Como aprendi a esvaziar a mochila

Eu aprendi a lidar e entender a dinâmica de uma mochila – e também de um mochilão – da pior forma possível. Para o primeiro mochilão da minha vida – 21 dias na Europa – comprei uma mochila de 50litros da Quechua (sou fã da Quechua, além de bons os modelos são relativamente baratos na Decathlon). Mochileira de primeira viagem não sabia muito bem se esse era o tamanho certo. Enchi minha mala e lembro como ela estava pesada quando saí de São Paulo, incomodava demais. Nosso destino era Paris com uma conexão em Amsterdam. Surpresa chegando em Amsterdam: por causa da neve nosso voo para Paris foi cancelado e as malas tinham partido para sabe-se lá onde, resumindo: só teríamos nossa mala de volta quando voltássemos para o Brasil.

Qualquer mulher ficaria louca, algumas até desistiriam da viagem (foi o que constatei quando contei essa história para algumas amigas). O que eu fiz? Fique MUITO chateada, BEM chateada na verdade. Mas quer saber? Nós estávamos com tudo o que era mais importante… o amor! haha brincadeira! Nessa viagem o R. tinha me ensinado a importância de viajar com uma mochila de ataque… uma mochila pequena que você carrega sempre com você e com tudo o que tiver de mais valor, como máquina fotográfica, celular, etc… ou seja: tudo de mais importante estava conosco, inclusive por sorte estávamos vestindo os casacos mais pesados e quentes como estratégia para diminuir o peso das mochilas (sorte nossa, pois a neve em Amsterdam estava brava!). Além de algumas lembrancinhas – Havaianas e uma pinga para nossos hosts do Couch Surfing –, só havia roupas, shampoo, sabonete, blabla na mochila perdida. Então pensei: foda-se!

Dormimos em Amsterdam e pegamos um trem (pago pela Air France) para Paris no dia seguinte. A Decathlon além de ser minha loja preferida, é francesa, ou seja: estávamos no país certo para repor a mochila perdida. Fomos na Decathlon e comprei:
– uma mochila de 40L da Quechua (por apenas 30 euros!!!)
– umas 2 ou 3 camisetas
– meias
– um casaquinho de fleece (aliás… estou usando ele enquanto escrevo)

E com mais a roupa que tínhamos no corpo passamos tranquilamente esse que foi um dos piores invernos da Europa. Minha mochila estava bemmm mais leve, eu estava mais feliz, andava sem curvar o corpo e não senti falta de nada, juro! Hum… uma coisa que tinha tudo para terminar em tragédia e no final deu tudo certo…

O que a mochila perdida me ensinou: Hoje em dia eu viajo com o mínimo do mínimo necessário, sem firulas, nada de brinco, colar, creme para cada parte do corpo, chapéu para cada dia da semana. Que boa oportunidade para nos desprendermos das coisas materiais (pelo menos por um tempinho… hehe)! Poucas peças de roupa – você sempre pode lavar suas peças pelo caminho – e claro que desenvolvi algumas técnicas para diminuir o peso da mochila… Aprendi principalmente que a mochila não deve ser um estorvo, se estiver pesando mais do que você possa carregar, atrapalhando seus deslocamentos… que tal abrir sua mochila e rever seus conceitos? Você precisa MESMO levar esse secador de cabelo? ;)