo post. 😉

p.s.: Eu não dirigi na mão inglesa. Já não dirijo na brasileira, o que dirá em outras nacionalidades, né?

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Uma resposta em “Chiang Mai: O dia que dirigimos na mão inglesa

  1. gostaria de saber se conhece algum guia em Chiang mai, gotaria de fazer a rota (chiang mai-chiang rai, mas sem ter que parar nos locais pega-turistas que prolongam demais o passeio, porque não temos tanto tempo (infelizmente 😦 .
    já quanto aos Free Hugs, achei o máximo….. gostaria de fazer isso um dia.
    orbigada,
    Paula

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